sábado, 18 de julho de 2009

Mais um conto...

Ana Paula

O vaso branco com um rolo de papel higiênico estava no canto direito da imagem. O azulejo branco do chão parecia ser realmente novo como dizia a notícia. No canto esquerdo superior estava um chuveiro simples. Branco. Ao chão, um xampu e uma saboneteira com um sabonete. A foto era em preto e branco, mas dizia na legenda ser um quarto, um cômodo. Não tinha divisórias. Som ou televisão não se via na foto. O material das paredes não foi possível identificar. Ele servia para isolar o som.
Sentado na cadeira de madeira pesada e trabalhada eu aguardava ela chegar. Era um quarto de hotel. Numa cidade do interior de Minas Gerais. Um hotel rústico, antigo casarão. Típico das históricas cidades mineiras. Ela chegaria por volta das 23 horas.
O telefone toca em cima da pequena mesa quadrada e simples que fica no canto próximo à janela do quarto. É um aparelho antigo, preservado para compor a atmosfera poética das belas antiguidades. Inspirar aquela atmosfera era encontrar a poesia de tempo antigos que a história e a arte jamais desistem de preservar.
Me levanto após colocar o telefone no gancho e deixo o jornal com a foto em cima da pequena e velha mesa quadrada. Olho para a cama de casal. Arrumada, dois travesseiros grandes e duas cobertas grossas para me cobrir e me esconder do frio. As cobertas eram de fios grossos, seus desenhos eram quadriculados. Eram pesadas e quentes. Escutei seus passos se aproximando da porta bem cuidadosamente.
Eu estava longe da minha cidade e por alguns instantes larguei minha vida e casa para trás. Resolvi viajar e dormir em algum hotel de alguma cidade interior. Meu celular desliguei para não ser encontrado nessa noite. Apesar de estar na cidade natal do grande poeta Carlos Drummond de Andrade, naquele momento eu somente queria esquecer que no meu caminho havia uma pedra.
Era uma noite fria. Eu havia somente feito um lanche no refeitório. Um leite com café quente e um prato com dois pães de queijo e um pedaço de broa me caíram bem. Havia um casal no refeitório. Estavam alegres, eram jovens, pareciam ter seus vinte e poucos anos. Estavam animados com as descobertas poéticas que estavam fazendo dentro e foram do hotel.
Em seguida, após os passos terminarem eu abro a porta para ela. Seu rosto era belo, suave, seus olhos eram castanhos e sua pele clara e rosada. Seu cabelo castanho e ondulado estava amarrado. Seu “boa noite” me faz ser o mais gentil que poderia ser naquela noite. Pego o copo com água e os remédios que estava aguardando. Agradeço e a despeço respeitosamente.
Ana Paula deveria estar comigo. Se ela estivesse vindo eu não teria pedido o hotel para comprar um remédio para dormir. Talvez se eu não tivesse comprado o jornal, se eu não tivesse visto a foto, provavelmente eu não teria largado minha casa e vindo para o hotel. Minha consciência me tortura. A dor e culpa me fazem recriar o que nunca saberei como ao certo foi o sofrimento de Ana naquele quarto, sendo estuprada, dopada, surrada até não ter mais vida. A queimação arde em meu estômago junto com a ausência da única mulher que amei e desejei por ela tirar todas as pedras do nosso caminho que por toda minha vida encontrarmos.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Não importa a nacionalidade, elas estão morrendo em todo o mundo....

Assista ao vídeo no link abaixo:

Jamais encoste em Ana, a não ser para fazer um carinho...

Assista ao vídeo no link abaixo:

Homens que não agridem mais....


Assim como devemos aplaudir personalidades como Nicole Kidman e Nicolas Sarkozy e pessoas comuns que em algum momento de suas vidas decidiram fazer a diferença na vida de outras pessoas com as suas vidas, devemos elevar as boas ações como o programa "Andros" do Instituto Albam (http://www.albam.org.br/).


Criado em 1998, o Instituto Albam é uma organização não governamental e sem fins lucrativos que tem como missão promover a saúde mental e social com diversos programas sob o enfoque de gênero.


Cumprindo a sua missão, o Instituto Albam desenvolve o projeto "Andros" que tem como objetivo trabalhar com os homens que exercem violência contra a mulher, ou seja, os agressores. O programa trabalha com esses homens, por meio de encontros em grupo, temas como comunicação, responsabilização, gênero, afetividade e relacionamento interpessoal com o fim de evitar a reincidência da agressão.


Evitar a nova agressão na relação de gênero e recuperar o agressor levando-o a uma mudança de pensamento e atitude é contribuir para uma sociedade mais igualitária. É fortalecer a instituição familiar evitando a repetição de conceitos, pré-conceitos e atitudes destrutivas e opressoras que resulta na violência contra a mulher, em especial a violência doméstica.


Nicole Kidman, Emabaixadora da Boa Vontade da Unifem


Ganhadora do Oscar (2003), três prêmios Globo de Ouro (1995/2001/2002), uma indicação ao Globo de Ouro (2007), um prêmio da MTV Movie Awards e um prêmio Urso de Prata pelo Festival de Berlim, todos de melhos atriz, Nicole Kidman se dedica na luta contra a violência contra a mulher como Embaixadora da Boa Vontado do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem).


A partir de 2006 Nicole Kidman assumiu o papel de Embaixadora da Boa Vontade na luta contra a violência contra a mulher e a a favor da igualdade de gênero. Desde então a atriz tem apoiado com sua imagem os programas e ações da Unifem, em todo mundo, que promovam essa igualdade de gênero, erradiquem esse tipo de violência e sensibilize e conscientize as pessoas sobre os direitos humanos das mulheres.






sexta-feira, 3 de julho de 2009

Suzana e Ana Carolina

Esse conto foi uma criação inspirada no caso de Ana Carolina , a mulher e mais uma vítima da violência que inspirou a criação desse blog. sua história está nos arquivos desse blog do mês de julho entitulado "Ana Carolina, a origem do blog". Esse texto é uma criação e não se assemelha à brutalidade cometida à Ana Carolina. è mais uma forma de lembrar do "Grito de Ana".
Suzana e Ana Carolina

Seu rosto estava inchado. Seus olhos avermelhados pelo impacto. A faixa estava envolvia sua cabeça a partir do seu queixo. A panela estava fazia na sua casa quando ele chegou do trabalho. Ana Carolina era uma mulher que sonhou em se casar, estudou, formou-se na faculdade de arquitetura e trabalhava como decoradora. Com seus 32 anos era independente financeiramente e emocionalmente. Seu marido era empresário, tinha uma consercionária de carros importados.
Ana Carolina e Filipe se casaram na igreja e a festa de casamento foi a notícia na capital mineira. Ana Carolina, como uma típica mineira belorizontina, era vaidosa, prendada, tradicional, cheia de graça e simpatia pela vida. Seus cabelos castanhos se espalhavam na agitação da torcida pelo seu time no Mineirão. A bela e tradicional mineirinha já era uma mulher que estava realizando seu sonho de casar e cuidar do seu amado. Aos 25 anos ela se casou com Filipe.
Filipe, 30 também era mineiro, mas diferente de Ana Carolina que veio de uma família de funcionários públicos de classe média, seus pais eram ricos empresários do ramo imobiliário. Filipe viajou o mundo, fez o tão sonhado intercâmbio cultural nos Estados Unidos, conheceu a Disney, estudou nas melhores e mais caras escolas e se formou em administração de empresas tendo recebido do pai o investimento necessário para abrir a concessionária de veículos importados.
Fábio e Suzana acordaram com a chegada de Ana Carolina e Filipe. Fábio era vizinho de porta de Filipe. A parede da sua sala dividia os dois apartamentos que eram no sétimo andar de um prédio de luxo do bairro Funcionários. Filipe falava palavrões e gritava muito. Ana Carolina tentava contê-lo em vão. Eles haviam chegado da balada e Filipe estava bêbado e agressivo. Suzana se assustava com os chutes que Filipe dava na porta de seu apartamento enquanto Ana Carolina, amedrontada tentava pegar as chaves pedindo para ele parar.
Fábio se levanta, troca de roupa e destranca a sua porta, mas não abre. Suzana chora e em silêncio senta no sofá da sala. Coloca suas mãos em seu rosto e seus sentimentos se misturam em entre a revolta, a vergonha e a dor. Suzana não voltaria mais a dormir naquela noite.
Ana Carolina abre a porta e entra na frente de Filipe para deixar a sua bolsa e retornar para ajudá-lo a entrar. No instante que ela entra, seu esposo entra atrás e chuta suas costas fazendo com que ela caia e bata seu rosto na mesa de centro da sala. Filipe, tomado por uma fúria e descontrolado ignora os gritos de desespero de sua esposa e chuta seu corpo já caído. Desfere socos contra seu rosto entre um xingamento e outro.
Ao perceber a intensidade e gravidade da situação, Fábio abre sua porta e entra no apartamento de Ana e Filipe. A polícia recebe uma ligação de emergência. Os vizinhos estão acordados. Fábio é levado preso.
O policial militar entrega a ocorrência na delegacia e apresenta Fábio na presença do delegado. No boletim de ocorrência constava o relato do fato pela versão de Fábio e de sua vizinha do andar de baixo como testemunha.
Em depoimento Fábio diz:
“Eu e minha esposa estávamos dormindo quando acordamos com o barulho que Filipe fazia. Eles pareciam estar chegando de alguma festa. Era por volta das 03h20 da madrugada. Não foi a primeira vez que escutamos eles brigarem e ele agredir ela. Mas dessa vez parecia ser pior. Pelas discussões Filipe parecia ser muito ciumento por que Ana era muito bonita. O nosso contato era somente nas reuniões de condomínio e as vezes entre uma festinha e outra do conjunto. Ana sempre muito reservada e centrada não era muito de dar espaço. Ao ser acordado e ter percebido que a briga parecia ser feia, me preparei para intervir por que já não aguentava mais ter que escutar aquela situação. As viatura da polícia já esteve lá das outras vezes que os outros vizinhos chamaram mas não deu em nada. Ele atendia os policiais e dizia que não estava acontecendo nada. Os policiais não pediam para falar com ela e ficava por isso mesmo. Quando a polícia ia embora, ele voltava a bater nela. Escutávamos ela pedir “por favor, pare!”
O delegado querendo ser mais objetivo pergunta o que realmente aconteceu no momento da briga, entre os três no apartamento.
“quando eu escutei algo de vidro cair e quebrar no chão eu abri e minha porta e entrei no apartamento deles. Ele estava segurando Ana por cima do cabelo e dando soco em seu rosto. Ela estava deitada no chão e em cima dela. Nesse momento eu não pensei na medida da minha ação e acertei o lado direito do seu rosto por trás com um soco. Ele caiu entre os vidros da mesa de centro que ele havia jogado Ana e se levantou com um pedaço de vidro na mão partindo em minha direção dizendo que iria me matar e matar aquela vagabunda. Eu me afastei para me defender nesse movimento eu esbarrei na pequena estante de televisão. Nela havia um vazo de flores que usei para me defender. Quando ele tentou me cortar com o vidro eu quebrei o vazo na sua cabeça e em seguida perdi o controle de mim e comecei a bater em seu rosto com chutes até que os policiais me seguraram por trás e me tiraram do apartamento.”
Fábio responde processo por lesão corporal grave em Filipe que perdeu a visão de um dos olhos e teve seus dentes da frente quebrados. Suzana acompanha Ana Carolina de perto vizitando no hospital e ambas se tornaram amigas e companheiras.
Fábio descidiu fazer acomanhamento pscicológico para controlar a raiva. Ele havia sido policial militar por sete anos. Abandonou a profissão depois que agrediu Suzana com o tapa no rosto após chegar em casa. Cansado e estressado com a profissão e a instituição resolveu largar tudo como forma de salvar seu casamento, recuperar sua saúde pscicológica e se redimir com sua esposa. Hoje Fábio é professor e eles tem uma filha de três anos, o remorso dele a as lembranças dela ainda são uma ferida aberta na vida dos dois.
A cada chute no rosto de Filipe, Fábio tentava se perdoar pelo tapa que um dia ele deu em sua mulher.
André Silva – andreluizjornalista@hotmail.com
Jornalista e Especialista em Criminalidade e Segurança Pública
29-06-2009

O sonho da jovem Latifa

Esse é um conto escrito por mim coma temática sobre a violência contra a mulher. Esse conto foi inspirado no livros "Mulheres de Cabul", da premiada fotógrafa inglesa Harriet Logan, e "O Liveriro de Cabul", da jornalista norueguesa Åsne Seierstad, que retratam a realidade cultural, política e social desse do Afeganistão.
O sonho da jovem Latifa
Abdala Haad, 34, foi um mulçumano. Percorria a orla das praias de Vitória todos os dias. Vitória é uma pequena e bela cidade e capital do Estado do Espírito Santo. As praias de Vitória são belas, margeadas por prédios chiques de apartamentos caros. O calçadão tem hora e temporada para estar cheio de atletas, idosos, moças belas, famílias, carrinhos de bebês e corredores amadores. Pela manhã, bem cedo, os idosos e as mães ou empregadas domésticas passeiam com as crianças aproveitam o sol fraco e brisa fresca. No fim da tarde, os jovens, os adultos e os adolescentes se misturam entre caminhadas, corridas e bicicletas na busca pela beleza ideal.
Abdala era afegão, assistiu sua mulher ser presa, estuprada e morta pelo regime Taleban antes da queda pela invasão dos Estados Unidos. Latifa Haad havia se convertido ao cristianismo e exercia sua fé escondida dos olhos opressores do regime que defendia Alá. Laura Smith era uma jovem inglesa de 28 anos, assistente social e militante dos direitos das mulheres, trabalhava para uma ONG sediada nos Estados Unidos que prestava assistência ao povo afegão. Era magra, cabelos curtos e loiros naturais, pele branca que com o sol escaldante da região se avermelhava causando o contraste no seu corpo, seus olhos eram azuis como o mar e sua determinação em construir um mundo melhor naquele mundo destroçado pela irracionalidade, brutalidade e ignorância por si lembrava sua descendência do povo guerreiro celta. Laura morava no paquistão e prestava serviços para a ONU na Embaixada da Inglaterra.
Abdala Haad era professor e Latifa, sua esposa, era uma dona de casa vaidosa e desejosa pela liberdade feminina que havia no ocidente. O regime Taleban tomou o poder no Afeganistão em 1997, proibiu a música, a dança, proibiu as mulheres de irem à escola e impôs que todas, ao saírem de suas casas não usassem produtos de beleza, não se vestissem elegantemente de modo a chamarem a atenção e sempre, sempre, fora de suas casas vestissem a burkha.
Latifa deveria esconder sua pele morena, seus cabelos pretos e lisos e sedosos já não podiam receber o toque suave do vento, e a juventude e a vida de uma jovem de 25 anos deveriam ser escondidas pela insanidade. A burkha cobria todo seu corpo, era feita de um tecido grosso e grande para impedir que seu corpo bem torneado fosse moldado, o brilho que ainda restava em seus olhos escuros e grandes como uma jabuticaba eram ofuscados pela tela que havia na burkha e apenas servia para ela olhar e respirar. Latifa via Cabul, sua cidade e capital do Afeganistão, mas não era permitido a Cabul ver Latifa.
O regime totalitário e violento dos Talebans não conseguiu proibir que Abdala ensinasse sua amada esposa o conhecimento e o inglês que aprendera na juventude. Todas as noites, após, se alimentarem Latifa aprendia com seu esposo. O casal tinha um sonho de ir embora para a Londres e lá ter um filho. Ansiavam uma vida com liberdade, trabalho e oportunidades que haviam sido tiradas de seu pais pelo fundamentalismo absurdo e desumano do Talebans.
Laura acabara de chegar na sede da ONG quando Abdala entrara. Aos 15 anos Abdala se muda para Islamabad, capital paquistanesa, onde tenta a vida no comércio, na construção civil e na jardinagem. Aos dezessete anos Abdala consegue emprego como aqueles “faz-de-tudo” ou manunteção na casa do embaixador da Inglaterra. Disciplinado e dedicado, logo percebe a importância do trabalho e da pontualidade para os britânicos. Se vendo diante de uma oportunidade única, tratava dos jardins da esposa do embaixador como se fossem seus, era atento aos passos da única filha do casal, uma linda criança de oito anos que adorava brincar e ajudar nos cuidados com as flores.
A dedicação e inteligência de Abdala lhe renderam por meio dos contatos do embaixador inglês uma bolsa de estudos para o curso de história. Seu trabalho na casa da família inglesa foi seu passaporte para o crescimento intelectual, acadêmico e seu contato com o contagioso estilo de vida do ocidente. Formado, aos 24 anos, o professor de história Abdala Haad, retorna ao Afeganistão e retoma sua vida dando aulas e conhece Latifa, jovem linda e alegre de 21 anos que trabalhava na biblioteca e desejava conhecer o mundo.
Toda sua história de conquistas no Paquistão passa pela sua mente ao entrar naquela sala e ver aquelas fotos na parede. Eram fotos de mulheres brancas, negras, indianas, chinesa e crianças sorrindo e se abraçando. Todo aquele mundo diferente e atrativo que saltava daquelas fotos despertava a saudosa lembrança da família inglesa. Laura o observa e sorridente pergunta no que poderia ajudar. Com seu inglês britânico ele responde para Laura que fugira do Afeganistão e queria ir para a Inglaterra, que trabalhara na casa de um dos embaixadores daquele país europeu a alguns anos. Mesmo sabendo da condição política e social imposta pelos Talebans ao povo afegão, a opressão, as limitações, crueldades e medo, Laura pergunta o porque.
Adbala se senta, olha para o chão, respira fundo e com as mão trêmulas começa a contar as suas razões:
“ Antes da tomada do controle do país pelos homens Talebans eu tinha uma vida tranquila e estável. Dava aulas em algumas escolas de Cabul e minha esposa, Latifa, trabalhava em uma biblioteca das escolas. Éramos livres, estávamos construindo a nossa história, escutávamos nossas músicas, dançávamos ao som de cantores ocidentais e indianos. Latifa era bela e gostava de estar e se sentir bonita. Sua vaidade me encantava. Eu a queria sempre linda e arrumada....sem ofender as tradições mulçumanas, claro! Um dia Latifa conheceu um casal de brasileiros que trabalhavam em uma ONG francesa que cuidava de crianças no Afeganistão. Ela não me falou deles durante um tempo mas ela mantinha contato com eles e nesses contatos ela se converteu ao cristianismo. Eles éram cristãos. Era um casal jovem e tinham um filho de uns quatro anos quando os conheci. Roberto, Paula e Davi. Certo dia Latifa chegou em casa com uma Bíblia falando do Deus dos cristãos e eu olhando para seu rosto alegre e radiante me convenci de que a mensagem do Jesus dos cristãos era mais profunda e atraente do que a mensagem de Alá. Minha esposa não teve receio em me contar por que me conhecia. Eu jamais poderia ter raiva dos cristãos por que o que sou hoje devo a bondade de uma família cristã que não me discriminou por ser mulçumano e me confiou oportunidades.”
Laura, atenta, fitava em seus olhos negros e em seu rosto cansado pela viajem enquanto ele continuava após uma breve parada e uma profunda inspiração de ar.
“Nos tornamos cristãos e nos tornamos amigos dos brasileiros, mas tínhamos receio de nos manifestar abertamente por medo de sermos agredidos. Após o homens do Taleban assumirem o poder, muitos estrangeiros foram embora inclusive os brasileiros. Foram expulsos por que o regime descobriu que eram cristãos e estavam pregando a mensagem de Jesus e isso afrontava os talebans que são radicais e odeiam o ocidente e tudo que representa o ocidente. Para os talebans Alá estava sendo afrontado. Minha esposa foi denunciada.Ela não trabalhava fora na biblioteca mais por que o regime determinou que era proibido as mulheres trabalharem por dinheiro. Alguém, que não sei quem, ficou sabendo que na minha casa havia uma Bíblia. Os soldados talebans invadiram a minha casa pela manhã, quando eu havia saído para comprar comida e encontraram Latifa lendo a Bíblia. Latifa foi presa, arrastada pelas ruas de Cabul, chicoteada, tentei impedir ao vê-la sendo espancada mas também fui espancado e torturado. Fomos levados para o quartel onde Latifa foi estuprada na minha frente pelos soldados e degolada. Os talebans me disseram que era uma lição para ela e para mim que tínhamos afrontado Alá e o islã, que eu jamais esquecesse que só existia Alá. Fui preso e obrigado a ler o Corão todos os dias em voz alta por três meses. Faz um mês fui solto e fugi para o Paquistão”
Atormentada, a jovem inglesa não consegue impedir que seus olhos derramem as lágrimas da revolta e compaixão. Abdala lhe mostra as cicatrizes dos açoites a uma foto de Latifa que guardava escondido para não ser acusado de idolatria.
Três semanas depois os norte-americanos invadem o Afeganistão na procura por Bin Laden e derrubam o regime Taleban. Laura ajuda Abdala contratando-o como tradutor e durante a guerra, que teve o apoio e participação da Inglaterra, Laura e Abdala, agora amigos, se empenham em trabalhar nas campanhas de ajuda humanitária da ONU com os refugiados de guerra na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão.
Após um ano e meio do início da invasão norte-americana, Abdala e Laura vão para a Inglaterra para descançarem por alguns meses, se casam e vão ao Brasil em lua-de-mel. Roberto e Paula moravam em Vitória, Davi era missionário na Índia, e todos os dias de suas férias na cidade, Abdala e Laura caminhavam na Praça dos Desejos e dos Namorados, Praia do Canto, sentindo a brisa do mar, contemplando a liberdade e a belezas naturais desse país tropical que Latifa somente ouviu falar sem esquecer do compromisso deles em tentar fazer do mundo um lugar melhor para se viver.

André Silva – andreluizjornalista@hotmail.com
Jornalista e Especialista em Criminalidade e Segurança Pública
28 de junho de 2009

Ana Carolina, a origem do Blog







Tenho sido questionado sobre a origem do nome desse blog “ O grito de Ana”. Aconteceu algum fato que motivou esse nome? Foi inspirado em alguém? Foi inspirado em algum personagem ou filme?




Ana Carolina Menezes inspirou não somente o nome do blog, mas a criação do blog.




Ana Carolina, 27, administradora de empresas, casada e mãe de um filho foi estrupada, estrangulada e morta em Belo Horizonte no dia 17 de abril de 2009. O corpo de Ana foi encontrado dentro de seu carro seminua no banco traseiro. Ana Carolina foi estrangulada com cadarço do tênis e estuprada ao lado do filho em uma das avenidas mais movimentadas de Belo Horizonte.




“Foi a pior lembrança da minha vida ter encontrado minha mulher seminua, morta, no banco traseiro do carro. Os bandidos não pouparam nem mesmo o meu filho de 1 ano e 6 meses, que foi colocado em cima do corpo da mãe morta. Tentei abraçá-la, mas fui impedido pela polícia, que por sorte me entregou meu filho com vida”. (Desabafo de Willian Chaves Pereira, de 29 anos, que viva com Ana Carolina a três anos e planejava se casar. Esse depoimento foi extraído da versão impressa do jornal mineiro “Estado de Minas” em matéria entitulada “Marcadas pela Violência”, da editoria “Gerais”, domingo, 14 de junho de 2009)




A polícia descartou a hipótese de latrocício por que o autor somente levou o celular da vítima e trabalha com a suposição de que o crime teria sido praticado por alguém conhecido.




Histórias trágicas e desumanas como essas são contadas e escondidas todos os dias. Impunidade, preconceito, a barbárie e a incompetência de algumas autoridades tem feito de mulheres e meninas vítimas indefesas em várias partes do mundo, em todas as classes sociais, línguas e níveis de escolaridades.




A morte de Ana Carolina de Menezes foi mais uma perda irreparável para seu marido, seu filho, seus familiares e amigos. Ana Carolina foi enterrada no dia 18 de abril de 2009 juntamente com Telma Portela da Silva, 35 anos, deixou um filho de 11 anos. Foi encontrada morta na região metropolitana de Belo Horizonte. Esteve como desaparecida até seus parentes a encontrarem no necrotério da cidade de Betim em estado de decomposição. Telma, mais uma das “Ana´s” foi encontrada 18 dias após o seu desaparecimento com um grave ferimento na cabeça.




A morte de Ana Carolina de Menezes deu vida a esse blog.




“Jamais deixe de fazer o pouco que você pode por não conseguir fazer o muito que gostaria”(autor desconhecido)




Fonte :
- Versão impressa do jornal mineiro “Estado de Minas” em matéria entitulada “Marcadas pela Violência”, da editoria “Gerais”, domingo, 14 de junho de 2009, Belo Horizonte
- Versão impressa do jornal mineiro “O Tempo”, “Cidades”, páginas 34 e 35, sábado, 18 de abril de 2009, Belo Horizonte.
- Versão impressa do jornal mineiro “O Tempo”, “Cidades”, página 29, domingo, 19 de abril de 2009, Belo Horizonte.
Em resposta ao comentário de Daniela, irmã de Ana Carolina de Menezes, foi postado no link abaixo a resposta do autor do blog

A luta de uma “Ana” no Afeganistão


Minientrevista publicada pelo jornal mineiro “O Tempo”, Domingo, 14 de junho e 2009. Belo Horizonte
Entrevistada: Malalai Joya, militante afegã, 31 anos e ex-membro do Parlamento do Afeganistão


“No Parlamento várias vezes escutei: ‘estuprem ela’. O fato de você ser mulher já é considerado pecado”


Jornal O Tempo: Em 2007, você foi expulsa do Parlamento. Por que isso aconteceu?
Malalai Joya: O Parlamento não é democrático. Ali manda quem tem dinheiro e armas. Quando perceberam que não podiam em impedir de ter voz ali dentro, me ameaçaram e depois de expulsaram.


Jornal O Tempo: O fato de você ser mulher também contribuiu?
Malalai Joya: Sim. O fato de ser mulher já é considerado pecado. Há a idéia de que política é coisa para homem. Hoje, 70% das afegãs não vão à escola, poucas têm emprego e várias são vítimas de estupro, praticado impunimente.


Jornal O Tempo: Você ainda recebe ameaças?
Malalai Joya: No Parlamento várias vezes escutei: “estuprem ela”. Era chamada de prostituta. Recebo ameaças de morte. Presciso sair sempre de burkha e nunca fico muito tempo em uma mesma casa.


Jornal O Tempo: Como é seu trabalho de militância?
Malalai Joya: Recebo visitas de vítimas e tento revelar ao mundo, por meio da mídia internacional, a realidade afegã. Tenho também uma clínica que presta assistência médica a mulheres e crianças. Recolho documentos que provam as atrocidades realizadas por quem está no poder e quero levar esse material a um tribunal internacional de Justiça.


Jornal O Tempo: Quais são os principais problemas enfrentados pelos afegãos?
Malalai Joya: Somente 2% da população tem luz elétrica e 8% acesso ao serviço sanitário. A expectativa de vida é de 44 anos. O afegão sofre devido à pobreza, ao tráfico de ópio e à inexistência de leis no país.


Jornal O Tempo: Quem tras esses problemas ao Afeganistão?
Malalai Joya: O afegão possui três inimigos: o Taleban, que oprime; os senhores de guerra, e a ocupação norte-americana, que continua a matar civis.

Nicolas Sarkozy e as Ana’s do mundo


Matéria publicada no jornal mineiro “O Tempo”, terça-feira, 23 de junho de 2009, Belo horizonte. Na seção Mundo na página 24.
Na matéria o presidente da França, Nicolas Sarkozy, apóia os parlamentares franceses em uma proposta contra o uso crescente da Burkha na França. Sarkozy vez seu pronunciamento no Palácio de Versailles e foi o primeiro presidente a se pronunciar no Palácio no últimos 136 anos. O presidente francês afirmou que a questão da proibição não é religiosa mas de liberdade, segundo ele, a vestimenta cobre todo o corpo da mulher escondendo seu rosto sendo assim não poderá ser usado na França por que é um símbolo de subjugação da mulher.
Frases do presidente Nicolas Sarkozy:


“A questão da burkha não é uma questão religiosa, é uma questão de liberdade e de dignidade da mulheres”


“A burkha não é um símbolo religioso, é um símbolo da subjugação, da subjugação das mulheres. Quero dizer solenemente que não será recebida em nosso território”


“Tem que haver um debate e todas as posições têm de ser apresentadas. Que melhor lugar para isto do que Parlamento? Eu digo a vocês: não temos de nos envergonhar de nossos valores, não temos de ter medo de defendê-los.”


Devemos dar honra a quem merece honra. Nicolas Sarkozy entendeu a importância da liberdade conquistadas pelas mulheres na França serem mantidas que levou o assunto ao Palácio de Versailles após 136 sem que nenhum presidente tivesse pronunciado no Palácio. Poderia ter levado outro assunto mas foi a liberade e a dignidade da mulher que Sarkozy defendeu. A Burkha ofende não somente as francesas mas a cada mulher em cada lugar do mundo. É símbolo de opressão, desvalorização, subjugação, humilhação e usurpação de direitos e liberdades. Espero um dia ver no Brasil uma postura de defesa dos verdadeiros valores.

sábado, 6 de junho de 2009

Em Belo Horizonte Ana não está mais desamparada!!!


Foi inaugurada nesta sexta-feira, 5 de junho de 2009, na cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais, o Cim (Centro Integrado da Mulher). Neste centro a mulher vítima de qualquer tipo de violência doméstica poderá encontrar atendimento psicológico, poderá fazer exame de corpo delito, uma delegacia especializada e duas varas criminais. A iniciativa é inédita no Brasil.

Devemos louvar e promover as boas ações e grandes iniciativas como esse centro especializado em combater a violência contra a mulher.

No Link abaixo você poderá encontrar mais informações.





















sexta-feira, 5 de junho de 2009

Uma cidade chora por Ana no Espírito Santo


Quando pensamos que não existe mais espaço para a maldalde humana somos surpreendidos com acontecimentos como o dessa menina de 14 anos que foi brutalmente degolada pelo padrastro. O assassino confessou o crime. Essa adolescente foi morta porque iria poderia denunciar o padastro por assédio sexual, outro tipo de violência contra a mulher.



(pausa)



1 MINUTO = LUTO



FIM


Link da matéria do jornal Gazeta On Line da cidade de Vitória/ES

terça-feira, 26 de maio de 2009

Iniciativas da PMMG! As Ana´s agradecem...

É com muita satisfação que venho escrever essa postagem. Devemos exaltar as boas ações e dá honra a quem merece honra. Nos dias 21 e 22 de maio participei, no 34º Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais, em Belo Horizonte, do curso de capacitação: "Prevenção à Violência Doméstica contra a Mulher".
Para mim foi uma surpresa estar presente nessa iniciativa da PMMG como um dos profissionais que está sendo capacitado para o atendimento a ocorrências específicas em que a mulher é a vítima da violência doméstica e familiar. Essa capacitação para o atendimento é chamada a 1ª Resposta. Ou seja, todos os policiais militares da PMMG terão que ser capacitados a oferecer a primeira resposta com qualidade, isto é, com a construção do Boletim de Ocorrência completo e detalhado que venha cooperar de forma significativa com as medidas a serem adotadas pela Polícia Civil, Ministério Público e Justiça tanto na punição do agressor como nas medidas protetivas para as vítimas.
O objetivo dessa capacitação é também consiêntizar o policial de que a violência contra a mulher é agressão e deve ser combatida. Mudar o paradigma social proveniente de uma sociedade machista que prega que a mulher gosta de apanhar ou que é culpada pelas agressões.
Está sendo criada e no 34 BPM está em operação, o grupo da 2ª Resposta. Esse grupo ficará responsável pelo acompanhamento das ocorrências sobre violência doméstica contra a mulher e observará a reincidência atuando de forma preventiva por meio de vizitas as vítimas e agressores, promoção de palestras para os agressores e para as vítimas e acompanhamento de ocorrências mais delicadas.
Essa iniciativa de 1ª e 2ª Resposta tem também a finalidade de interromper o ciclo da revitimização.
Desejamos sucesso e parabéns à Polícia Militar de Minas Gerais pela iniciativa em buscar mais qualidade nos serviços prestados.

sábado, 23 de maio de 2009

Ana Joana

Joana estava sentada na entrada da Delegacia de Polícia Civil. Seu rosto estava machucado, inchado e seus cabelos amarrados para trás. Maria Lúcia estava em pé no balcão da recepção dessa mesma delegacia e ela usava óculos escuros, grandes e não era possível ver seus olhos. Em suas mãos, curativos e as chaves de um carro. Maria Lúcia tinha a pele clara, os cabelos pretos e lisos. O canto direito de sua boca estava avermelhado. Aparecida saiu de uma das salas da delegacia passando entre a Joana e a Maria Lúcia. Aparecida era simples, carregava uma sacola e a sua face esquerda estava inchada. Suas unhas não eram pintadas e ela estava falando ao celular, e pelo que as palavras indicavam, ela perguntava pelos seus filhos.

Flávia estava em pé próximo a saída e aguardava alguém, estava bem arrumada, era jovem e em suas mãos estava segurando uma pasta. Naquela pasta transparente havia papéis e entre esses papéis as fotos da dor. O rosto de Flávia era bonito, não tanto quanto antes. Mas após algumas cirurgias ela estava aos poucos recuperando a beleza, ainda que sem brilho. Os papéis na pasta de Flávia era o boletim de ocorrência da agressão que sofrera do seu companheiro. As fotos eram das feridas.

Assim como a Flávia, a Maria Lúcia, a Joana e a Aparecida, diariamente nos quatros cantos do planeta milhares de mulheres e meninas são agredidas pelos seus companheiros, maridos, namorados, ex-namorados, ex-maridos. A Federação Internacional de Planejamento da Família na Região do Hemisfério Ocidental juntamente com a Associação Médica Americana, desenvolveu nos Estados Unidos da América uma pesquisa que revelou que entre 45% e 59% das mulheres que sofrem violência são mães de crianças que sofrem maus-tratos e que as mulheres que sofrem violência representam 25% das que são atendidas nos serviços psiquiátricos de emergência e das que tentam suicídio.

De todas as mulheres assassinadas no mundo, 70% foram mortas pelos próprios maridos, revela a Organização Mundial da Saúde.

A Anistia Internacional cita um dado do Conselho Europeu que revela que a violência doméstica é a principal causa de deficiência e morte entre mulheres de 16 e 44 anos, matando mais do que o câncer e acidentes de trânsito.

A pesquisa intitulada “A Mulher Brasileira nos Espaços Públicos e Privado”, da Fundação Perseu Abramo, de 2000, estima que, no Brasil, 2,1 milhões de mulheres são espancadas por ano, 175 mil por mês, 5,8 mil por dia, 243 por hora, 4 por minuto e uma a cada 15 segundos.

Os dados acima estão expostos na cartilha “Convenção de Belém do Pará – 10 anos da adoção da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher”, elaborada pela Comissão Especial do Ano da Mulher da Câmara dos Deputados em Brasília no ano de 2004.

A família é a célula vital da sociedade. Famílias destruídas ou desestruturadas tendem a gerar indivíduos desestruturados que possivelmente não terão condições de contribuir na construção de uma sociedade com pensamentos e atitudes humanas de não-violência, hombridade, respeito mútuo, cooperação e consciência humanitária.

A violência masculina contra suas mulheres, suas esposas, suas amantes, suas companheiras é uma demonstração de fraqueza e desequilíbrio envolto de um machismo que não conhece o diálogo e nem a resolução pacífica de conflitos. Não há como preservar essas mulheres e meninas da violência física, sexual e emocional sem investir na construção de uma cultura cidadã que entende que o absurdo da violência doméstica é um lento suicídio social.

Mulheres marcadas pelo medo e pela dor não dão o melhor de si. Homens fracos, que necessitam ser contidos nas suas truculências e agressões, devem ser informados que agredir suas companheiras é uma violação aos Direitos Humanos das Mulheres em qualquer parte do mundo.
A cultura cidadã nada mais é do que um resgate aos valores que devem ser defendidos por cada cidadão e sem os quais a convivência social equilibrada e sadia estaria seriamente comprometida. Não haverá fim para esse tipo de violência sem a mudança de atitude e mentalidade de cada homem que algum dia agrediu sua esposa ou amante, daqueles que nunca agrediram mas pensam que mulher deve apanhar.

Devemos desejar um mundo em que filhas e mães não apanhem, que as Delegacias de Mulheres ao redor do mundo deixem de ser necessárias. Devemos sonhar com uma realidade em que agressão doméstica contra a mulher é problema de todos e não uma briga entre marido e mulher “que ninguém mete e colher”. Enquanto ninguém “mete a colher”, mulheres são mortas pelos seus maridos, são estupradas diariamente, agredidas e humilhadas em suas relações que deveriam ser de fidelidade, amor, companheirismo e deveriam durar para sempre.

André Silva
Jornalista e Especialista em Segurança Pública e Criminalidade
andreluizjornalista@hotmail.com

Violência contra a mulher, uma das histórias de Ana


Era por volta das 11hs da manhã e a nossa viatura estacionava nas proximidades da delegacia das mulheres de Belo Horizonte. O dia estava claro e ensolarado. Era novembro e o cheiro de suor na minha farda sob o colete à prova de balas avisava sobre a chegada do verão. Estava muito quente. No rádio da nossa viatura policial escutávamos o despachante anunciar as ocorrências que surgiam a todo instante. A delegacia fica situada em um bairro tradicional e em uma área nobre da capital mineira. Estávamos em cinco pessoas, dois policiais, um dos quais era eu, e um casal cheio de conflitos e uma criança.

Uma hora antes de nossa chegada à delegacia, fomos empenhados para atender uma ocorrência que se tratava de uma mulher que estaria sendo agredida pelo marido. Anotamos o endereço, o nome da solicitante, que no caso era a vizinha, o horário, enfim, o básico para iniciarmos o atendimento.

Era uma casa de fundos. O casal mais uma criança moravam de aluguel. Eram jovens, 22 e 24 anos. Ela estava desempregada. Ele trabalhava em um trailer de hambúrguer, mas fez questão de dizer que quem os sustentava era praticamente a mãe dele. O acesso era pelo corredor lateral externo da casa. O corredor seguia descendo. A casa era grande e esse casal morava nos fundos. Outras famílias residiam nos outros três andares. A casa era de três pavimentos.

Atravessamos o corredor lateral e chegamos até a porta da casa deles. Havia uma pequena varanda em forma de quadrado e uma pequena mureta para entrar nessa varanda. Batemos na porta e ninguém abriu. Batemos outra vez não apareceu alguém para abri-la. Na terceira vez um rapaz abriu.

Jovem aparentando uns 22 anos de idade, sem camisa, branco, cabelos pretos e crespos, aparentemente nervoso e se impondo como o dono da casa nos disse que estava tudo bem e que nada de mais havia acontecido. Atrás dele, uma jovem aparentando ser mais velha uns dois anos, também branca, cabelo preto, anelado e curto, surgiu em nervos. O seu rosto estava desfigurado pelas lágrimas, pela raiva, pela pintura borrada e pela indignação e humilhação de ter sido agredida pelo seu companheiro na frente do seu filho de dois anos. Ela estava grávida de alguns meses do segundo filho do casal. Foi encontrada a camisa suja de sangue e as marcas no corpo dela. A moça havia sido agredida com socos e chutes além de ter sido ameaçada com uma faca.
Aquela porta aberta é uma realidade de milhares de mulheres e de centenas de policiais. A explicação para a centena de policiais e as milhares de mulheres no Brasil e no mundo está no fato de que a maior parte das agressões conjugais cometida contra a mulher pelos seus parceiros não chegam ao conhecimento da polícia.

Entramos na delegacia com os envolvidos, sendo ele algemado pelas costas como autor. Redigimos o boletim de ocorrência e os entregamos nas mãos da delegada. O valente ficou preso e a moça aguardava na delegacia para ser enviada ao hospital para atendimento. Enquanto aguardávamos a liberação da delegada para retornarmos à nossa área de trabalho eu me sentei no banco de espera. Alí observei que dentro daquela casa adaptada em delegacia de polícia, as paredes eram pintadas em cores claras, suaves e limpas, chão limpo e os ambientes decorados com plantas. Era um lugar organizado e com traços da alma feminina que criava um tom de contraste com as vítimas dessa violência bárbara que aguardavam a solução para o seu problema.

Sentei-me ao lado de uma moça, uma jovem bonita, loira de cabelos ondulados a altura do ombro, aparentando uns 23 ou 24 anos de idade, olhos pretos, magra, bem vestida e simpática. Em suas mãos estavam os registros da brutalidade de homens ignorantes e desequilibrados que oprime qualquer mulher que se deixa seduzir. Eram fotos do exame de Instituto Médico Legal. Em nada se aproximada da bela jovem que estava ao meu lado. Ela fora agredida covardemente no rosto, seus olhos estavam roxos em inchados. Sua pele branca se misturava com as cores da violência. Ela havia passado por uma cirurgia para reparar o osso da mandíbula. Ela havia sofrido um soco no queixo, dentre vários golpes que suportara no corpo, que causou a quebra do osso. O agressor era seu amásio que em poucos instantes iria aparecer para buscá-la na delegacia de polícia.

Como mais uma vítima da violação aos direitos humanos das mulheres, essa jovem foi espancada por que o seu companheiro não aceitou a separação. Ele não queria que ela fosse embora da vida dele, ele não aceitou respeitá-la como companheira e a tinha como propriedade da sua insanidade e descontrole. Ela, disse não ter lugar para ir, a família não era uma opção de ajuda. Ela disse que estava ali para denunciá-lo e mais uma vez depor contra ele.

Após a chegada do espancador, a loira se retirou. Dirigi-me até a sala dos presos. Lá estavam os machões que resolveram impor a sua autoridade por meio da violência. Olhando para cada um deles eu me surpreendi ao identificar que o vigia da rua em que na época residia se encontrava preso por bater em sua esposa. Em poucas palavras ele assumiu agressão e nunca mais eu o vi vigiando a esquina da minha rua. Alguns dias depois descobri que a esposa dele era irmão de traficante e o rapaz havia sido jurado de morte.

André Silva
Jornalista e Especialista em Segurança Pública e Criminalidade
andreluizjornalista@hotmail.com


segunda-feira, 18 de maio de 2009

O grito de Ana sob o véu!!!


Infelizmente, em plena era da informação, países como o Paquistão, por motivações religiosas, maltratam suas mulheres subjulgando-as a um segundo plano da existência humana considerando as nossas mulheres pessoas indignas de uma vida livre, saudável, vitoriosa e independente. A violência contra as mulheres em países mulçumanos merecem nossa reflexão e indignação. Exige que nos incomodemos e venhamos a sair de nossa zona de conforto em favor da não- violência contra a mulher em qualquer modalidade, em qualquer país, em qualquer nível social. Agir em favor do fim dessa violência é também um dos meios de defender a família e reconstruir os nossos valores que tanto nos faz falta nos dias atuais.





Paquistanesas são vítimas de violência e conversões forçadas
Por Redao Gospel em quarta-feira, 14 março 2007



Como nos outros anos, as celebrações do Dia Internacional da Mulher no Paquistão entram em conflito com a realidade caracterizada pela falta de poder feminino, aumento das dificuldades socioeconômicas e violência contra a mulher no Paquistão. Esses problemas afligem milhões de paquistanesas, conforme um relatório anual feito pela Comissão de Direitos Humanos do Paquistão.
O relatório notou que, no ano passado, aumentou entre as mulheres o número de conversões forçadas, estupros e casamentos arranjados para menores de idade, destruindo as vidas de milhares de jovens e adolescentes.
A Comissão relatou especificamente 1.821 casos de crimes violentos contra as mulheres em 2006, incluindo assassinato, estupro, mutilação, ferimentos com fogo e outros. Em 2005, 1.726 mulheres sofreram a mesma forma de violência.

Apesar da situação, diversos eventos foram organizados para celebrar o dia das mulheres: reuniões, cerimônias especiais e debates com palestrantes de ambos os sexos.
Joseph Francis, secretário geral do Partido Nacional Cristão, disse que um dos assuntos tratados foi a conversão forçada de mulheres cristãs. Depois das charges de Maomé, feitas no começo do ano passado, muitas garotas cristãs foram obrigadas a se converter no país, especialmente na zona rural.
As conversões forçadas são uma realidade para as cristãs que trabalham para famílias muçulmanas ou em pequenas fábricas, onde são raptadas estupradas e então obrigadas a se converter.
Fonte: Portas Abertas (http://www.portasabertas.org.br/)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sugestão de filme sobre violência contra a mulher...


Um filme denúncia! Algo que vale a pena assitir e refletir...




Filme: Cidade do Silêncio


Uma jornalista é enviada para uma cidade mexicana perto da fronteira com os Estados Unidos, onde as mulheres são exploradas pelas indústrias locais. Dirigido por Gregory Nava (Selena) e com Jennifer Lopez, Antonio Banderas, Sônia Braga e Martin Sheen no elenco.




SinopseGraças ao Tratado de Livre Comércio empresas do mundo inteiro montaram fábricas no México, na fronteira com os Estados Unidos. Com mão-de-obra barata e isenção de impostos, estas companhias fabricam produtos a baixo custo, que são vendidos nos Estados Unidos. Nas mais de mil fábricas de Juarez um televisor é fabricado a cada três segundos e um computador a cada sete. As fábricas contratam mulheres, que aceitam salários menores e reclamam menos dos expedientes longos e condições ruins de trabalho. Muitas fábricas operam 24 horas por dia. Muitas mulheres são atacadas a caminho do trabalho ou de casa, tarde da noite ou no início das manhãs. As companhias não garantem a segurança dos funcionários e várias mulheres foram mortas em Juarez. Com este quadro o editor-chefe do Chicago Sentinel, George Morgan (Martin Sheen), envia para lá a repórter Lauren Adrian (Jennifer Lopez), que não queria fazer a matéria e só concordou em ir pois, se fizer um bom trabalho, terá chance de ser correspondente estrangeira. Ao chegar entra em contato com um repórter com quem já trabalhou, Alfonso Diaz (Antonio Banderas), que agora é o editor de El Sol, um jornal que não aceita a "versão oficial" sobre as mortes que acontecem na região. Diaz diz para Lauren que 375 mortes é só mais uma mentira da polícia, pois na verdade quase 5 mil mulheres já morreram. A situação fica muito tensa quando uma jovem de 16 anos, Eva Jimenez (Maya Zapata), é atacada. Seus agressores pensavam que estava morta e agora ela pode testemunhar sobre quem tentou matá-la. Lauren faz tudo para protegê-la, inclusive da polícia, mas alguns não ligam a mínima para a situação de Eva e das mulheres de Juárez.


quarta-feira, 6 de maio de 2009

Ana grita em terras espanholas...


Segundo divulgado no site do jornal El País da Espanha, 10% das mulheres entre 18 e 70 anos já sofreram algum tipo de violência. O problema é universal...
El 10% de las mujeres madrileñas sufre algún tipo de violencia de género
El Gobierno de Madrid formará a 1.700 profesionales en la atención de las víctimas
Un 10% de las madrileñas de entre 18 y 70 años, aproximadamente 219.000 mujeres, sufren algún tipo de violencia por parte de su pareja o ex pareja, ya sea física, psicológica o sexual, con graves repercusiones tanto para la salud de las propias mujeres como de sus hijos, según se desprende de los estudios llevados a cabo por la Dirección General de Atención Primaria del Servicio Madrileño de Salud. La directora general de Atención Primaria de la Comunidad de Madrid, Patricia Flores, ha presentado hoy la Estrategia de Formación en Violencia de Género en Atención Primaria, que recoge medidas para fortalecer la prevención y atención de la violencia de género.
Entre ellas, el director general de la Agencia Laín Entralgo, Andrés Castro, ha subrayado que en el Plan de Formación Continuada se contempla la realización de 68 cursos en materia de violencia de género, en los que se ofertarán 1.700 plazas. Se prevé que en 2011 todo el personal de Atención Primaria de la Comunidad de Madrid estará formado en materia de violencia de género. En este sentido, ha recalcado que los cursos programados se dividirán en cursos de formación de formadores, talleres de casos clínicos y cursos básicos. "En ellos pueden participar todas las categorías profesionales, equipos directivos, profesionales de medicina, enfermería y no sanitarios", ha añadido.
El protocolo de actuación
Además, ha recalcado que la formación "se presenta con un enfoque interdiscilinar, activo y participativo" y que, para impartir los mismos se han elaborado materiales específicos como vídeos, presentaciones, grabaciones de role-playing, ejercicios para trabajo de grupo y documentos técnicos y bibliográficos.
En referencia a la atención a las víctimas, Flores ha recordado desde 2008 los centros de salud cuentan con un protocolo de actuación para la atención de casos de violencia hacia las mujeres cuyo objetivo es "facilitar las intervenciones de los profesionales cuando tienen sospecha de un posible maltrato o tienen que atender casos de violencia ya identificada". En este sentido, también ha indicado que el año pasado se incorporó el servicio de detección del riesgo familiar a la red de Atención Primaria de la Comunidad de Madrid, que incluye un conjunto de actuaciones que se pueden realizar para detectar y proteger de la violencia de género tanto a la mujer como a sus hijos.
Por otro lado, Castro ha detallado que la Consejería de Sanidad formó entre 2007 y 2008 a 2.018 profesionales de Atención Primaria en violencia de género a través de 89 actividades formativas, de los que el 82% de los participantes en esta formación fueron mujeres. Por categorías profesionales, recalcó que a los cursos asistieron un 43% de profesionales de medicina, un 46% de profesinales de enfermería y un 11% de otras categorías profesionales como el trabajo social, la odontología y personal de las unidades administativas.
AGENCIAS - Madrid - 15/04/2009

terça-feira, 5 de maio de 2009

As cinco formas de violência contra a mulher.


Texto extraído da reportagem sobre a 4ª Edição do Relatório Temático Dossiê Mulher, divulgado pelo Instituto de segurança Pública do Rio de Janeiro (http://www.isp.rj.gov.br/).



"São cinco as formas de violência contra a mulher:


a) psicológica – quando o agressor causa dano emocional e diminuição da auto-estima que visa prejudicar e controlar as ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, chantagem ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação;

b) física – quando o agressor ofende a integridade ou a saúde corporal da mulher;

c) sexual – quando o agressor constrange a mulher a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força;

d) patrimonial – quando o agressor retém, subtrai, destrói parcial ou total os objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer as necessidades; e

e) moral – quando o agressor ofende a honra da mulher (calúnia, difamação ou injúria)."


segunda-feira, 4 de maio de 2009

Elas gritaram em 2008!! A dor foi maior em 2008...


O texto abaixo foi extraído do site http://www.violenciamulher.org.br/ e revela uma triste estatística. Em 2008 aumentaram as mulheres que foram vítimas de algum tipo de violência. Elas gritaram mais em 2008. A sociedade e o Estado falharam e se continuar assim nossas meninas serão agredidas daqui a poucos intantes até se tornarem mulheres adultas e, vítimas de violência doméstica.





Ao analisar os números do ano de 2008, foi possível observar que as mulheres continuam sendo as maiores vítimas dos crimes de atentado violento ao pudor (70,7%), ameaça (63,9%) e lesão corporal dolosa (62,3%). Tais delitos ocorrem, na maioria das vezes, no espaço doméstico de convívio e ambiente familiar, o que significa que as vítimas geralmente conhecem os acusados.
O número de mulheres vítimas de atentado violento ao pudor teve um aumento de 28,6% em 2008 se comparado ao ano anterior. Em 64,8% desses casos de AVP, as vítimas conheciam os acusados (companheiros, ex-companheiros, pais, padrastos, parentes, conhecidos e outros tipos de relações), sendo que 33,3% tinham algum parentesco com a vítima.
Já o crime de ameaças contra as mulheres, após três anos consecutivos de queda registrada nos anos de 2004, 2005 e 2006, apresentou uma mudança significativa. Os anos de 2007 e 2008 registraram crescimento no número de vítimas. A diferença percentual de 2008 em relação a 2007 foi de 6,2%. Foram 41.458 registros feitos, o que corresponde aproximadamente 113 vítimas por dia.
A lesão corporal dolosa é um delito que também merece ênfase por vitimar um grande número de mulheres. Em 2008 foi registrado um total de 45.773 mulheres vítimas, sendo que 58,7% deste total foi caracterizado como violência doméstica ou familiar (26.876 mulheres vítimas). O dossiê aponta um acréscimo neste delito de 37% entre os anos de 2007 e 2008.




Assessoria de Imprensa do Instituto de Segurança Pública – ISP

Tel: 2332-9690 Renata Fortes 8596-5244



Os gritos da mãe e da filha diante do pai agressor!!


Texto extraído do site http://www.grandefm.com.br/news/news.aspx?news_id=249229 da Rádio Grande FM da cidade de Dourados /MS mais uma vez escancara o grito de mãe e filha que forma vítima de agressões do ex-marido e pai. Quantas mães e filhas são marcados por cadeiradas, ferros de passar roupa, cabo de vassoura dentro de seus próprios lares no Brasil e no mundo? A violência doméstica é um problema mundial. Em alguns países com mais violência, em outros países com menos violência, mas sempre com violência. Quantas almas femininas gritam no espelho seus corpos definitivamente marcados?




"Dourados- 2/5/2009 10:41:00


PM prende homem por agredir ex-mulher e filha


A Polícia Militar prendeu ontem à noite, na Rua Álvaro Brandão, Canaã I, Célio de Paula, acusado de violência doméstica. Segundo informações, o autor foi até a residência de sua ex-esposa, a qual não quis atendê-lo. Célio apoderou-se de uma cadeira e jogou contra a filha, dando-lhe um soco e ainda ameaçou e ofendeu com “palavrões” a mãe e a menina.
Célio foi detido e encaminhado à Delegacia. "


Fonte: Dourados News

O grito de Anya na guerra!!!


Anya com seus 13 anos de idade foi vítima de uma violência descabida por questões etnicas e religiosas. Quantos gritos será que ainda ecoam an alma de Anya durante todo esses anos? Quantas "Anyas" terão que gritar para que o mundo abra os olhos para as mulheres e meninas que sofre tortura e estupros por soldados e rebeldes em regiões de conflitos?


"Anya Hrykin é uma garota batista de 13 anos que durante 3 meses permaneceu nas mãos de rebeldes chechenos na cidade de Groszny, na Chechênia. Em outubro de 1999, Anya fugiu do território checheno e encontrou um abrigo seguro em uma casa no sul da Rússia. Alguns dias depois, ela voltou em busca de sua mãe, mas, além de não a encontrar, foi feita prisioneira por um grupo de rebeldes chechenos. Anya foi torturada e estuprada pelos seqüestradores muçulmanos até que conseguiu escapar e fugir para a república da Ossétia do Norte em dezembro de 1999. Os raptores de Anya também obrigaram a frágil e indefesa garota a recitar o credo muçulmano e a converter-se ao islamismo. Após passar algum tempo hospitalizada, Anya foi alojada em segurança em uma casa próxima à cidade de Krasnodar, juntamente com outros membros da Igreja Batista de Groszny. "