segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O Grito de Ana em Contos e Crônicas. Novo Blog!!!


O Grito de Ana em Contos e Crônicas é um novo blog, uma nova idéia, porém, com textos escritos em forma de contos e crônicas.


A finalidade é a mesma: fazer com que o grito das centenas de Ana´s que são vítimas de toda forma de violência contra a mulher seja escutado!!


Vizitem O Grito de Ana em Contos e Crônicas, deixem seu recado, perticipem!!


Meninas morrem violentadas!! Elas gritaram também!!


Meninas mortas com sinais de abusos sexuais. Três meninas mortas. O mesma violência. Essa foi a mesma violência ceifou a vida de Ana Carlina de Menezes, uma mulher. Quantas outras poderão ser evitadas? O grito das Ana´s que ainda estão vivas necessita ser escutado...



Garota é encontrada morta com sinais de violência sexual em Curitiba


Suspeito da morte estava dormindo embaixo da cama da menina.Corpo tem sinais de estrangulamento e de violência sexual, diz polícia.


Uma menina de 9 anos foi encontrada morta em sua casa, no bairro Atuba, em Curitiba (PR), na madrugada deste domingo (16). O corpo da criança tinha marcas de estrangulamento e de violência sexual, de acordo com informações da Polícia Civil. Por volta da 0h de domingo, ao chegar em casa, a mãe da garota ouviu roncos vindos do quarto da filha. No local, encontrou a menina desfalecida e o suspeito dormindo embaixo da cama. Ele saiu pela janela, mas não conseguiu fugir, sendo alvo de agressão pelos vizinhos.
O suspeito foi internado no hospital Cajuru em estado grave. De acordo com a polícia, ele é foragido da Colônia Penal Agrícola de Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, e responde por dois crimes. A Polícia Civil informa ainda que o flagrante já está oficializado e que o suspeito será encaminhado à delegacia assim que receber alta do hospital. O corpo da menina está no Instituto Médico Legal de Curitiba.

Violência contra crianças
Se confirmado o caráter de violência sexual da menina, este será o terceiro crime desta natureza no Paraná em menos de um mês. No dia 5 de novembro, o corpo de uma menina de 9 anos foi encontrado dentro de uma mala na rodoviária de Curitiba. Rachel Maria Lobo foi vítima de estrangulamento e violência sexual.

Na terça-feira (11), foi enterrada uma menina de 8 anos encontrada morta em um matagal na cidade de Castro. Segundo exames do IML, ela foi vítima de traumatismo craniano e abuso sexual.

Uma resposta para o grito de Ana


O aumento da pena é válida mas deve ser resepeitada e se fazer valer. Os criminosos devem realmente ser presos e permanecer presos.



Lei que aumenta penas para crimes sexuais entra em vigor


Lula sancionou nova lei na sexta (7) e DOU publicou nesta segunda (10).Gravidez e DST podem ser agravantes; tráfico sexual tem pena específica.


Começa a valer nesta segunda-feira (10) a lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última sexta-feira (7), que estabelece penas maiores para crimes sexuais como pedofilia, assédio sexual contra menores e estupro seguido de morte, além de tipificar o crime de tráfico de pessoas. A nova lei foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta segunda-feira (10). A partir de agora, todos os crimes sexuais que constam na lei podem sofrer aumento de 50% da pena quando o ato resultar em gravidez. Quando o autor - que saberia ou deveria saber que possui uma doença sexualmente transmissível - transmitir a mesma à vítima, sua pena pode aumentar de um sexto até metade da pena prevista. O crime de estupro contra maiores de 18 anos continua com pena prevista de seis a dez anos. Mas quando o ato for contra pessoas entre 14 e 18 anos, a pena passa a ser de oito a 12 anos. Se o estupro resultar em morte, o acusado pode pegar de 12 a 30 anos de cadeia. A violação sexual mediante fraude pode resultar em dois a seis anos de prisão e é passível também de multa se houver interesse econômico na prática do crime. Pessoas menores de 14 anos ou que, por qualquer motivo, não podem oferecer resistência, são caracterizadas como vulneráveis, e o crime de estupro contra estas tem pena maior, que vai de oito a 15 anos. Se o ato resultar em morte, o período de cadeia também pode chegar a 30 anos.

Para o assédio sexual, a pena de um a dois anos agora pode ser aumentada em até um terço quando a vítima for menor de 18 anos. Quanto ao favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual, a pena varia de dois a oito anos.
Tráfico
O tráfico de pessoas para exploração sexual, tanto para o exterior quanto de estrangeiros para o território nacional, gera pena de três a oito anos e pode ser aumentada em 50% quando há participação de quem tem o dever de proteger ou cuidar da vítima. O aumento também pode ocorrer quando a vítima é menor de idade ou deficiente mental ou quando há o uso de violência, ameaça ou fraude.

O crime também é passível de multa. Quando o tráfico de pessoas é dentro do território nacional, o acusado pode pegar de dois a seis anos de prisão e as mesmas regras para o possível aumento de 50% do tempo se aplicam.


O grito de Ana sendo estudado pela Unesco e a Universidade Cândido Mendes











O Blog "O Grito de Ana" esta sendo pesquisado pela Unesco no Brasil e o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes (CESeC) no contexto do fenômeno da "blogosfera policial".


O objetivo desse simples blog é justamente esse, dizer às pessoas que a cada dia em qualquer lugar do globo, mulheres como Ana Carolina de todas as classes sociais, religiões, níveis de escolaridade, cor e tamanho são vítimas de violência de gênero, em especial a doméstica.


Ana Carolina foi morta, mas o grito dela está na pesquisa da Unesco e Universidade Cândido Mendes. A função desse blog é essa:
"fazer ser escutado o grito de Ana"


Confira a matéria abaixo:

UNESCO e CESeC estudarão blogosfera policial
Parceria avaliará papel de blogs no debate sobre segurança pública



Brasília, 20/3/2009 – A Representação da Unesco no Brasil e o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes (CESeC) firmaram parceria para a realização de pesquisa sobre a produção, quantidade, conteúdo e impacto dos blogs especializados em segurança pública. A investigação será o primeiro estudo em profundidade sobre a mais recente e relevante tendência na cobertura de politicas de segurança, polícia e criminalidade.
A pesquisa incluirá levantamento e análise de blogs, entrevistas com policiais blogueiros e jornalistas e a realização de debates. Um deles ocorrerá no II Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em Vitória, de 1 a 3 de abril. Pouco antes, no dia 27 de março, um painel e uma oficina sobre o uso de novas mídias na cobertura da criminalidade integrarão o Seminário Internacional sobre Mídia e Violência, organizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro pelas embaixadas do Canadá e dos Estados Unidos, em parceria com a UNESCO no Brasil.
Apesar de sua breve história nas comunicações – acredita-se que o primeiro diário virtual surgiu em 1993, nos EUA – os blogs hoje são uma das grandes fontes de informação e entretenimento no mundo. Estudo divulgado em 2008 pelo site Technorati, que monitora a blogosfera em mais de 81 línguas, registrou a criação de mais de 133 milhões de blogs desde 2002. Vários deles estão entre os principais veículos da Web. Dos dez maiores sites de entretenimento americanos, quatro são blogs. No Brasil, os blogs surgiram em 1998. Em 2005, foram criados os primeiros conteúdos sobre segurança pública e criminalidade. Desde então, as páginas dedicadas a estes temas cresceram em ritmo acelerado e com uma particularidade: a maior parte delas é assinada por policiais civis e militares. Levantamento recente feito pelo blog Abordagem Policial identificou 59 páginas produzidas exclusivamente por policiais de 14 estados brasileiros.


Fonte:

domingo, 9 de agosto de 2009

A tecnologia do GPS a serviço da vida de Ana na Itália



Italianas vão receber aparelhos de GPS para evitar estupros - BBC Brasil 20/02/09
Guilherme AquinoDe Milão para a BBC Brasil

Vão ser entregues cerca de 200 aparelhos na cidade de Monza
Cerca de 200 mulheres da cidade italiana de Monza vão ter aparelhos de GPS, batizados de "caixas rosas", instalados em seus veículos nas próximas semanas, em uma iniciativa da prefeitura local de evitar crimes sexuais.
Na realidade, se trata de um sistema antifurto que vai ser instalado gratuitamente nos veículos das mulheres e que elas vão poder acionar à distância, num raio de 150 metros do veículo.
O serviço irá funcionar 24h e alertar a patrulha mais próxima da área de onde partir o pedido de socorro.
A distribuição do aparelho tinha sido prevista inicialmente para dar maior segurança às mulheres que pudessem estar em dificuldades devido a um acidente rodoviário, por exemplo.
Mas, diante da atenção despertada por alguns casos de estupros, o aparelho ganha uma importância ainda maior e uma nova interpretação.
Vulneráveis
Monza tem cerca de 120 mil habitantes, 63% do sexo feminino. A seleção das candidatas para usar o equipamento segue a orientação do CADOM, o Centro de Ajuda de Mulheres Maltratadas, mas muitas preferem não revelar que foram vítimas de agressão.
"O maior problema é fazer com que o crime seja denunciado. Na maioria dos casos, a mulher tenta esquecer e até mesmo negar o estupro, a agressão física e psicológica", disse à BBC Brasil a secretária do Pares Oportunidades (órgão do governo destinado a fiscalizar a igualdade de oportunidades para ambos os sexos) de Monza, Martina Sassoli.
"Sabemos que a violência sexual acontece, principalmente dentro de casa, com maridos e companheiros de relações estáveis."
Tiveram preferência as mulheres que trabalham de noite ou durante a madrugada e vítimas que já denunciaram agressões ou viveram ou vivem situações de risco de abuso sexual, ameaças e perseguição por parte de ex-companheiros ou desconhecidos.
Outras grandes cidades italianas também pretendem adotar a medida.
A prefeitura de Milão anunciou a distribuição de mil aparelhos de GPS. Eles vão ser doados para moradoras de quarteirões com maiores índices de criminalidade e instalados de graça. As mulheres irão ficar com o aparelho durante três anos.
"A mesma experiência vai ser repetida em Roma. Nos já tínhamos pensado nesta utilização contra a agressão sexual", disse Matteo Avico, diretor de comunicação da fundação Ania (ONG que promove a segurança rodoviária), que apresentou o projeto em 2007.
Pulseira
A experiência dos aparelhos de GPS colocados à disposição das proprietárias de veículos pode minimizar o problema, mas as mulheres que não possuem carros ainda continuam sem opção de proteção.
"A minha grande preocupação também é com as mulheres que usam os transportes públicos, caminham a pé e que precisam de segurança. Estamos estudando uma parceria para dar a elas um instrumento de ajuda eficaz", disse Martina Sassoli.
Uma das hipóteses é o uso de uma sofisticada pulseira com um chip embutido. A emissão dos sinais começa quando a pessoa aciona um dispositivo que, por sua vez, acende o radiotransmissor preso ao corpo ou dentro da bolsa, ao alcance da mão. O S.O.S. chegaria diretamente à central de polícia.
Alguns casos recentes de estupros cometidos por imigrantes estrangeiros revoltaram a opinião pública e levaram o governo a lançar novas leis para coibir assédios sexuais.
Leia mais na BBC Brasil: Itália aprova decreto que endurece leis contra estupro
Embora a maior parte dos condenados ou denunciados por estupro sejam italianos, existe o temor de que os casos recentes aumentem a xenofobia no país.


---Publicado pela BBC Brasil 20/02/09.

17% das Ana´s gritam em silêncio dentro de suas casas....

Direto de São Paulo

Uma pesquisa sobre violência doméstica no Brasil trouxe um dado grave e inédito: 17% dos entrevistados acreditam que as mulheres não abandonam o companheiro agressor por medo de serem mortas com o fim da relação. Segundo a pesquisa, isso demonstra o "grau de vulnerabilidade" a que a mulher ainda está submetida no País, mesmo com leis como a Maria da Penha em vigor.
A titular da Secretaria Especial do Direito das Mulheres, ministra Nilcéia Freire, esteve presente na divulgação da pesquisa, em São Paulo. Segundo ela, a violência após o fim da relação reflete o sentimento de que o homem tem propridade sobre a mulher. "Muitos assassinatos acontecem quando a mulher decide por fim a uma situação de dominação", diz.
Segundo a pesquisa, no entanto, o principal motivo para a mulher não abandonar o parceiro ainda é a condição econômica, com 24% das opiniões, seguida por preocupação com os filhos, com 23%.
A ministra criticou a polícia, dizendo que muitas vezes os relatos de violência não são levados a sério nas delegacias e acabam encarados como "uma briga qualquer entre marido e mulher". "Nenhum poder está imune ao machismo. Ele está na polícia, no judiciário", disse.
A pesquisa do Instituto Avon/Ibope mostra ainda que 55% dos entrevistados conhece algum caso de violência doméstica. Pesquisa do Ibope realizada em 2006 pelo Instituto Patrícia Galvão indicava 51% para a mesma questão.
O estudo ouviu 2002 pessoas entre 12 e 17 de fevereiro de 2009. A amostra tem 52% de entrevistados do sexo feminino e 48% do masculino, todos com 16 anos ou mais.
Redação Terra
---Publicado pelo Portal Terra, 14/04/09.

Alcool e a vida e Ana, não combinam!!!




Novo estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), feito com 7 mil famílias em 108 cidades do Brasil, comprova que o álcool funciona como “combustível” da violência doméstica. Nas entrevistas feitas durante um ano, os pesquisadores identificaram que em quase metade das agressões que acontecem dentro de casa (49,8%) o autor das surras estava embriagado.
A relação entre bebida alcoólica e maus-tratos já era considerada pelos especialistas, mas a evidência científica foi comprovada nacionalmente só com o ensaio científico. A tolerância à agressão também é decifrada pela associação entre violência e álcool, afirma o autor da pesquisa da Unifesp, o psicólogo Arilton Fonseca. “É muito mais fácil perdoar quando o agressor bebeu. A vítima considera o álcool o culpado e não o violentador. Acredita que, quando sóbrio, a rotina de violência cessa.” Foi evidenciado ainda que violência impulsionada pela bebida alcoólica persiste por mais de 10 anos. Outro aspecto está em classes sociais. Dos agressores bêbados, 33% eram de classe média e 17%, de classe alta. Nos dados do Disque-Denúncia 180 - que recebe ligações de todo País sobre violência doméstica, foi apurado que 48,7% das vítimas agredidas não dependem economicamente do agressor, o que, para Aparecida Gonçalves, mostra que o dinheiro não é fator principal e exclusivo para que o ciclo de agressão seja perpetuado.A relação do álcool e o impulso para as agressões é fisiológica, explica o pesquisador do Departamento de Medicina Legal da Universidade de São Paulo (USP), Gabriel Andreuccetti. Segundo ele, a bebida etílica chega ao cérebro, aguça o sistema nervoso simpático, rebaixa a crítica e aumenta a agressividade.
A ressalva dos especialistas é que tanto violência doméstica quanto consumo de bebidas alcoólicas são fenômenos complexos. No geral, um funciona como fósforo aceso dentro de um barril de pólvora do outro. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".
Leia também:
Mulheres das classes média e alta perdem a vergonha e denunciam violência
Leia mais sobre: violência doméstica
---Publicado pelo Último Segundo, 15/06/09.
Fonte: http://www.violenciamulher.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1806:estudo-constata-que-alcool-move-violencia-domestica-ultimo-segundo-150609&catid=13:noticias&Itemid=7

As Ana´s podem estar denunciando mais....



Denúncias de estupro aumentam 125% no Rio - Agência Estado (SP) 28/07/09

As denúncias de estupro no Rio de Janeiro aumentaram 125% no primeiro semestre de 2009 em relação ao mesmo período do ano passado. Apenas neste ano já foram feitas 762 ligações ao Disque Denúncia com queixas e informações sobre esse tipo de crime. Em maio, as delegacias registraram 141 vítimas da violência sexual, um crescimento de 44% no número de mulheres estupradas em relação ao mesmo mês em 2008.
O Disque Denúncia é uma organização não-governamental (ONG) que recolhe denúncias anônimas e as repassa para os órgãos competentes. Pesquisadores da ONG acreditam que a situação é preocupante. No entanto, as autoridades policiais avaliam que o crescimento dos estupros está ligado à diminuição da subnotificação do crime, que ocorria no passado por falta de coragem das mulheres em denunciar os agressores à polícia.
De acordo com Michelle Jorge, gerente do Núcleo de Violência Doméstica Contra Mulher do Disque Denúncia, as queixas devem acender a luz vermelha para as autoridades. “Não é normal esse crescimento. As denúncias indicam que há uma difusão desse crime no Rio. Isso está confirmado pelo crescimento dos registros de ocorrências nas delegacias. O poder público deve identificar e punir os culpados e incrementar a rede de acolhimento às vítimas”, avaliou Michelle.
Menos subnotificação
As autoridades policiais, no entanto, negam que a violência aumentou e atribuem o crescimento do estupro a uma redução da subnotificação por causa da instalação das nove unidades da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM) pelo Estado e a conversões delas em modelo de Delegacia Legal. “O crime não aumentou. Os registros de ocorrência aumentaram, porque a mulher tem mais coragem para denunciar. Esse é um movimento que acontece desde a promulgação da Lei Maria da Penha e ocorre no País inteiro”, afirmou a delegada titular da Divisão de Polícia de Atendimento à Mulher, Marta Rocha. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (AE) ---Publicado pela Agência Estado (SP), 28/07/09.



"No passado, quem chegava à delegacia eram mulheres mais velhas, que apanhavam havia 20 anos dos maridos e tinham braços e pernas quebrados. Hoje, chegam jovens que vão morar com os rapazes muito cedo, independente de raça e classe social", conta a delegada Celi Paulino Carlota, responsável pela 1º Delegacia de Defesa da Mulher de São Paulo, localizada no centro da capital paulista.
A delegacia no centro de São Paulo foi criada em 1985. Celi dirige a unidade há dois anos, mas antes trabalhou por 16 anos na Delegacia da Mulher de Pirituba, zona norte de São Paulo. Ela acompanhou a criação da lei Maria da Penha (que ampliou o rigor na punição à violência contra a mulher) e as mudanças que vieram junto após a sanção, no dia 7 de agosto de 2006. "Quando a lei começou a vigorar, cresceu a procura por atendimento porque aumentou a divulgação. Depois, quando fizeram uma campanha que dizia que quem bate em mulher vai preso, caiu. Porque, na verdade, as mulheres não querem que os homens sejam presos, elas só querem que eles parem de machucá-las. Atualmente, a procura voltou a aumentar", diz a delegada. No ano passado, a Secretaria de Segurança Pública paulista registrou 91.128 ocorrências nas Delegacias de Defesa da Mulher, a maior parte de lesões corporais e ameaças. Criada para proteger as mulheres que são agredidas por pessoas com quem possuem uma forte relação afetiva -maridos, pais, namorados, irmãos-, a lei Maria da Penha aumentou a pena de lesão corporal leve em casos de violência doméstica para até três anos. Também tirou a necessidade de a vítima manter a queixa contra o agressor durante o julgamento, criou juizados especiais e diminuiu o tempo entre a investigação policial e a decisão da Justiça. Tudo isso para permitir que os agressores sejam afastados das vítimas antes de as agressões se agravarem ainda mais e oferecer garantias suficientes para que estas mulheres rompam com a violência doméstica. "É muito difícil para estas mulheres denunciar os agressores", explica o psicólogo Cláudio Picazzo, especialista em violência doméstica e abuso sexual infantil. "E se ele te agredir novamente? E se a agressão for pior porque você o denunciou?", questiona. "Além disso, as pessoas que sofrem esse tipo de violência têm um vínculo de amor com o agressor. Às vezes, fantasiam que o problema é o álcool, que quando está sóbrio o cara é um anjo." "A violência doméstica é cíclica. A mulher passa por ciclos de violência e depois de convivência pacífica com o marido. Por isso, ela tem dificuldade em levar adiante o processo contra o agressor", explica Carolina Brambila Bega, coordenadora auxiliar do Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública de São Paulo. Ela estima que os defensores públicos paulistas atendam por mês cerca de 300 pessoas que procuram orientações sobre o assunto. Algumas procuram informações sobre o funcionamento da lei, outras são orientadas a levar os documentos necessários para dar início a uma ação. "Acontece muito de mulheres passarem no primeiro atendimento, passarem a documentação necessária para abrir o processo e depois não retornarem mais", lamenta Carolina. Além da procura às delegacias especializadas e à defensoria pública, a Lei Maria da Penha faz crescer anualmente a busca por informações pelo serviço telefônico da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, ligada à Presidência da República. Entre janeiro e junho deste ano, o serviço registrou 161.774 atendimentos -um aumento de 32,36% em relação aos 122.222 do mesmo período de 2008. Em 2007, foram 58.417 atendimentos no primeiro semestre. Em números absolutos, o Estado de São Paulo lidera a procura ao serviço, seguido pelo Rio de Janeiro e por Minas Gerais. A maior parte dos relatos é de violências cometidas pelos companheiros das vítimas. A principal reclamação é de violência física, mas também há casos de violência psicológica, moral, sexual e cárcere privado.Também foram criados 28 Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher no país, mas não em todos os Estados, segundo Pedro Ferreira, coordenador da central de atendimento à mulher da secretaria espacial. Mais 38 varas da Justiça funcionam de forma adaptada. O alcance ainda é restrito e, enquanto não são criados novos juizados, as varas criminais são responsáveis pelos processos de violência doméstica contra as mulheres. "O problema é que a vara criminal só tem competência para julgar o crime, mas esses casos envolvem questões cíveis também. O juizado especializado trata dos dois. Sem ele, a mulher não consegue resolver tudo de uma vez, tem de procurar uma vara cível depois", explica Ferreira. As varas cíveis podem arbitrar separações e divórcios e definir a guarda dos filhos e a pensão alimentícia, por exemplo.Apoio à vítimaQuem trabalha com as vítimas diz que a violência doméstica não se restringe a classe social, mas que a necessidade de serviços de apoio pode variar."A vítima pode ser uma dona de casa sem recursos ou uma profissional de classe média alta, com curso superior. A diferença é que as donas de casa acabam dependendo mais da rede de apoio", diz Ana Galati, coordedora geral de suas casas-abrigo administradas pelo Coletivo Feminista de Sexualidade e Saúde, de São Paulo. Segundo ela, as mulheres que vão para os abrigos são as mais vulneráveis, que em geral correm risco de morte ou de sofrer violência ainda mais forte ao voltar para suas casas. Elas chegam aos locais em sigilo -os endereços dos locais onde são acomodadas não são divulgados nem às famílias e, caso precisem entrar em contato com os parentes, usam um telefone que não pode ser rastreado. Quando têm filhos, levam eles junto. A avaliação da necessidade de ir para um abrigo é feito por psicólogos e assistentes sociais nos centros de referências à mulher, que oferecem também assistência jurídica e capacitação profissional.Avanços culturaisLideranças feministas avaliam que a Lei Maria da Penha passou a ser "muito conhecida e referenciada" dentro da sociedade brasileira, como diz Leila Linhares Barsted, advogada e coordenadora executiva da ONG Cepia, com sede no Rio de Janeiro. No entanto, identificam focos de resistência a existência de legislação específica para combater a violência doméstica contra a mulher. Myllena Calasans, advogada e assessora técnica do CFemea (Centro Feminista de Estudos e Assessoria) diz que a lei "tem encontrado resistência no sistema de Justiça". "Há decisões conflitantes no Judiciário sobre a constitucionalidade da lei, aplicação dos dispositivos em favor de homens, demonização. Tem quem diga que a lei fere o princípio da igualdade de gêneros, mas ela veio para fazer dessa igualdade uma realidade." No mês passado, um juiz do Rio Grande do Sul usou uma analogia para determinar medidas de proteção a um homem que dizia que sua ex-mulher "o perturbava". No ano passado, houve um caso semelhante no Mato Grosso. Para Leila Barsted, a aplicação é errada. "Acho que o juiz [que aplica a Maria da Penha para proteger homens de agressões] desvirtua o sentido da lei. A violência contra a mulher é um fenômeno social, ela é cometida pelo fato de a vítima ser mulher", diz. "Uma mulher que é vítima de violência doméstica pode demorar 15 ou 20 anos para romper o ciclo. Em uma relação dessas, ela não está no mesmo patamar de igualdade que homem", opina Myllena.As duas ativistas dizem acreditar que o principal entrave para o combate à violência contra as mulheres é que muita gente ainda acredita em relações hierárquicas entre homem e mulher, principalmente quando colocam o homem como o provedor. O psicólogo Cláudio Picazzo faz ainda outro alerta: "Ainda temos uma educação errada, existe a ideia de que se papai te bate é porque te ama".
Quem é Maria da Penha?

A lei Maria da Penha homenageia a bioquímica Maria da Penha Maia Fernandes, que era agredida metodicamente e foi vítima de pelo menos duas tentativas de assassinato por parte de seu marido -uma delas a deixou paraplégica. O caso chegou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos em 1998 como denúncia de que o Brasil seria tolerante com a violência contra a mulher. Após análise, o órgão sugeriu formalmente ao Brasil reformar sua legislação de modo a dar maior apoio às mulheres vítimas de agressão - uma mudança que nasceu sob a forma da lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006.
Silvana SallesDo UOL NotíciasEm São Paulo
---Publicado por UOL Notícias (SP), 07/08/09.

Aumenta o número de pessoas que estão escutando o grito de Ana em São Paulo



Hoje, a Lei Maria da Penha, que aumentou o rigor das punições contra quem comete violência doméstica, completa três anos. Um balanço divulgado ontem pela Secretaria Especial de Políticas mostra que a sociedade está cada vez mais engajada na luta contra esse tipo de crime. Instrumento de denúncia, a Central de Atendimento à Mulher, o ligue 180, registrou 161.774 atendimentos, de janeiro a junho deste ano, um volume 32,36% maior que o registrado no mesmo período de 2008. "A população mudou de comportamento. Ela está encarando a agressão como um crime, de fato", diz Aparecida Gonçalves, subsecretária de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. Quatro em cada dez brasileiros que conhecem uma mulher agredida tentam ajudar a vítima, segundo pesquisa realizada pelo Ibope e pelo Instituto Avon, no início de 2009. A ajuda nem sempre vem em forma de denúncia, mas também com orientação. "Isso ajuda a comprovar que o brasileiro está deixando de seguir um antigo ditado de que ?em briga de marido e mulher ninguém mete a colher?", diz Aparecida. São Paulo é o Estado campeão em denúncias, com 54.137 atendimentos, que equivalem a um terço do total nacional, de acordo com o relatório da secretaria. Em segundo lugar está o Rio, com 19.867 ligações, seguido por Minas, 11.056, e Bahia, 9.887. O último colocado, Roraima, aparece no ranking com 104 ligações. Apesar da evolução do panorama, ainda há muito por fazer. A qualidade do serviço prestado na delegacia é a principal queixa recebida pela Central de Atendimento à Mulher. "Muitos delegados ainda aconselham a mulher a não deixar o marido, dizem que é melhor com ele do que sem ele", diz a advogada Sônia Maria Nascimento, vice-presidente do Geledés Instituto da Mulher Negra. "É muito difícil convencer a vítima a ir à delegacia; e quando ela chega lá, não resolve nada."Se não bastassem a vergonha e a humilhação , a maioria das mulheres agredidas tem no máximo o ensino médio (55,5%), ou seja, pouca informação. "Muitas dependem financeiramente do marido", diz Sônia. "A agressão fez com que eu me isolasse cada vez mais na minha casa", conta a recepcionista Mônica Uchoa, de 40 anos, mãe de sete filhos, vítima de agressão do marido por 23 anos. "Acreditava que ele mudaria." A Lei Maria da Penha dá ferramentas para a formação de uma geração com outra mentalidade. "Meninas em idade escolar já falam da lei", comemora Aparecida.
---Publicado por O Estado de S.Paulo, 07/08/09.

Ana! Faça valer o seu direito!



Mais um triste e recorrente caso de violência contra a mulher ocorrida no Estado de São Paulo foi veiculado em rede nacional essa semana. O caso da jovem Marina Sanchez Garnero, 23, morta pelo ex-namorado que não aceitou o fim do relacionamento. Segunto relata a notícia, Marina estava sendo ameaçada pelo ex-namorado, Marcelo Travitzki Barbosa, 29, e chegou a registrar quatro boletins de ocorrência policial na Delegacia de Mulheres. Marina foi assassinada na recepção da academia em que trabalhava a tiros.
Marina, segundo a informação jornalística, se recusou a solicitar à Justiça as medidas de proteção preventiva que estão previstas na Lei Maria da Penha. Talvez se ela tivesse utilizado os benefícios desta lei ela não teria sido vitimada de forma tão cruel e covarde. A Lei Maria da Penha foi criada para proteger as mulheres que são vítimas de violência conjugal e também penalizar os autores. Portanto é necessário que cada mulher realmente conheça essa lei e caso seja vítima dessa violência conjugal, vá até uma Delegacia de Mulheres, ou uma Delegacia de Polícia comum em localidades onde não exista uma delegacia especializada em crimes contra a mulher, e registre a ocorrência e exiga da justiça todos os benefícios e medidas de proteção disponíveis. A Lei Maria da Penha existe para ser utilizada e somente utilizando-a é veremos na prática o que podemos melhorar na lei. Não basta saber que existe a lei, é importante que ela seja utilizada.
Marina conhecia a lei mas não a utilizou totalmente. Ela subjulgou a revolta do ex-namorado que, como consta na notícia, era "bêbado e drogado". Bebida e drogas são substâncias ativadoras dessa disposição que determinados homens tem de violentar suas mulheres. Marina, foi vítima do alcoolismo, do narcotráfico e da violência conjugal.
Mulheres, não olhem para Marina como mais um caso de violência doméstica. Olhem para essa jovem e lembrem que ainda existem muitas "Marinas" sendo violentadas, mortas, humilhadas e em muitos casos elas não conseguem pedir auxílio. Conheçam esse instrumento de proteção feito para você, conversem entre si, se informem com detalhes e sejam, cada uma de vocês, uma promotora dos Direitos Humanos das Mulheres e Meninas. Não esperem de um Estado que resolveu editar a Lei Maria da Penha sob pressão internacional.
Recepcionista morta em academia já havia registrado quatro ocorrências
Agência Estado
A recepcionista Marina Sanchez Garnero, de 23 anos, morta pelo ex-namorado Marcelo Travitzki Barbosa, de 29, já havia registrado quatro ocorrências de agressão contra ele. O casal teve uma história conturbada. No dia 28 de novembro, Marina registrou representação contra ele e afirmou que rompera porque Marcelo era “bêbado, drogado”. De acordo com o delegado-titular Jair Vicente, ele foi intimado e faltou. Seria convocado novamente. “Mas não deu tempo.Vicente explicou que dois dias antes de representar contra Marcelo, Marina registrou ocorrência na 9ª Delegacia da Mulher. Ela não quis se beneficiar da Lei Maria da Penha, onde a vítima pode solicitar medidas de proteção preventiva. Vicente explicou que os crimes de ameaça são considerados menos ofensivos. “Ficamos de mãos atadas”, disse o titular. Segundo o delegado, só juízes podem pedir medidas protetivas. “Isso costuma acontecer em casos de violência doméstica”.Dois meses atrás, a polícia havia instaurado inquérito por causa de denúncia da jovem contra Marcelo. Formado em Direito, ele se relacionou por quatro anos com Marina. Detido ontem, o rapaz confessou o crime. Marcelo estava em liberdade condicional de uma pena por assalto em 2005. Marcelo será transferido para um Centro de Detenção Provisório nesta sexta-feira.
fonte: http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_7/2009/01/09/em_noticia_interna,id_sessao=7&id_noticia=94739/em_noticia_interna.shtml

Proteger Ana é questão de Segurança Humana


Uma das características da violência contra a mulher é a universalidade e a agressividade. Mulheres são vitimadas em todo o globo das formas mais agressivas, para não dizer doentia em muitos casos. É uma violência que atravessa fronteiras, culturas, níveis sociais e graus de instrução. Cristiana é mais um caso dessa violência cruel e covarde, porém, com um final justo. O autor do assassinato da bela modelo será condenado. Cristiana foi morta em um flat, não no barraco, em uma área nobre, não na área de risco. Era modelo e tinha status, namorados ricos e uma vida confortável. Enquanto seu sorriso era estampado, sua alma era ferida pelas agressões físicas e psicológicas cometidas pelo seu ex-namorado, Reinaldo Pacífico de Oliveira Filho, 41, que não aceitou o fim do relacionamento.
Nos prédios e mansões também existem mulheres sofrendo com a agressão física, econômica, moral e psicológica. Condição social não paga o registro da dor de uma mulher agredida por um marido, namorado ou amante que por proporcionar conforto e luxo e se acha no direito de bater no rosto da sua companheira. Essas vítimas são as que possuem maior capacidade de reinvidicar a defesa dos seus direitos Humanos da Mulher e promover esses direitos em contribuir na construção de uma sociedade mais pacífica e justa. O conceito da Segurança Humana, atualmente debatido no mundo quando se fala em segurança, é amplo e universal. Segurança Humana aborda desde da violência doméstica ao aquecimento global. Somente por meio da conscientização de que é necessário uma mudança de atitude global com relação a criação de uma cultura da PAZ é que começaremos sentir mudanças nessa geração. Fomentar a paz e a mediação pacífica de conflitos em cada situação da vida cotidiana é dever de cada ser humano, razão pela qual chegamos ao limite de discutir a nossa SEGURANÇA HUMANA.
Detetive será julgado oito anos após morte de modelo em BH
Pedro Ferreira - Estado de Minas
Oito anos depois da morte da ex-modelo Cristiana Aparecida Ferreira, cujo corpo foi encontrado num apartamento do Hotel San Francisco Flat, no Bairro de Lourdes, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, o suspeito será julgado nesta sexta-feira pelo 1º Tribunal do Júri do Fórum Lafayette. O detetive particular Reinaldo Pacífico de Oliveira Filho, de 41 anos, teria asfixiado a ex-namorada por ciúmes e simulado um suicídio. A sessão do júri começa às 13h e será aberta ao público. O crime foi em agosto de 2000, no hotel da Avenida Álvares Cabral, onde a vítima se hospedou para um encontro com um suposto amante. De acordo com a denúncia oferecida à Justiça pelo Ministério Público, Reinaldo conheceu Cristiana em 1996 e namoraram até o ano seguinte. O detetive teria se apresentado à família dela como um juiz criminal, mas, aos poucos, segundo o processo, foi revelando o seu temperamento violento, possessivo, ciumento e dissimulado, motivo que levou Cristiana a abandoná-lo, pois vinha sendo agredida e ameaçada por ele. A vítima chegou a registrar queixa na polícia, mas o caso foi arquivado pelo Juizado Especial de Contagem, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Conforme o processo, Reinaldo passou a seguir os passos da vítima, vigiando-a o tempo todo. A ex-modelo, diz o processo, passou a se relacionar com “homens de elevado padrão financeiro e posição social”, o que teria alimentado a fúria do acusado.Emmanuel Pinheiro/EM/D.A. Press- 29/05/2003As investigações apontaram Reinaldo Pacífico como o principal suspeitoAs primeiras investigações da polícia concluíram que a morte foi um suicídio, mas não convenceram o Ministério Público, que resolver apurar diretamente o caso, acreditando que as diligências requeridas à Polícia Civil não foram devidamente atendidas. Um procedimento administrativo foi instaurado para complementar o inquérito, ouvindo familiares da ex-modelo, funcionários do hotel, empresários e políticos. A conclusão é de que Cristiana foi assassinada entre 4 e 5 de agosto de 2000, em horário não determinado. AmanteConsta no processo que a ex-modelo se hospedou no hotel no dia 3, com um suposto acompanhante que não foi identificado por funcionários do hotel. No dia seguinte, por volta das 14h, ela pediu para fechar a conta por telefone, mas não desceu, pois teria recebido a visita inesperada do detetive. Depois de matá-la por asfixia e agressão física, diz o processo, o acusado teria tentado “maquiar” o local do crime, para parecer que Cristiana havia se matado, ou incriminar um suposto amante da vítima. O promotor de Justiça Francisco de Assis Santiago havia pedido o adiamento do júri, mas não foi atendido pelo juiz presidente do 1º Tribunal, Carlos Henrique Perpétuo Braga. A alegação de Santiago é de que duas testemunhas de acusação, que desde a época do crime são atendidas pelo Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (Provita) e estão morando fora de Belo Horizonte, não podem comparecer à sessão desta sexta-feira. A defensora do acusado, Eunice Batista da Rocha Filha, não foi localizada. O júri já foi adiado antes, por questões técnicas e processuais. Se condenado por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e emprego de asfixia como meio cruel, o ex-detetive pode pegar de 12 a 30 anos de prisão. Ele aguarda o julgamento em liberdade.
Fonte:http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_2/2009/01/09/em_noticia_interna,id_sessao=2&id_noticia=94727/em_noticia_interna.shtml

Dados da UNIFEM


Violência Doméstica inclui violência física e sexual contra as mulheres no lar, no seio da família ou dentro de uma relação íntima. As mulheres estão em maior risco de sofrer violência nas relações íntimas do que em qualquer outro lugar. Em nenhum país do mundo estão as mulheres segura deste tipo de violência. Dos dez municípios pesquisados em 2005 um estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 50 por cento das mulheres em Bangladesh, Etiópia, Peru, Tanzânia e relataram ter sido vítimas de violência física ou sexual por parceiros íntimos, com valores atingindo 71 por cento nas zonas rurais Etiópia. Somente em um país (Japão) foi inferior a 20 por cento o prcentual das mulheres que relataram incidentes de violência doméstica. Um estudo anterior da OMS estima o número de mulheres maltratadas fisicamente por seus parceiros ou ex-companheiros em 30 por cento no Reino Unido, e 22 por cento nos Estados Unidos.
Num inquérito recente realizado pelo Instituto Americano sobre Violência Doméstica, 60 por cento dos altos executivos disseram que a violência doméstica limita participação das mulheres trabalho e tem um efeito negativo sobre a produtividade. O inquérito concluiu que as vítimas da violência doméstica perdem quase 8 milhões de dias de trabalho remunerado por ano - o equivalente a 32.000 empregos de tempo integral.
Baseado em várias pesquisas de todo o mundo, metade das mulheres que morrem anualmente vítimas de homicídio são mortas pelos seus atuais ou ex-maridos ou parceiros. As mulheres são assassinadas por pessoas que conhecem e morrem de violência armada, espancamentos e queimaduras, entre inúmeras outras formas de abuso. Um estudo realizado em São Paulo, Brasil, relatou que 13 por cento das mortes de mulheres em idade reprodutiva eram homicídios, dos quais 60 por cento foram cometidos pelos parceiros das vítimas .
De acordo com a UNIFEM um relatório sobre a violência contra as mulheres no Afeganistão, fora de 1.327 incidentes de violência contra as mulheres coletados entre janeiro de 2003 e Junho de 2005, 36 mulheres haviam sido mortos - em 16 casos (44,4 por cento) por seus parceiros íntimos. Segundo o secretário-geral do estudo aprofundado sobre todas as formas de violência contra as mulheres, até 2006, 89 Estados tiveram algum tipo de proibição legislativa sobre a violência doméstica, incluindo 60 Estados com leis específicas de violência doméstica, e um crescente número de países que tinham instituído planos nacionais de ação para pôr fim à violência contra as mulheres. Este é um claro aumento em comparação com 2003, quando UNIFEM fizeram uma varredura na legislação anti-violência e constatou que apenas 45 países tinham leis específicas sobre a violência doméstica.
Ainda altos níveis de violência contra as mulheres persistem. Existe claramente uma necessidade de maior incidência na implementação e cumprimento da legislação, e por fim leis que enfatizam o reagrupamento familiar ao longo dos direitos das mulheres e meninas. Limitada disponibilidade de serviços, o estigma que o medo impede as mulheres de procurarem assistência e reparação. Isto foi confirmado por um estudo publicado pela OMS em 2005: com base nos dados recolhidos a partir de 24.000 mulheres em 10 países, entre 55 por cento e 95 por cento das mulheres que tinham sido maltratadas fisicamente por seus parceiros e nunca tinham contactado ONGs, abrigos ou a polícia.
fonte: http://www.unifem.org/campaigns/vaw/facts_figures.php?page=2

sábado, 18 de julho de 2009

Mais um conto...

Ana Paula

O vaso branco com um rolo de papel higiênico estava no canto direito da imagem. O azulejo branco do chão parecia ser realmente novo como dizia a notícia. No canto esquerdo superior estava um chuveiro simples. Branco. Ao chão, um xampu e uma saboneteira com um sabonete. A foto era em preto e branco, mas dizia na legenda ser um quarto, um cômodo. Não tinha divisórias. Som ou televisão não se via na foto. O material das paredes não foi possível identificar. Ele servia para isolar o som.
Sentado na cadeira de madeira pesada e trabalhada eu aguardava ela chegar. Era um quarto de hotel. Numa cidade do interior de Minas Gerais. Um hotel rústico, antigo casarão. Típico das históricas cidades mineiras. Ela chegaria por volta das 23 horas.
O telefone toca em cima da pequena mesa quadrada e simples que fica no canto próximo à janela do quarto. É um aparelho antigo, preservado para compor a atmosfera poética das belas antiguidades. Inspirar aquela atmosfera era encontrar a poesia de tempo antigos que a história e a arte jamais desistem de preservar.
Me levanto após colocar o telefone no gancho e deixo o jornal com a foto em cima da pequena e velha mesa quadrada. Olho para a cama de casal. Arrumada, dois travesseiros grandes e duas cobertas grossas para me cobrir e me esconder do frio. As cobertas eram de fios grossos, seus desenhos eram quadriculados. Eram pesadas e quentes. Escutei seus passos se aproximando da porta bem cuidadosamente.
Eu estava longe da minha cidade e por alguns instantes larguei minha vida e casa para trás. Resolvi viajar e dormir em algum hotel de alguma cidade interior. Meu celular desliguei para não ser encontrado nessa noite. Apesar de estar na cidade natal do grande poeta Carlos Drummond de Andrade, naquele momento eu somente queria esquecer que no meu caminho havia uma pedra.
Era uma noite fria. Eu havia somente feito um lanche no refeitório. Um leite com café quente e um prato com dois pães de queijo e um pedaço de broa me caíram bem. Havia um casal no refeitório. Estavam alegres, eram jovens, pareciam ter seus vinte e poucos anos. Estavam animados com as descobertas poéticas que estavam fazendo dentro e foram do hotel.
Em seguida, após os passos terminarem eu abro a porta para ela. Seu rosto era belo, suave, seus olhos eram castanhos e sua pele clara e rosada. Seu cabelo castanho e ondulado estava amarrado. Seu “boa noite” me faz ser o mais gentil que poderia ser naquela noite. Pego o copo com água e os remédios que estava aguardando. Agradeço e a despeço respeitosamente.
Ana Paula deveria estar comigo. Se ela estivesse vindo eu não teria pedido o hotel para comprar um remédio para dormir. Talvez se eu não tivesse comprado o jornal, se eu não tivesse visto a foto, provavelmente eu não teria largado minha casa e vindo para o hotel. Minha consciência me tortura. A dor e culpa me fazem recriar o que nunca saberei como ao certo foi o sofrimento de Ana naquele quarto, sendo estuprada, dopada, surrada até não ter mais vida. A queimação arde em meu estômago junto com a ausência da única mulher que amei e desejei por ela tirar todas as pedras do nosso caminho que por toda minha vida encontrarmos.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Não importa a nacionalidade, elas estão morrendo em todo o mundo....

Assista ao vídeo no link abaixo:

Jamais encoste em Ana, a não ser para fazer um carinho...

Assista ao vídeo no link abaixo:

Homens que não agridem mais....


Assim como devemos aplaudir personalidades como Nicole Kidman e Nicolas Sarkozy e pessoas comuns que em algum momento de suas vidas decidiram fazer a diferença na vida de outras pessoas com as suas vidas, devemos elevar as boas ações como o programa "Andros" do Instituto Albam (http://www.albam.org.br/).


Criado em 1998, o Instituto Albam é uma organização não governamental e sem fins lucrativos que tem como missão promover a saúde mental e social com diversos programas sob o enfoque de gênero.


Cumprindo a sua missão, o Instituto Albam desenvolve o projeto "Andros" que tem como objetivo trabalhar com os homens que exercem violência contra a mulher, ou seja, os agressores. O programa trabalha com esses homens, por meio de encontros em grupo, temas como comunicação, responsabilização, gênero, afetividade e relacionamento interpessoal com o fim de evitar a reincidência da agressão.


Evitar a nova agressão na relação de gênero e recuperar o agressor levando-o a uma mudança de pensamento e atitude é contribuir para uma sociedade mais igualitária. É fortalecer a instituição familiar evitando a repetição de conceitos, pré-conceitos e atitudes destrutivas e opressoras que resulta na violência contra a mulher, em especial a violência doméstica.


Nicole Kidman, Emabaixadora da Boa Vontade da Unifem


Ganhadora do Oscar (2003), três prêmios Globo de Ouro (1995/2001/2002), uma indicação ao Globo de Ouro (2007), um prêmio da MTV Movie Awards e um prêmio Urso de Prata pelo Festival de Berlim, todos de melhos atriz, Nicole Kidman se dedica na luta contra a violência contra a mulher como Embaixadora da Boa Vontado do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem).


A partir de 2006 Nicole Kidman assumiu o papel de Embaixadora da Boa Vontade na luta contra a violência contra a mulher e a a favor da igualdade de gênero. Desde então a atriz tem apoiado com sua imagem os programas e ações da Unifem, em todo mundo, que promovam essa igualdade de gênero, erradiquem esse tipo de violência e sensibilize e conscientize as pessoas sobre os direitos humanos das mulheres.






sexta-feira, 3 de julho de 2009

Suzana e Ana Carolina

Esse conto foi uma criação inspirada no caso de Ana Carolina , a mulher e mais uma vítima da violência que inspirou a criação desse blog. sua história está nos arquivos desse blog do mês de julho entitulado "Ana Carolina, a origem do blog". Esse texto é uma criação e não se assemelha à brutalidade cometida à Ana Carolina. è mais uma forma de lembrar do "Grito de Ana".
Suzana e Ana Carolina

Seu rosto estava inchado. Seus olhos avermelhados pelo impacto. A faixa estava envolvia sua cabeça a partir do seu queixo. A panela estava fazia na sua casa quando ele chegou do trabalho. Ana Carolina era uma mulher que sonhou em se casar, estudou, formou-se na faculdade de arquitetura e trabalhava como decoradora. Com seus 32 anos era independente financeiramente e emocionalmente. Seu marido era empresário, tinha uma consercionária de carros importados.
Ana Carolina e Filipe se casaram na igreja e a festa de casamento foi a notícia na capital mineira. Ana Carolina, como uma típica mineira belorizontina, era vaidosa, prendada, tradicional, cheia de graça e simpatia pela vida. Seus cabelos castanhos se espalhavam na agitação da torcida pelo seu time no Mineirão. A bela e tradicional mineirinha já era uma mulher que estava realizando seu sonho de casar e cuidar do seu amado. Aos 25 anos ela se casou com Filipe.
Filipe, 30 também era mineiro, mas diferente de Ana Carolina que veio de uma família de funcionários públicos de classe média, seus pais eram ricos empresários do ramo imobiliário. Filipe viajou o mundo, fez o tão sonhado intercâmbio cultural nos Estados Unidos, conheceu a Disney, estudou nas melhores e mais caras escolas e se formou em administração de empresas tendo recebido do pai o investimento necessário para abrir a concessionária de veículos importados.
Fábio e Suzana acordaram com a chegada de Ana Carolina e Filipe. Fábio era vizinho de porta de Filipe. A parede da sua sala dividia os dois apartamentos que eram no sétimo andar de um prédio de luxo do bairro Funcionários. Filipe falava palavrões e gritava muito. Ana Carolina tentava contê-lo em vão. Eles haviam chegado da balada e Filipe estava bêbado e agressivo. Suzana se assustava com os chutes que Filipe dava na porta de seu apartamento enquanto Ana Carolina, amedrontada tentava pegar as chaves pedindo para ele parar.
Fábio se levanta, troca de roupa e destranca a sua porta, mas não abre. Suzana chora e em silêncio senta no sofá da sala. Coloca suas mãos em seu rosto e seus sentimentos se misturam em entre a revolta, a vergonha e a dor. Suzana não voltaria mais a dormir naquela noite.
Ana Carolina abre a porta e entra na frente de Filipe para deixar a sua bolsa e retornar para ajudá-lo a entrar. No instante que ela entra, seu esposo entra atrás e chuta suas costas fazendo com que ela caia e bata seu rosto na mesa de centro da sala. Filipe, tomado por uma fúria e descontrolado ignora os gritos de desespero de sua esposa e chuta seu corpo já caído. Desfere socos contra seu rosto entre um xingamento e outro.
Ao perceber a intensidade e gravidade da situação, Fábio abre sua porta e entra no apartamento de Ana e Filipe. A polícia recebe uma ligação de emergência. Os vizinhos estão acordados. Fábio é levado preso.
O policial militar entrega a ocorrência na delegacia e apresenta Fábio na presença do delegado. No boletim de ocorrência constava o relato do fato pela versão de Fábio e de sua vizinha do andar de baixo como testemunha.
Em depoimento Fábio diz:
“Eu e minha esposa estávamos dormindo quando acordamos com o barulho que Filipe fazia. Eles pareciam estar chegando de alguma festa. Era por volta das 03h20 da madrugada. Não foi a primeira vez que escutamos eles brigarem e ele agredir ela. Mas dessa vez parecia ser pior. Pelas discussões Filipe parecia ser muito ciumento por que Ana era muito bonita. O nosso contato era somente nas reuniões de condomínio e as vezes entre uma festinha e outra do conjunto. Ana sempre muito reservada e centrada não era muito de dar espaço. Ao ser acordado e ter percebido que a briga parecia ser feia, me preparei para intervir por que já não aguentava mais ter que escutar aquela situação. As viatura da polícia já esteve lá das outras vezes que os outros vizinhos chamaram mas não deu em nada. Ele atendia os policiais e dizia que não estava acontecendo nada. Os policiais não pediam para falar com ela e ficava por isso mesmo. Quando a polícia ia embora, ele voltava a bater nela. Escutávamos ela pedir “por favor, pare!”
O delegado querendo ser mais objetivo pergunta o que realmente aconteceu no momento da briga, entre os três no apartamento.
“quando eu escutei algo de vidro cair e quebrar no chão eu abri e minha porta e entrei no apartamento deles. Ele estava segurando Ana por cima do cabelo e dando soco em seu rosto. Ela estava deitada no chão e em cima dela. Nesse momento eu não pensei na medida da minha ação e acertei o lado direito do seu rosto por trás com um soco. Ele caiu entre os vidros da mesa de centro que ele havia jogado Ana e se levantou com um pedaço de vidro na mão partindo em minha direção dizendo que iria me matar e matar aquela vagabunda. Eu me afastei para me defender nesse movimento eu esbarrei na pequena estante de televisão. Nela havia um vazo de flores que usei para me defender. Quando ele tentou me cortar com o vidro eu quebrei o vazo na sua cabeça e em seguida perdi o controle de mim e comecei a bater em seu rosto com chutes até que os policiais me seguraram por trás e me tiraram do apartamento.”
Fábio responde processo por lesão corporal grave em Filipe que perdeu a visão de um dos olhos e teve seus dentes da frente quebrados. Suzana acompanha Ana Carolina de perto vizitando no hospital e ambas se tornaram amigas e companheiras.
Fábio descidiu fazer acomanhamento pscicológico para controlar a raiva. Ele havia sido policial militar por sete anos. Abandonou a profissão depois que agrediu Suzana com o tapa no rosto após chegar em casa. Cansado e estressado com a profissão e a instituição resolveu largar tudo como forma de salvar seu casamento, recuperar sua saúde pscicológica e se redimir com sua esposa. Hoje Fábio é professor e eles tem uma filha de três anos, o remorso dele a as lembranças dela ainda são uma ferida aberta na vida dos dois.
A cada chute no rosto de Filipe, Fábio tentava se perdoar pelo tapa que um dia ele deu em sua mulher.
André Silva – andreluizjornalista@hotmail.com
Jornalista e Especialista em Criminalidade e Segurança Pública
29-06-2009

O sonho da jovem Latifa

Esse é um conto escrito por mim coma temática sobre a violência contra a mulher. Esse conto foi inspirado no livros "Mulheres de Cabul", da premiada fotógrafa inglesa Harriet Logan, e "O Liveriro de Cabul", da jornalista norueguesa Åsne Seierstad, que retratam a realidade cultural, política e social desse do Afeganistão.
O sonho da jovem Latifa
Abdala Haad, 34, foi um mulçumano. Percorria a orla das praias de Vitória todos os dias. Vitória é uma pequena e bela cidade e capital do Estado do Espírito Santo. As praias de Vitória são belas, margeadas por prédios chiques de apartamentos caros. O calçadão tem hora e temporada para estar cheio de atletas, idosos, moças belas, famílias, carrinhos de bebês e corredores amadores. Pela manhã, bem cedo, os idosos e as mães ou empregadas domésticas passeiam com as crianças aproveitam o sol fraco e brisa fresca. No fim da tarde, os jovens, os adultos e os adolescentes se misturam entre caminhadas, corridas e bicicletas na busca pela beleza ideal.
Abdala era afegão, assistiu sua mulher ser presa, estuprada e morta pelo regime Taleban antes da queda pela invasão dos Estados Unidos. Latifa Haad havia se convertido ao cristianismo e exercia sua fé escondida dos olhos opressores do regime que defendia Alá. Laura Smith era uma jovem inglesa de 28 anos, assistente social e militante dos direitos das mulheres, trabalhava para uma ONG sediada nos Estados Unidos que prestava assistência ao povo afegão. Era magra, cabelos curtos e loiros naturais, pele branca que com o sol escaldante da região se avermelhava causando o contraste no seu corpo, seus olhos eram azuis como o mar e sua determinação em construir um mundo melhor naquele mundo destroçado pela irracionalidade, brutalidade e ignorância por si lembrava sua descendência do povo guerreiro celta. Laura morava no paquistão e prestava serviços para a ONU na Embaixada da Inglaterra.
Abdala Haad era professor e Latifa, sua esposa, era uma dona de casa vaidosa e desejosa pela liberdade feminina que havia no ocidente. O regime Taleban tomou o poder no Afeganistão em 1997, proibiu a música, a dança, proibiu as mulheres de irem à escola e impôs que todas, ao saírem de suas casas não usassem produtos de beleza, não se vestissem elegantemente de modo a chamarem a atenção e sempre, sempre, fora de suas casas vestissem a burkha.
Latifa deveria esconder sua pele morena, seus cabelos pretos e lisos e sedosos já não podiam receber o toque suave do vento, e a juventude e a vida de uma jovem de 25 anos deveriam ser escondidas pela insanidade. A burkha cobria todo seu corpo, era feita de um tecido grosso e grande para impedir que seu corpo bem torneado fosse moldado, o brilho que ainda restava em seus olhos escuros e grandes como uma jabuticaba eram ofuscados pela tela que havia na burkha e apenas servia para ela olhar e respirar. Latifa via Cabul, sua cidade e capital do Afeganistão, mas não era permitido a Cabul ver Latifa.
O regime totalitário e violento dos Talebans não conseguiu proibir que Abdala ensinasse sua amada esposa o conhecimento e o inglês que aprendera na juventude. Todas as noites, após, se alimentarem Latifa aprendia com seu esposo. O casal tinha um sonho de ir embora para a Londres e lá ter um filho. Ansiavam uma vida com liberdade, trabalho e oportunidades que haviam sido tiradas de seu pais pelo fundamentalismo absurdo e desumano do Talebans.
Laura acabara de chegar na sede da ONG quando Abdala entrara. Aos 15 anos Abdala se muda para Islamabad, capital paquistanesa, onde tenta a vida no comércio, na construção civil e na jardinagem. Aos dezessete anos Abdala consegue emprego como aqueles “faz-de-tudo” ou manunteção na casa do embaixador da Inglaterra. Disciplinado e dedicado, logo percebe a importância do trabalho e da pontualidade para os britânicos. Se vendo diante de uma oportunidade única, tratava dos jardins da esposa do embaixador como se fossem seus, era atento aos passos da única filha do casal, uma linda criança de oito anos que adorava brincar e ajudar nos cuidados com as flores.
A dedicação e inteligência de Abdala lhe renderam por meio dos contatos do embaixador inglês uma bolsa de estudos para o curso de história. Seu trabalho na casa da família inglesa foi seu passaporte para o crescimento intelectual, acadêmico e seu contato com o contagioso estilo de vida do ocidente. Formado, aos 24 anos, o professor de história Abdala Haad, retorna ao Afeganistão e retoma sua vida dando aulas e conhece Latifa, jovem linda e alegre de 21 anos que trabalhava na biblioteca e desejava conhecer o mundo.
Toda sua história de conquistas no Paquistão passa pela sua mente ao entrar naquela sala e ver aquelas fotos na parede. Eram fotos de mulheres brancas, negras, indianas, chinesa e crianças sorrindo e se abraçando. Todo aquele mundo diferente e atrativo que saltava daquelas fotos despertava a saudosa lembrança da família inglesa. Laura o observa e sorridente pergunta no que poderia ajudar. Com seu inglês britânico ele responde para Laura que fugira do Afeganistão e queria ir para a Inglaterra, que trabalhara na casa de um dos embaixadores daquele país europeu a alguns anos. Mesmo sabendo da condição política e social imposta pelos Talebans ao povo afegão, a opressão, as limitações, crueldades e medo, Laura pergunta o porque.
Adbala se senta, olha para o chão, respira fundo e com as mão trêmulas começa a contar as suas razões:
“ Antes da tomada do controle do país pelos homens Talebans eu tinha uma vida tranquila e estável. Dava aulas em algumas escolas de Cabul e minha esposa, Latifa, trabalhava em uma biblioteca das escolas. Éramos livres, estávamos construindo a nossa história, escutávamos nossas músicas, dançávamos ao som de cantores ocidentais e indianos. Latifa era bela e gostava de estar e se sentir bonita. Sua vaidade me encantava. Eu a queria sempre linda e arrumada....sem ofender as tradições mulçumanas, claro! Um dia Latifa conheceu um casal de brasileiros que trabalhavam em uma ONG francesa que cuidava de crianças no Afeganistão. Ela não me falou deles durante um tempo mas ela mantinha contato com eles e nesses contatos ela se converteu ao cristianismo. Eles éram cristãos. Era um casal jovem e tinham um filho de uns quatro anos quando os conheci. Roberto, Paula e Davi. Certo dia Latifa chegou em casa com uma Bíblia falando do Deus dos cristãos e eu olhando para seu rosto alegre e radiante me convenci de que a mensagem do Jesus dos cristãos era mais profunda e atraente do que a mensagem de Alá. Minha esposa não teve receio em me contar por que me conhecia. Eu jamais poderia ter raiva dos cristãos por que o que sou hoje devo a bondade de uma família cristã que não me discriminou por ser mulçumano e me confiou oportunidades.”
Laura, atenta, fitava em seus olhos negros e em seu rosto cansado pela viajem enquanto ele continuava após uma breve parada e uma profunda inspiração de ar.
“Nos tornamos cristãos e nos tornamos amigos dos brasileiros, mas tínhamos receio de nos manifestar abertamente por medo de sermos agredidos. Após o homens do Taleban assumirem o poder, muitos estrangeiros foram embora inclusive os brasileiros. Foram expulsos por que o regime descobriu que eram cristãos e estavam pregando a mensagem de Jesus e isso afrontava os talebans que são radicais e odeiam o ocidente e tudo que representa o ocidente. Para os talebans Alá estava sendo afrontado. Minha esposa foi denunciada.Ela não trabalhava fora na biblioteca mais por que o regime determinou que era proibido as mulheres trabalharem por dinheiro. Alguém, que não sei quem, ficou sabendo que na minha casa havia uma Bíblia. Os soldados talebans invadiram a minha casa pela manhã, quando eu havia saído para comprar comida e encontraram Latifa lendo a Bíblia. Latifa foi presa, arrastada pelas ruas de Cabul, chicoteada, tentei impedir ao vê-la sendo espancada mas também fui espancado e torturado. Fomos levados para o quartel onde Latifa foi estuprada na minha frente pelos soldados e degolada. Os talebans me disseram que era uma lição para ela e para mim que tínhamos afrontado Alá e o islã, que eu jamais esquecesse que só existia Alá. Fui preso e obrigado a ler o Corão todos os dias em voz alta por três meses. Faz um mês fui solto e fugi para o Paquistão”
Atormentada, a jovem inglesa não consegue impedir que seus olhos derramem as lágrimas da revolta e compaixão. Abdala lhe mostra as cicatrizes dos açoites a uma foto de Latifa que guardava escondido para não ser acusado de idolatria.
Três semanas depois os norte-americanos invadem o Afeganistão na procura por Bin Laden e derrubam o regime Taleban. Laura ajuda Abdala contratando-o como tradutor e durante a guerra, que teve o apoio e participação da Inglaterra, Laura e Abdala, agora amigos, se empenham em trabalhar nas campanhas de ajuda humanitária da ONU com os refugiados de guerra na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão.
Após um ano e meio do início da invasão norte-americana, Abdala e Laura vão para a Inglaterra para descançarem por alguns meses, se casam e vão ao Brasil em lua-de-mel. Roberto e Paula moravam em Vitória, Davi era missionário na Índia, e todos os dias de suas férias na cidade, Abdala e Laura caminhavam na Praça dos Desejos e dos Namorados, Praia do Canto, sentindo a brisa do mar, contemplando a liberdade e a belezas naturais desse país tropical que Latifa somente ouviu falar sem esquecer do compromisso deles em tentar fazer do mundo um lugar melhor para se viver.

André Silva – andreluizjornalista@hotmail.com
Jornalista e Especialista em Criminalidade e Segurança Pública
28 de junho de 2009

Ana Carolina, a origem do Blog







Tenho sido questionado sobre a origem do nome desse blog “ O grito de Ana”. Aconteceu algum fato que motivou esse nome? Foi inspirado em alguém? Foi inspirado em algum personagem ou filme?




Ana Carolina Menezes inspirou não somente o nome do blog, mas a criação do blog.




Ana Carolina, 27, administradora de empresas, casada e mãe de um filho foi estrupada, estrangulada e morta em Belo Horizonte no dia 17 de abril de 2009. O corpo de Ana foi encontrado dentro de seu carro seminua no banco traseiro. Ana Carolina foi estrangulada com cadarço do tênis e estuprada ao lado do filho em uma das avenidas mais movimentadas de Belo Horizonte.




“Foi a pior lembrança da minha vida ter encontrado minha mulher seminua, morta, no banco traseiro do carro. Os bandidos não pouparam nem mesmo o meu filho de 1 ano e 6 meses, que foi colocado em cima do corpo da mãe morta. Tentei abraçá-la, mas fui impedido pela polícia, que por sorte me entregou meu filho com vida”. (Desabafo de Willian Chaves Pereira, de 29 anos, que viva com Ana Carolina a três anos e planejava se casar. Esse depoimento foi extraído da versão impressa do jornal mineiro “Estado de Minas” em matéria entitulada “Marcadas pela Violência”, da editoria “Gerais”, domingo, 14 de junho de 2009)




A polícia descartou a hipótese de latrocício por que o autor somente levou o celular da vítima e trabalha com a suposição de que o crime teria sido praticado por alguém conhecido.




Histórias trágicas e desumanas como essas são contadas e escondidas todos os dias. Impunidade, preconceito, a barbárie e a incompetência de algumas autoridades tem feito de mulheres e meninas vítimas indefesas em várias partes do mundo, em todas as classes sociais, línguas e níveis de escolaridades.




A morte de Ana Carolina de Menezes foi mais uma perda irreparável para seu marido, seu filho, seus familiares e amigos. Ana Carolina foi enterrada no dia 18 de abril de 2009 juntamente com Telma Portela da Silva, 35 anos, deixou um filho de 11 anos. Foi encontrada morta na região metropolitana de Belo Horizonte. Esteve como desaparecida até seus parentes a encontrarem no necrotério da cidade de Betim em estado de decomposição. Telma, mais uma das “Ana´s” foi encontrada 18 dias após o seu desaparecimento com um grave ferimento na cabeça.




A morte de Ana Carolina de Menezes deu vida a esse blog.




“Jamais deixe de fazer o pouco que você pode por não conseguir fazer o muito que gostaria”(autor desconhecido)




Fonte :
- Versão impressa do jornal mineiro “Estado de Minas” em matéria entitulada “Marcadas pela Violência”, da editoria “Gerais”, domingo, 14 de junho de 2009, Belo Horizonte
- Versão impressa do jornal mineiro “O Tempo”, “Cidades”, páginas 34 e 35, sábado, 18 de abril de 2009, Belo Horizonte.
- Versão impressa do jornal mineiro “O Tempo”, “Cidades”, página 29, domingo, 19 de abril de 2009, Belo Horizonte.
Em resposta ao comentário de Daniela, irmã de Ana Carolina de Menezes, foi postado no link abaixo a resposta do autor do blog

A luta de uma “Ana” no Afeganistão


Minientrevista publicada pelo jornal mineiro “O Tempo”, Domingo, 14 de junho e 2009. Belo Horizonte
Entrevistada: Malalai Joya, militante afegã, 31 anos e ex-membro do Parlamento do Afeganistão


“No Parlamento várias vezes escutei: ‘estuprem ela’. O fato de você ser mulher já é considerado pecado”


Jornal O Tempo: Em 2007, você foi expulsa do Parlamento. Por que isso aconteceu?
Malalai Joya: O Parlamento não é democrático. Ali manda quem tem dinheiro e armas. Quando perceberam que não podiam em impedir de ter voz ali dentro, me ameaçaram e depois de expulsaram.


Jornal O Tempo: O fato de você ser mulher também contribuiu?
Malalai Joya: Sim. O fato de ser mulher já é considerado pecado. Há a idéia de que política é coisa para homem. Hoje, 70% das afegãs não vão à escola, poucas têm emprego e várias são vítimas de estupro, praticado impunimente.


Jornal O Tempo: Você ainda recebe ameaças?
Malalai Joya: No Parlamento várias vezes escutei: “estuprem ela”. Era chamada de prostituta. Recebo ameaças de morte. Presciso sair sempre de burkha e nunca fico muito tempo em uma mesma casa.


Jornal O Tempo: Como é seu trabalho de militância?
Malalai Joya: Recebo visitas de vítimas e tento revelar ao mundo, por meio da mídia internacional, a realidade afegã. Tenho também uma clínica que presta assistência médica a mulheres e crianças. Recolho documentos que provam as atrocidades realizadas por quem está no poder e quero levar esse material a um tribunal internacional de Justiça.


Jornal O Tempo: Quais são os principais problemas enfrentados pelos afegãos?
Malalai Joya: Somente 2% da população tem luz elétrica e 8% acesso ao serviço sanitário. A expectativa de vida é de 44 anos. O afegão sofre devido à pobreza, ao tráfico de ópio e à inexistência de leis no país.


Jornal O Tempo: Quem tras esses problemas ao Afeganistão?
Malalai Joya: O afegão possui três inimigos: o Taleban, que oprime; os senhores de guerra, e a ocupação norte-americana, que continua a matar civis.

Nicolas Sarkozy e as Ana’s do mundo


Matéria publicada no jornal mineiro “O Tempo”, terça-feira, 23 de junho de 2009, Belo horizonte. Na seção Mundo na página 24.
Na matéria o presidente da França, Nicolas Sarkozy, apóia os parlamentares franceses em uma proposta contra o uso crescente da Burkha na França. Sarkozy vez seu pronunciamento no Palácio de Versailles e foi o primeiro presidente a se pronunciar no Palácio no últimos 136 anos. O presidente francês afirmou que a questão da proibição não é religiosa mas de liberdade, segundo ele, a vestimenta cobre todo o corpo da mulher escondendo seu rosto sendo assim não poderá ser usado na França por que é um símbolo de subjugação da mulher.
Frases do presidente Nicolas Sarkozy:


“A questão da burkha não é uma questão religiosa, é uma questão de liberdade e de dignidade da mulheres”


“A burkha não é um símbolo religioso, é um símbolo da subjugação, da subjugação das mulheres. Quero dizer solenemente que não será recebida em nosso território”


“Tem que haver um debate e todas as posições têm de ser apresentadas. Que melhor lugar para isto do que Parlamento? Eu digo a vocês: não temos de nos envergonhar de nossos valores, não temos de ter medo de defendê-los.”


Devemos dar honra a quem merece honra. Nicolas Sarkozy entendeu a importância da liberdade conquistadas pelas mulheres na França serem mantidas que levou o assunto ao Palácio de Versailles após 136 sem que nenhum presidente tivesse pronunciado no Palácio. Poderia ter levado outro assunto mas foi a liberade e a dignidade da mulher que Sarkozy defendeu. A Burkha ofende não somente as francesas mas a cada mulher em cada lugar do mundo. É símbolo de opressão, desvalorização, subjugação, humilhação e usurpação de direitos e liberdades. Espero um dia ver no Brasil uma postura de defesa dos verdadeiros valores.