- Alguns números sobre a violência contra as mulheres no mundo
- Custos intangíveis da violência contra as mulheres na América Latina e Caribe (BID, 2013)
- Violência doméstica contra mulheres é prática “generalizada” na União Europeia (EBC – 23/11/2012)
- Em muitos países, 25% ou mais acham justificável um homem bater na esposa
- Registros de violência contra a mulher na Índia aumentaram mais de 7%
- O que há por trás da alta taxa de estupro na Suécia? (BBC Brasil – 18/09/2012)
- O alto custo da violência de gênero na economia, por Rebeca Tavares
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Dados mundiais sobre a violência contra as mulheres
Dados nacionais sobre violência contra a mulher
Dados nacionais sobre violência contra a mulher
Entre 1980 e 2010 foram assassinadas mais de 92 mil mulheres no Brasil, 43,7 mil somente na última década. Segundo o Mapa da Violência 2012 divulgado pelo Instituto Sangari, o número de mortes nesse período passou de 1.353 para 4.465, que representa um aumento de 230%. Já o Mapa da Violência 2013: Homicídios e Juventude no Brasil revela que, de 2001 a 2011, o índice de homicídios de mulheres aumentou 17,2%, com a morte de mais de 48 mil brasileiras nesse período. Só em 2011 mais de 4,5 mil mulheres foram assassinadas no país.
“O crescimento efetivo acontece até o ano de 1996, período que as taxas de homicídio feminino duplicam, passando de 2,3 para 4,6 homicídios para cada 100 mil mulheres [veja gráfico acima]. A partir desse ano, e até 2006, as taxas permanecem estabilizadas, com tendência de queda, em torno de 4,5 homicídios para cada 100 mil mulheres. No primeiro ano de vigência efetiva da lei Maria da Penha, 2007, as taxas experimentam um leve decréscimo, voltando imediatamente a crescer de forma rápida até o ano 2010, último dado atualmente disponível, igualando o máximo patamar já observado no país: o de 1996.”
De janeiro a junho deste ano, o Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher, da SPM, atingiu 306.201 registros: 53% do público chegou ao serviço por divulgação na mídia. Tráfico de mulheres teve aumento de 1.547% das denúncias, na comparação com o primeiro semestre de 2012. Lei Maria da Penha alcançou mais de 470 mil pedidos de informação, de 2006 a 2013.
Em 2011, o Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, registrou que 37.717 mulheres, entre 20 e 59 anos foram vítimas de algum tipo de violência no Brasil. Entre as principais agressões notificadas, se destaca a física, com 78,2%, seguida por violência psicológica (32,2%) e sexual (7,5%). A maioria das agressões ocorre dentro da própria residência (60,4%) e os homens com os quais elas se relacionam ou se relacionaram são os principais agressores (41,2% dos casos).
- Alguns números sobre a violência contra as mulheres no Brasil
- Ligue 180 tem mais de 300 mil registros e é acessado por 56% dos municípios brasileiros
- Casos de estupros cresceram 18% no país (7º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 2013)
- Percepção da sociedade sobre violência e assassinatos de mulheres (Data Popular/Instituto Patrícia Galvão, 2013)
- Percepções dos Homens sobre a Violência Doméstica contra a Mulher ( Instituto Avon/Data Popular, 2013)
- Pesquisa do Ipea sobre assassinatos de mulheres destaca necessidade de tipificação penal para o feminicídio
- Mapa da Violência 2013: Homicídios e Juventude no Brasil – estudo aponta que mulheres jovens foram principais vítimas de assassinato
- Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher: Dados Consolidados 2012 (SPM-PR)
- Dossiê Mulher 2013 (ano-base 2012) (ISP/RJ, 2013)
- Pesquisa Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (DataSenado, 2013)
- A Atuação do Poder Judiciário na Aplicação da Lei Maria da Penha (DPJ/CNJ, 2013)
- Mapa da Violência 2012 – atualização: Homicídio de Mulheres no Brasil
- Mapa da Violência 2013 – Espírito Santo registra os níveis mais elevados de vítimas de armas de fogo do sexo feminino
- Mapa da Violência 2012 – Com dados sobre homicídios de mulheres no Brasil (Instituto Sangari, abril de 2012)
- Notificações dos casos de violência contra a mulher atendidos no sistema de saúde (Ministério da Saúde)
- Dossiê Mulher 2012 (ano-base 2011) (ISP/RJ, 2012)
- Violência contra as Mulheres no Anuário das Mulheres Brasileiras (DIEESE/SPM-PR, 2011)
- Pesquisa do CNJ revela que procedimentos instaurados pela Lei Maria da Penha cresceram mais de 100% (Agência CNJ – 25/04/2012)
- Análise das Ocorrências Registradas pelas Polícias Civis (SINESPJC, jan/2004 a dez/2005)
- Pesquisa DataSenado sobre Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (2011)
- SUS atende 2,5 vezes mais mulheres vítimas de violência do que homens; gastos superam R$ 5 milhões em internações
Dados e estatísticas sobre violência contra as mulheres
Dados e estatísticas sobre violência contra as mulheres
No mês em que a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) completou sete anos, pesquisa apoiada pela Campanha Compromisso e Atitude, em parceria com aSecretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, revela:
98% da população brasileira já ouviu falar na Lei Maria da Penha e 70% consideram que a mulher sofre mais violência dentro de casa do que em espaços públicos no Brasil.
Entre janeiro e junho de 2013, A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 contabilizou 306.201 registros, ampliando para 3.364.633 o total de atendimentos computados desde sua implantação, em janeiro de 2006. Saiba mais
Veja mais
Fonte: Site Compromisso e Atitude
Violência contra a Mulher - Convenções e tratados internacionais
Convenções e tratados internacionais
O Estado brasileiro é signatário de todos os acordos internacionais que asseguram de forma direta ou indireta os direitos humanos das mulheres bem como a eliminação de todas as formas de discriminação e violência baseadas no gênero.
Nesta seção podem ser encontradas as principais convenções e tratados internacionais aos quais o governo brasileiro aderiu e que apresentam conceitos e recomendações sobre a erradicação de qualquer forma de discriminação e violência contra as mulheres.
- Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher (Convenção de Belém do Pará, 1994)
- Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW, 1979) – promulgada pelo Decreto nº 89.460, de 20/03/1984
- Observações e recomendações do Comitê CEDAW sobre o Relatório do Brasil (fevereiro 2012)
- Recomendación General nº 19, adoptada por el Comité para la Eliminación de la Discriminación contra la Mujer (CEDAW, 1992)
- Relatório: Acceso a la justicia para las mujeres víctimas de violencia en las Américas (CIDH/OEA, 2007)
- Declaração Universal dos Direitos Humanos (adotada e proclamada pela Resolução nº 217 A (III), da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10/12/1948)
- Declaração e Plataforma de Ação da 4ª Conferência Mundial sobre a Mulher (Pequim, 1995)
- Protocolo de Palermo (relativo ao tráfico de pessoas, em especial mulheres e crianças) – promulgado pelo Decreto nº 5.017, de 12/03/2004
- Pacto de São José da Costa Rica (ou Convenção Americana sobre Direitos Humanos) – promulgado pelo Decreto nº 678, de 06/11/1992
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Legislação sobre violência contra as mulheres no Brasil
Legislação sobre violência contra as mulheres no Brasil
Embora o Brasil tenha sido um dos últimos países na América Latina a aprovar uma legislação especial introduzindo no cenário normativo nacional uma lei para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, a Lei nº 11.340/2006 – popularmente conhecida como Lei Maria da Penha – foi considerada em 2012 pela Organização das Nações Unidas (ONU), a terceira melhor lei do mundo no combate à violência doméstica, perdendo apenas para Espanha e Chile.
Mas, além da Lei nº 11.340, a violência contra as mulheres também é objeto de muitos outros instrumentos normativos no país. Um exemplo são os Decretos que promulgam as convenções internacionais das quais o governo brasileiro é signatário e que, após aprovadas pelo Congresso e sancionadas pela Presidência da República, passam a fazer parte do ordenamento jurídico nacional.
- Lei nº 11.340, de 07/08/2006 – Lei Maria da Penha, cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher
- Lei nº 10.778, de 24/11/2003 – Lei da Notificação Compulsória dos casos de violência contra a mulher que forem atendidos em serviço de saúde pública ou privada
- Lei nº 12.845, de 01/08/2013 – Dispõe sobre o atendimento obrigatório e integral de pessoas em situação de violência sexual
- Código Penal Brasileiro – Decreto-Lei nº 2.848, de 07/12/1940
- Constituição Federal, parág. 8º/art. 226 – Dispõe que o Estado criará mecanismos para coibir a violência no âmbito das relações familiares
- Lei Orgânica da Defensoria Pública (Lei Complementar nº 80, de 12/01/1994)
- Decreto nº 7.958, de 13/03/2013 – estabelece diretrizes para o atendimento às vítimas de violência sexual pelos profissionais de segurança pública e da rede de atendimento do Sistema Único de Saúde
- Decreto nº 7.393, de 15/12/2010 – Dispõe sobre o funcionamento do Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher
- Decreto nº 1.973, de 01/08/1996, que promulgou a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, Belém do Pará, 09/06/1994)
- Decreto nº 89.460, de 20/03/1984, que promulgou a Convenção sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação Contra a Mulher/CEDAW, 1979)
- Decreto nº 5.017, de 12/03/2004, que promulgou o Protocolo de Palermo (Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional Relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em Especial Mulheres e Crianças)
- Decreto nº 678, de 06/11/1992, promulgou o Pacto de São José da Costa Rica (Convenção Americana sobre Direitos Humanos, de 22/11/1969)
Fonte: Site Compromisso e Atitude
Legislação sobre violência contra as mulheres no mundo
Desde o século passado, o dever dos Estados de promulgar e aplicar leis que proíbam e penalizem a violência contra as mulheres está claramente estabelecido em numerosas convenções, declarações e tratados internacionais.
Alguns países promulgaram leis que tratam em uma única peça de legislação vários tipos de violência: estupro conjugal, rapto, tráfico, exploração e abuso sexual, assédio sexual, femicídio e violência doméstica. Outras nações tratam cada crime individualmente e muitas vezes excluem vários deles de punição.
Em 2012 as Nações Unidas classificaram a Lei nº 11.340/2006 – a Lei Maria da Penha – como a terceira melhor lei do mundo no combate à violência doméstica, perdendo apenas para Espanha e Chile. Para entender o porquê:
Conheça a Ley Orgánica de Medidas de Protección Integral contra la Violencia de Género (España, 28/12/2004), em pdf (796 KB)
Veja a Ley n. 20.066, de Violencia Intrafamiliar, (Chile, 22/09/2005), em pdf (55,6 KB)
Ley nº 17.514 para Prevención, Detección Temprana, Atención y Erradicación de la Violencia Doméstica (Uruguay, julio de 2002)
La regulación de delito de femicidio/feminicidio en América Latina y el Caribe, de Ana Isabel Garita Vilchez
Handbook for Legislation on Violence against Women (UN, 2009) em pdf (818 KB)
Veja a Ley n. 20.066, de Violencia Intrafamiliar, (Chile, 22/09/2005), em pdf (55,6 KB)
Ley nº 17.514 para Prevención, Detección Temprana, Atención y Erradicación de la Violencia Doméstica (Uruguay, julio de 2002)
La regulación de delito de femicidio/feminicidio en América Latina y el Caribe, de Ana Isabel Garita Vilchez
Handbook for Legislation on Violence against Women (UN, 2009) em pdf (818 KB)
- Legislações da América Latina que penalizam o feminicídio
- Em muitos países, 25% ou mais acham justificável um homem bater na esposa
- Violência contra a mulher é tema principal da reunião de ministras e autoridades do Mercosul (Agência Brasil – 04/12/2012)
- Líderes mundiais debatem políticas de combate à violência contra mulher (Rádioagência Nacional – 28/11/2012)
- Portugal quer pulseira eletrônica para proteger mulheres (Consultor Jurídico – 27/11/2012)
- Cultura patriarcal avaliza violência sexual contra meninas no Chile (IPS – 27/11/2012)
- Violência doméstica contra mulheres é prática “generalizada” na União Europeia (EBC – 23/11/2012)
- Cúpula Ibero-Americana endossa esforços contra feminicídios (Exame – 16/11/2012)
- Em Macau, violência doméstica não vai ser crime público. Proposta de lei muda de nome e atrasa-se (Hoje Macau – 04/10/2012)
- O que há por trás da alta taxa de estupro na Suécia? (BBC Brasil – 18/09/2012)
- Assassinatos de mulheres chocam a Argentina; Congresso debate inclusão do crime de “feminicídio” no Código Penal (UOL/AFP – 31/08/2012)
Fonte: Site Compromisso e Atitude
Legislação sobre violência contra as mulheres
Legislação sobre violência contra as mulheres
Data: 19/08/2012 - 12:19 PM
A Justiça ainda está fora do alcance de milhões de mulheres no mundo, diz a ONU
♦ Embora a violência doméstica seja hoje proibida em 125 países, 603 milhões de mulheres ainda vivem em nações onde esta forma de violência não é considerada crime.
♦ Até 2011, 52 países haviam criminalizado o estupro conjugal; contudo, mais de 2,6 milhões de mulheres vivem em países onde essa forma de violência não foi ainda explicitamente definida como crime.
♦ As leis baseadas nos costumes ou na religião, que coexistem com as leis do Estado, muitas vezes restringem os direitos das mulheres. Um exemplo é o direito das mulheres na família, em relação ao casamento, divórcio ou ao direito de herdar propriedade.
A ONU assinala que as leis, quando empregadas adequadamente, estabelecem as bases para a mudança de atitudes e da situação da mulher na sociedade.
Segundo o relatório publicado pela ONU, foram registrados vários progressos em relação aos direitos das mulheres graças aos esforços individuais, da sociedade civil e dos governos para o empoderamento econômico e político das mulheres. Mudanças nas legislações, incluindo as garantias de igualdade de remuneração e a adoção de cotas parlamentares, garantem que as mulheres conheçam seus direitos e possam exigi-los.
O documento cita como exemplo histórico que contribuiu par acelerar a reforma das leis e a mudança de atitudes o caso da brasileira Maria da Penha Maia Fernandes, que sofreu duas tentativas de assassinato por parte de seu marido: a primeira por arma de fogo, que a deixou paraplégica, e a segunda por meio de eletrocução e afogamento. Maria da Penha Ela recorreu à Corte Interamericana de Direitos Humanos, o que contribuiu para a adoção de uma legislação mais forte no Brasil contra a violência doméstica, simbolicamente chamada de Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006).
Via o site Compromisso e Atitude
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Jurisprudência da Lei Maria da Penha
Jurisprudência
Data: 26/02/2012 - 04:47 PM
Desde que a Lei nº 11.340 (também conhecida como Lei Maria da Penha) foi promulgada, em 7 de agosto de 2006, alguns pontos de seu texto têm sido objeto de interpretações divergentes, que têm requerido os julgamentos de instâncias superiores para dirimir dúvidas e orientar os operadores do Direito na correta aplicação da Lei.
Elaborada a partir da necessidade de dar um novo tratamento ao crime de violência doméstica contra a mulher, a Lei Maria da Penha introduziu uma série de inovações, entre elas:
- a criação de juizados especializados em violência doméstica;
- a previsão de medidas protetivas;
- o aumento da pena para o delito de lesões corporais quando a vítima for mulher;
- a proibição da transação penal e de outras medidas previstas pelos juizados especiais criminais (Lei nº 9.099/1995).
A partir dessas inovações, foi registrada uma grande diversidade de entendimento por parte dos membros do Judiciário a respeito da aplicação dessas novas previsões legais. As principais polêmicas levantadas sobre a aplicação da Lei diziam respeito:
- à constitucionalidade da Lei Maria da Penha;
- à aplicação do instituto da Suspensão Condicional do Processo previsto na Lei nº 9.099/1995;
- à possibilidade de renúncia ou retratação da vítima à representação.
Decisões
Após levantamento das decisões dos tribunais, foi possível identificar as principais tendências interpretativas que vêm caracterizando a aplicação da Lei nº 11.340/2006 no âmbito do Poder Judiciário brasileiro, bem como os argumentos utilizados para sustentar essas decisões.
- Decisões do STF (Supremo Tribunal Federal)
- Decisões do STJ (Superior Tribunal de Justiça)
- Decisões de Tribunais de Justiça
Fonte: Compromisso e Atitude
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