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sexta-feira, 28 de março de 2014

65% dos brasileiros acham que mulher de roupa curta merece ser atacada

65% dos brasileiros acham que mulher de roupa curta merece ser atacada

Resultados assustaram até autores do estudo do Ipea; retrato da vítima de violência sexual indica ainda que mais da metade das vítimas tinha menos de 13 anos e há casos de estupro coletivo

27 de março de 2014 | 15h 03

BRASÍLIA - Um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) retrata o quanto a violência contra a mulher ainda é tolerada no País. A maioria dos brasileiros considera que merecem ser atacadas aquelas que usam roupas que revelam o corpo. Também é majoritário o grupo que acredita que, "se a mulher soubesse se comportar", as estatísticas de estupro seriam menores.
Os resultados provocaram espanto entre os próprios autores da pesquisa. A violência contra a mulher, avaliam, é vista como forma de "correção". A vítima teria responsabilidade - por usar roupas provocantes ou por não se comportar do modo "desejado". "Mais uma vez, tem-se um mecanismo de controle do comportamento e do corpo das mulheres da maneira mais violenta que possa existir", dizem os autores da pesquisa.
A tolerância à violência não está ligada a características populacionais. Mas autores do trabalho consideram que algumas condições, como morar em metrópoles, ter escolaridade mais alta e ser mais jovem podem reduzir o risco desse tipo de comportamento. Para os pesquisadores, o fator preponderante para a tolerância é a adesão a determinados valores. Pessoas que acreditam que o homem deve ser o cabeça do lar, por exemplo, estão mais propensas a achar que a violência, em muitos casos, se justifica.
"É a ideia da mulher honesta, que ainda persiste no País", afirma a secretária de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres, Aparecida Gonçalves. Embora a tolerância à violência esteja muito presente, o discurso do brasileiro não é linear. Dos entrevistados, 91% concordam total ou parcialmente com a ideia de que homem que bate na mulher deve ir para a cadeia. Outros 89%, por sua vez, dizem não concordar com a afirmação de que o homem possa xingar ou gritar com a própria mulher.
A cultura machista fez a moradora da zona leste de São Paulo Maria (que pediu para não ter o sobrenome revelado) se calar sobre as agressões físicas do marido durante nove anos de casamento. "Ele quebrava tudo dentro de casa, mas demorei a falar para a polícia e a família", relata a dona de casa. "Tinha medo e não sabia se contar era certo. Até que um dia resolvi denunciar", relata. Segundo ela, a falta de autonomia, principalmente financeira, é responsável pelo silêncio da maioria.
Estupros. O Ipea traçou também um retrato da vítima de violência sexual. Conduzido por Daniel Cerqueira e Danilo Coelho, o trabalho analisou registros do sistema de agravos de notificação, que capta dados de atendimentos em serviços públicos de saúde. Foram analisados cerca de 12 mil casos, referentes a 2011. "É uma amostra. Pelas projeções do Ipea, no ano passado ocorreram no País 527 mil estupros", diz Cerqueira.
Os números analisados mostram que mais da metade das vítimas tinha menos de 13 anos de idade. "É um dado absolutamente alarmante", avalia. O trabalho identificou também que 15% dos estupros registrados foram cometidos por dois ou mais agressores. "Ficamos chocados quando ouvimos histórias de estupros coletivos na Índia. O fato é que enfrentamos o mesmo problema no nosso quintal." / COLABOROU VICTOR VIEIRA
Fonte: Estadão

65% dos homens concordam com a frase "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas"

Maioria dos brasileiros acha que mulher de roupa curta merece ser atacada

Pesquisa divulgada hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada mostra que 65% dos homens concordam com a frase "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas"


Agência Estado
Publicação:27/03/2014 16:21Atualização:27/03/2014 17:50






A maioria dos brasileiros concorda com a ideia de que marido que bate na esposa deve ir para a cadeia, revela pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 27, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Batizado de Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS), o trabalho se baseou na entrevista de 3.810 pessoas, residentes em 212 municípios no período entre maio e junho do ano passado. A pesquisa mostra que 91% dos entrevistados concordam total ou parcialmente com a prisão dos maridos que batem em suas esposas. O estudo alerta, no entanto, que é prematuro concluir, com bases nesses dados, que a sociedade brasileira tem pouca tolerância à violência contra a mulher. "Há uma ambiguidade do discurso", afirmam os autores.



Dos entrevistados, 63% disseram concordar com a ideia de que "casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre membros da família". Causou espanto entre os próprios pesquisadores o fato de que 65% disseram concordar com a frase "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas", algo que deixa claro para autores do trabalho a forte tendência de culpar a mulher nos casos de violência sexual. Para autores, um número significativo de entrevistados parece considerar a violência contra a mulher como uma forma de correção. A vítima teria responsabilidade, seja por usar roupas provocantes, seja por não se comportarem "adequadamente."


A avaliação tem como ponto de partida o grande número de pessoas que diz concordar com a frase: se mulheres soubessem se comportar, haveria menos estupros. O trabalho indica que 58,5% concorda com esse pensamento. A resposta a essa pergunta apresenta variações significativas de acordo com algumas características. Residentes das regiões Sul e Sudeste e os jovens têm menores chances de concordar com a culpabilização do comportamento feminino pela violência sexual. A pesquisa não identifica características populacionais que determinem uma postura mais tolerante à violência, de forma geral. Os primeiros resultados, no entanto, indicam que morar em metrópoles, nas regiões mais ricas do País, ter escolaridade mais alta e ser mais jovem aumentam a probabilidade de valores mais igualitários e de intolerância à violência contra mulheres. Autores avaliam, porém, que tais características têm peso menos importante do que a adesão a certos valores como acreditar que o homem deve ser cabeça do lar, por exemplo.


A pesquisa do Ipea também revela que a maior parte dos brasileiros se incomoda em ver dois homens ou mulheres se beijando. Dos entrevistados, 59% relataram desconforto diante da cena. A relação afetiva entre pessoas do mesmo sexo também não tem uma aceitação expressiva. Das pessoas ouvidas, 41% disseram concordar com a frase "um casal de dois homens vive um amor tão bonito quando entre um homem e uma mulher" e 52% concordam com a proibição de casamento gay. O levantamento identificou, no entanto, um avanço na aceitação do princípio da igualdade dos direitos de casais homossexuais e heterossexuais. Metade dos entrevistados concorda com a afirmação de que casais de pessoa do mesmo sexo devem ter mesmos direitos de outros casais.

Fonte: Portal UAI





quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Um crime, uma mulher e três violências

Essa semana, na Serra do Cipó, região turística de Minas Gerais, um casal foi vítima de roubo seguido de morte - conhecido como latrocínio. Conforme a matéria abaixo, do dia 09/01, veiculada no Portal Uai , eles foram rendido por dois assaltantes em uma moto enquanto contemplavam o pôr do sol. Os dois foram roubados, assassinados a tiros e o carro foi queimado. 

Após a prisão dos autores, um deles confessou que estuprou a mulher antes de executá-la. Esse triste episódio é um caso concreto do que é a violência contra a mulher pela condição de ser mulher. Esse tipo de violência não está associada à nenhuma relação de afetividade ou convívio familiar, se estivesse seria considerada violência doméstica ou intrafamiliar contra a mulher. 

Esse crime se assemelha ao estupro de mulheres em áreas de conflito (Stop Rape Now ) onde a violência sexual faz parte a estratégia e da opressão do lado dominante. Dentro dessa relação de dominador e dominado, a violência sexual é consequência da violência de gênero onde a  mulher sofre agressão por ser mulher e estar subjugada.

No caso desse crime ocorrido na Serra do Cipó, o sadismo e a barbárie dos assaltantes resultaram primeiro na violência de gênero, pelo estrupo por consequência da condição de dominação a que a vítima foi submetida, e em segundo na violência contra a mulher de uma forma geral pois esta depende somente que a vítima seja do sexo feminino.

André Silva

O documento final da Convenção de Belém do Pará, organizado em cinco capítulos e 25 artigos, afirma:
“entender-se-á por violência contra a mulher qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada (artigo 1º)”.

Definições de três tipos de violências segundo a Lei Maria da Penha:


Violência contra a mulher - é qualquer conduta - ação ou omissão - de discriminação, agressão ou coerção, ocasionada pelo simples fato de a vítima ser mulher e que cause dano, morte, constrangimento, limitação, sofrimento físico, sexual, moral, psicológico, social, político ou econômico ou perda patrimonial. Essa violência pode acontecer tanto em espaços públicos como privados.


Violência de gênero - violência sofrida pelo fato de se ser mulher, sem distinção de raça, classe social, religião, idade ou qualquer outra condição, produto de um sistema social que subordina o sexo feminino.


Violência sexual - acão que obriga uma pessoa a manter contato sexual, físico ou verbal, ou a participar de outras relações sexuais com uso da força, intimidação, coerção, chantagem, suborno, manipulação, ameaça ou qualquer outro mecanismo que anule ou limite a vontade pessoal. Considera-se como violência sexual também o fato de o agressor obrigar a vítima a realizar alguns desses atos com terceiros.




Assassinos confessam estupro de advogada executada junto com namoradoHelton Moreira de Castro, de 19, admitiu o crime diante da imprensa durante a apresentação na manhã de hoje. Polícia investiga se há outro suspeito envolvido no caso

Publicação: 09/01/2014 13:26 Atualização: 09/01/2014 13:49



A advogada Lívia Viggiano Rocha Silveira, de 39 anos, foi estuprada pelos dois envolvidos no assalto que terminou com a morte da vítima e do namorado, o também advogado Alexandre Werneck de Oliveira, de 46 anos. A informação foi revelada em uma entrevista coletiva do delegado Wagner Pinto na manhã desta quinta-feira, quando os suspeitos foram apresentados. As vítimas estavam desaparecidas desde a última sexta-feira, quando deixaram a pousada onde estavam hospedados para visitar o mirante da Serra do Cipó, na Grande BH. Lá, eles foram abordados pelos dois assaltantes. 




Marcos Magno Peixoto Faria, de 25 anos, e Helton Moreira de Castro, de 19, foram detidos no Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp) Gameleira e prestaram depoimento na madrugada. O chefe do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) informou que a dupla admitiu informalmente, nesta quinta-feira, ter estuprado a vítima. Durante a apresentação, Helton confirmou a informação aos jornalistas presentes. A polícia recolheu material no corpo da vítima para investigar se há vestígio de sêmen dos suspeitos, para confirmar tecnicamente o estupro. 



A perícia indicou que Lívia foi morta com dois tiros na cabeça. Alexandre foi atingido por três disparos na cabeça e um no braço. Marcos diz que os dois atiraram nas vítimas, mas Helton diz que o comparsa fez todos os disparos. Conforme o delegado Wagner Pinto, não está descartada a hipótese da participação de outra pessoa no crime. Os corpos das vítimas ainda estão no Instituto Médico Legal (IML), mas é possível que eles sejam liberados somente na sexta-feira. Ainda não há informações sobre o velório e enterro do casal. 



Entenda o caso



Alexandre e Lívia ficariam hospedados de quinta a sábado na serra. O plano era comemorar o aniversário de Alexandre, no domingo, com a família na capital, mas eles foram surpreendidos no mirante da serra, onde observavam o pôr do sol. Segundo a polícia, com um revólver, os dois renderam o casal, que estava fora do carro, e os levaram para o leito do Rio Santo Antônio, a sete quilômetros de Conceição do Mato Dentro, onde foram executados. A polícia procura testemunhas para esclarecer detalhes. Uma delas seria uma pessoa que teria socorrido Helton após uma queda de moto no caminho entre o mirante e o local do crime.



Esse fato foi relatado pelo suspeito durante o interrogatório. Ele disse que seguiu o carro de Alexandre na moto, e Marcos foi dentro do veículo com o casal. A queda teria sido nesse trajeto. Helton contou ainda aos policiais que ao chegar às margens do rio encontrou Alexandre morto no banco de trás da caminhonete. Lívia estaria seminua no banco do passageiro e Marcos vestido. 



Após o crime, na sexta-feira, Marcos e Helton tentaram fugir levando a Hilux. Mas como o veículo tinha sistema antifurto, não funcionou. Os dois teriam achado que o veículo estava com problemas na bateria, então foram embora levando R$ 174 e dois celulares. No sábado Marcos teria voltado de táxi ao local do crime para dar carga na bateria da Hilux. A intenção era vender o veículo por R$ 5 mil e dividir o dinheiro.



Como a tentativa de ligar o carro não deu certo, eles atearam fogo no veículo, na manhã de segunda-feira, com a ajuda de um menor. Para chegar aos bandidos, a polícia local contou com a ajuda de informantes que delataram um rapaz, dono de uma moto amarela, com o rosto queimado circulando pela cidade. Diante das características, Marcos, que tem uma motocicleta desta cor, foi detido. Na delegacia ele entregou o comparsa Helton e ambos contaram da participação do menor na destruição do carro. (Com informações de Valquíria Lopes, Junia Oliveira e Guilherme Paranaíba)

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Polémica: un sacerdote culpa a la mujer de la violencia machista

Polémica: un sacerdote culpa a la mujer de la violencia machista

Colocó un cartel en el portón de su iglesia, en el que pretende hacer una "sana crítica" y señala que muchas veces "una prensa fanática y desviada" echa la culpa de todo al hombre.
  • por  EFE
Violencia
Getty Images | Violencia
Un párroco italiano desató una fuerte polémica y grupos de mujeres pidieron su destitución tras colocar en el tablón informativo de su iglesia una carta en la que acusa a las mujeres de haberse alejado de la virtud y de ser en parte culpables de la violencia machista, de habérselo buscado.
Se trata de Piero Corsi, párroco de "San Terenzo", de Lerici, en la provincia de La Spezia (noroeste), quien colocó un cartel en el portón de la iglesia, titulado "Donne e il femminicidio" ("Mujeres y Uxoricidio"), en el que pretender hacer una "sana crítica" y señala que muchas veces "una prensa fanática y desviada" echa la culpa de todo al hombre.
El cura se pregunta si es posible que de una "sola tacada todos" los hombres hayan enloquecido y dice que "no", que no lo cree, que el problema está en el hecho de que las mujeres "cada vez más, provocan, se vuelven arrogantes y se creen autosuficientes y acaban por exasperar las tensiones".
"Niños abandonados, casas sucias, comidas frías, compradas en tiendas de comidas rápidas, ropas mugrientas... Si una familia acaba en el desastre y se llega al delito, una forma de violencia que hay que condenar y castigar con firmeza, muchas veces la responsabilidad es compartida", escribió.
El sacerdote agregó: "¡Cuántas veces vemos a muchachas y señoras maduras caminar por la calle con vestidos provocadores y ceñidos! ¡Cuántas traiciones se consuman en los lugares de trabajo, en los gimnasios y los cines! Podrían evitarse, ya que desatan los peores instintos y después se llega a la violencia o al abuso sexual".
El cura señaló que la violencia o el abuso sexual es "cosa de canallas", pero concluye su texto: "Hagamos un examen de conciencia: tal vez nos lo hallamos buscado".
El texto, colocado en estos días de Navidad y que aún sigue colgado, según la prensa local, levantó inmediatamente las protestas de los parroquianos y ha puesto en pie de guerra a asociaciones de mujeres, como "Teléfono rosa", que han escrito incluso al primer ministro, Mario Monti, pidiendo que sea destituido de ese cargo, y han denunciado que "instiga a la violencia contra ellas.
"Pedimos a las máximas autoridades civiles y religiosas que ordenen la retirada inmediatamente del texto, que consideramos una gravísima ofensa para la dignidad de la mujer", afirmó hoy María Gabriela Carnieri Moscatelli, presidenta de "Teléfono Rosa".
Carnieri Moscatelli agregó que el mensaje "instiga a la violencia contra la mujer porque ofrece inauditos motivos para actos criminales como esos" y pidió la intervención de Monti, del papa y del obispo de la Spezia.
La senadora del Partido Demócrata (PD), Roberta Pinotti, dijo que las palabras del párroco merecen "una condena muy dura" porque ha presentado un análisis "inaceptable" de la violencia contra las mujeres.
Según datos del "Teléfono Rosa", una mujer es asesinada en Italia cada dos días y en estas circunstancias han muerto 98 en lo que va de año. La asociación, que denuncia la violencia sobre las mujeres y se ocupa de darles apoyo, agregó que "la mayoría de estos delitos han sido a manos de maridos o compañeros sentimentales". El último informe del Instituto de Estadística italiano (Istat) indicó que aunque los homicidios han disminuido un tercio en los últimos 20 años, los asesinatos de mujeres siguen registrando cifras altísimas. En 2010, 156 mujeres fueron asesinadas y 172 en 2009, mientras que en lo que va de 2012 la cifra se acerca al centenar y el 70 % de estos crímenes son cometidos por familiares, precisó el Istat.
En Argentina, solo en el período que abarca desde el 1º de enero al 30 de junio de 2012, se registran 119 femicidios y femicidios vinculados de mujeres y niñas, 11 femicidios vinculados de hombres y niños y 161 hijas e hijos de mujeres asesinadas por violencia de género, según datos del Observatorio de Femicidios,de la ONG Adriana Marisel Zambrano La Casa del Encuentro.

Fuente: EFE.
Via jornal argentino Clarín

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Estupro como Arma de Guerra: Senhora cristã sofre abuso sexual, por tropas birmanesas, dentro da igreja

Senhora cristã sofre abuso sexual, por tropas birmanesas, dentro da igreja

Uma senhora, pertencente a uma etnia predominantemente cristã, foi estuprada e torturada por soldados birmaneses, dentro de uma igreja, na qual ela se escondeu, quando as tropas invadiram a sua aldeia.
 
A mulher de 48 anos, estava escondida sozinha no edifício, na aldeia de Lucas Pi, município de Chipwi, perto da fronteira Kachin-China, no dia primeiro de maio, após a maioria dos outros moradores terem fugido.
 
Cerca de dez soldados birmaneses a agrediram com coronhadas, facadas e a violentaram por um período de três dias.
 
Após as tropas deixaram a aldeia em quatro de maio, a senhora foi encontrada semiconsciente, por alguns moradores e, foi levada ao hospital. Ela sobreviveu à provação e se reencontrou com sua família, mas ficou com profundos traumas e distúrbios mentais.
 
Um morador do vilarejo, que testemunhou o ataque selvagem, foi capturado pelas tropas, amarrado no complexo da igreja, agredido e esfaqueado. Ele também foi levado para o hospital e sobreviveu.
 
Tática de guerra
 
Os militares de Mianmar têm utilizado a violência sexual, como uma arma de guerra, durante toda a sua ofensiva, no estado de Kachin, que começou em junho de 2011.
 
O marido de uma das vítimas entrou com um processo contra os militares na Suprema Corte da capital, Naypyidaw, mas as acusações contra eles foram rejeitadas . Sumlut Roi Ji, foi estuprada várias vezes ao longo de vários dias, antes de desaparecer, em outubro do ano passado.
 
Lua Nay Li, da Associação Tailandesa de Mulheres Kachin (KWAT) disse: A mensagem do Supremo Tribunal é clara: “o militar birmanês pode estuprar e matar mulheres e não será punido”.
 
A KWAT tem documentado casos de estupro entre os Kachin durante todo o conflito.
 
Durante os primeiros três meses da ofensiva, 32 mulheres e menina, em oito municípios, foram estupradas; 13 delas foram mortas. Em fevereiro, a KWAT informou que o número total de casos de estupro tinha aumentado para 60.
 

Polícia do paquistão faz vista grossa à prisão de agressores muçulmanos

Polícia do paquistão faz vista grossa à prisão de agressores muçulmanos

A polícia paquistanesa se recusou a prender os muçulmanos, acusados de causar aborto em uma mulher grávida de gêmeas ao agredi-la, apesar do juiz ter cancelado a liberdade provisória dos acusados, disse o marido da mulher.
 
Os policiais do distrito de Narowal, na província de Punjab, foram parciais e tendenciosos ao tomar partido de muçulmanos acusados de causar aborto em uma mulher cristã e de estuprar sua sobrinha de 13 anos de idade, disse Asher Masih, tio da menina e marido da mulher agredida. O grupo de rapazes agrediram Nosheen Masih, e outros parentes dela na tentativa de pressioná-los a retirar as acusações de estupro feitas contra eles, disse Masih.
 
Entre os acusados de espancar Nosheen Masih, que estava grávida de cinco meses, e de estuprar uma jovem de 13 anos, está Irfan Safdar. A polícia está protegendo Safdar por causa da influência de seu pai, o inspetor de polícia aposentado Safdar Bajwa, segundo Masih.
 
"Mesmo com o cancelamento da liberdade provisória e do pagamento de fiança, os políciais estão tentando limpar a ficha criminal de Irfan e não levá-lo sob custódia outra vez", completou Masih. Ele acrescentou que o acusado, com a ajuda da polícia, continua a pressionar a família para que seja feito um "acordo de reconciliação", em que eles retirariam as acusações. Devido a influência de seu pai, a polícia já declarou Safdar inocente da acusação de estupro.
 
A menina violentada, disse ao juiz Mansoor Ahmed Warraich, que Irfan Safdar, um empregado dele identificado apenas como Shahid, e um homem não identificado, a sequestraram quando ela passava proximo à casa de Safdar em 29 de março. Ela disse que eles a doparam, a levaram para uma casa abandonada no campo e a violentaram. A menina disse ao juiz que, desde então, não tinha ido para a escola e que nunca mais quer voltar a estudar.
 
Sarwat Hakeem, o oficial que investiga ambos os casos, teria dito ao tribunal que, a menina tinha ido para os campos com os três suspeitos por livre e espontânea vontade, que ela tinha uma "amizade" com Shahid e que ela consentiu em fazer sexo com ele. Disse também que, a família não tinha encontrado a menina na casa abandonada, e que ela teria ido voltado para casa com as próprias pernas.
 
Ele indeferiu a alegação da família de que a mulher perdera os gêmeos devido ao espancamento, alegando que o abordo espontaneo só ocorreu 48 horas após o ataque.
 
Os criminosos muçulmanos se aproveitam do fato de que a polícia e os tribunais dão pouco crédito às denúncias feitas pelo cristãos do país.
 
Masih disse que os familiares das vítimas perderam a esperança de obter justiça por parte das autoridades, acrescentando que estavam "pagando o preço por serem pobres... e cristãos".
 
"O que podemos esperar da polícia quando eles não cumprem seu dever, mesmo sob ordens judiciais"?, disse Masih. "Eles distorcem os fatos e até chegaram ao ponto de acusar uma garota de 13 anos de cometer adultério com três homens adultos".
 
Leia o livro CRISTÃOS SECRETOS e saiba mais, sobre o cotidiano de cristãos que vivem em países de maioria muçulmana, como o Paquistão.
 

domingo, 13 de janeiro de 2013

Quando os estupros vão chocar a África do Sul? (BBC Brasil)

Sul-africanos se acostumaram com o fato de terem sociedade violenta
 
O jovem de 22 anos estava sentado dentro de um bar improvisado no bairro de Soweto, poucos dias antes do Ano Novo, quando a polícia apareceu atrás dele.
Segundo testemunhas, o jovem tinha acabado de atacar e estuprar uma menina de 17 anos em sua mesa de bar, mas aparentemente considerou o incidente tão trivial que sequer tentou fugir.
Os demais frequentadores do bar, exceto pela vítima, nem se deram ao trabalho de chamar a polícia.
Num momento em que a Índia está reexaminando sua sociedade por conta do estupro coletivo seguido de morte de uma jovem, a África do Sul parece continuar anestesia – incapaz de reagir coletivamente diante de estatísticas quase inacreditáveis e, aparentemente, muito piores do que as indianas.
Na África do Sul, quase 60 mil estupros são denunciados anualmente à polícia, o que é mais do dobro das denúncias na Índia (cuja população é 24 vezes maior que a sul-africana).
E especialistas acreditam que o número real de estupros seja ao menos dez vezes maior, ou 600 mil ataques ao ano.
 
Indignação isolada

Não é que a questão seja ignorada – longe disso.
Nesta semana, jornais sul-africanos estão reportando histórias assustadoras do que é descrito como uma nova tendência: o estupro de avós idosas, principalmente em comunidades rurais. Duas senhoras, de 82 e 73 anos, foram atacadas em 2 de janeiro.
Mas, apesar da indignação expressada pelos colunistas de jornais e por ouvintes das rádios locais, não foi criado na sociedade um sentimento unido de reação.
Recentemente, comentaristas e ativistas olharam para os desdobramentos na Índia quase com inveja, questionando-se quanto ao que pode ter provocado o atual sentimento de indignação coletiva e o debate sobre quem (ou o que) culpar – a história, as drogas, a pobreza…
“Ninguém vai me convencer de que o estupro de um bebê de três meses ou de uma vovó de 87 anos é causado pela pobreza, nem a queima de uma biblioteca ou o vandalismo de uma escola”, disse recentemente pelo Twitter a sindicalista sul-africana Zwelenzima Vavi.
“Talvez o estupro esteja na nossa cultura, como parte da cultura patriarcal”, disse à BBC a empresária e ativista Andy Kawa, que foi vítima de um estupro coletivo.
“É algo cotidiano. Acontece nos lares. Mas (é cercado de) silêncio por causa do medo; porque o estuprador, na maioria das vezes, detém o poder”, afirmou.
Mpumelelo Mkhabela, editor de um jornal de Soweto, diz que “o governo está fazendo o que pode, mas também precisamos que os cidadãos entrem na briga e assumam a campanha, em vez de ficarem apenas momentaneamente indignados”.
 
Sociedade violenta

Talvez a única certeza seja a de que a África do Sul é, há décadas, uma sociedade violenta, e as pessoas se acostumaram com isso.
Em muitas comunidades, jovens mulheres dizem que praticamente esperam ser abusadas, enquanto jovens homens crescem com um perigoso sentido de posse sobre elas.
Nesta semana, houve poucas reações públicas, exceto pela causada por algumas notícias de jornais, quando veio à tona a história de uma mulher de 21 anos foi vítima de um estupro coletivo na última terça-feira, durante sua viagem para se matricular em uma universidade nos arredores de Pretória.
Ela foi arrastada para uma mata por quatro homens ainda não identificados. Ela sobreviveu ao ataque.
No dia seguinte, a BBC foi à entrada da universidade conversar com outros estudantes. A maioria dos consultados não tinha ouvido nada a respeito do estupro, e nenhum pareceu nem um pouco surpreso. Estavam mais preocupados com guardar seu lugar na fila da universidade.
“Não estamos protegidas, não nos sentimos seguras”, disse uma estudante.
Um passante acrescentou: “Há muitos estupradores por aqui”.
Então, a jovem pensou por um momento, olhou para seus amigos e disse baixinho: “Não sei o que está errado com os homens. Algo precisa ser feito a respeito deles”.
Andrew Harding
Correspondente da BBC News na África