sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Lei Maria da Penha chega aos homens indígenas





Patrícia Negrão/Agência Patrícia Galvão) A violência contra as mulheres nas aldeias aumenta a cada dia. O alerta é de Léia Bezerra do Vale, que está à frente daCoordenação de Gênero e Assuntos Geracionais da Funai (Fundação Nacional do Índio), do Ministério da Justiça. Fazer com que os homens indígenas reconheçam a violência doméstica e envolvê-los na discussão sobre a Lei Maria da Penha é um dos desafios atuais dos movimentos indígenas e dos órgãos governamentais. A pedido das mulheres indígenas, a Funai está realizando oficinas de esclarecimento sobre a Lei Maria da Penha com índios dos diferentes povos em todo o país.
  
Para Léia Bezerra, a Lei Maria da Penha precisa ser conhecida pelos índios, apesar de não contemplar as especificidades dos povos indígenas. “As mulheres indígenas não participaram do processo de elaboração da Lei e por isso não foi adaptada à realidade das aldeias.” Em entrevista exclusiva para a Agência Patrícia Galvão, a historiadora e indígena do povo wapichana fala sobre a violência doméstica nas aldeias e os principais obstáculos para combater a violação dos direitos das mulheres.

Os homens indígenas são violentos com suas mulheres?
A violência vem crescendo desde que os hábitos do mundo externo começaram a ser introduzidos nas aldeias, como o alcoolismo e uso de drogas. A falta de terra, de programas eficazes que tragam benefícios para os jovens, de políticas públicas em geral também fazem com que a violência aumente. Outro problema relatado pelas mulheres indígenas é que muitos homens, ao saírem para trabalhar na cidade, não são valorizados como eram antes internamente na sua comunidade. Voltam frustrados e o primeiro alvo é a família, a mulher, os filhos.

A Funai está trabalhando a violência doméstica especificamente com os homens?
A Coordenação de Gênero e Assuntos Geracionais da Funai fará treze seminários regionais com homens indígenas até o final de 2012. Já realizamos três – em Cuiabá, Manaus e Maceió – nos quais participaram, em cada um, cerca de 40 lideranças masculinas de diferentes povos e comunidades.

Como eles estão reagindo à Lei Maria da Penha?
Eles são resistentes num primeiro momento e muitos não querem participar dos seminários. Mas se interessam quando se dão conta de que a proposta é construirmos juntos mecanismos para lidar com a violência contra as mulheres. No final do encontro, todos se comprometem a levar o assunto para as escolas e assembleias, mas precisam de suporte para esse debate.

Como surgiu a ideia dos seminários para os homens?
Tanto homens como mulheres não reconheciam a violência; por exemplo, jogavam a culpa no alcoolismo. Muitos não viam como atos de violência o que debatemos nos seminários - tanto homens como mulheres. A Lei Maria da Penha dá nome aos tipos de violência e isso é muito positivo. Muitas mulheres ouvem sobre violência psicológica pela primeira vez, começam a identificar e se dão conta de que sofrem esse tipo de violência. E decidiram que não só elas deveriam conhecer os seus direitos, mas seus companheiros também. Os seminários com homens foram, portanto, demanda das lideranças femininas que participaram dos treze Seminários Regionais sobre a Lei Maria da Penha de 2008 a 2010.

A Lei Maria da Penha contempla as necessidades das mulheres indígenas?
As mulheres indígenas não participaram da elaboração dessa Lei e, portanto, não há um olhar específico para a cultura, para as etnias. Há leis internas – os diferentes povos têm distintas formas de resolver seus problemas – que devem ser respeitadas. Buscar mecanismos externos, que não foram criados por eles, é complicado. Mas não podemos deixar de informar que existem. As leis internas devem ser valorizadas, mas para resolver problemas que foram introduzidos nas aldeias, como o álcool, precisamos da ajuda externa. Há povos que, quando um homem comete violência doméstica, retiram o agressor da aldeia para que passe um tempo prestando serviço para outra comunidade.

Quais os principais problemas no combate à violência doméstica cometida por índios?
A falta de conhecimento da Lei Maria da Penha e a falta de capacitação dos profissionais, como delegados. Muitas mulheres indígenas relatam que, ao procurarem uma delegacia, ouvem que índio é problema da polícia federal ou são mandadas para a Funai. É necessário também que sejam contempladas as necessidades específicas dos povos indígenas. Mas não queremos mudar a Lei; elaboramos um documento com propostas de defesa dos direitos das mulheres para ser incluído no Estatuto dos Povos Indígenas, que está em tramitação no Congresso Nacional.

A discussão da violência doméstica é recente nos movimentos indígenas?



Em 2006 foi criada a primeira ação dentro do governo. A Funai elaborou uma linha de trabalho específica e com recursos próprios para atender as demandas das mulheres indígenas - Ação de Promoção das Atividades Tradicionais das Mulheres Indígenas. Foram feitas três oficinas com 410 lideranças de 159 povos. Em atendimento às demandas dessas mulheres, foi criada uma coordenação dentro da Funai, a Coordenação das Mulheres Indígenas, em janeiro de 2007. Em 2008, conseguimos um plano interno e um orçamento próprio de 800 mil reais e o nome mudou para Coordenação de Gênero e Assuntos Geracionais.




Contato com a entrevistada:Léia Bezerra do Vale - coordenadoraCoordenação de Gênero e Assuntos Geracionais da FunaiBrasília/DF 
(61) 3313.3831   leiabvale@gmail.com 

Fonte: Agência Patrícia Galvão

Borracheiro que matou cabelereira a tiros em BH será julgado nesta sexta-feira

Crime teve repercussão nacional após divulgação de vídeo em que Fábio da Silva aparece atirando na ex-mulher em salão de beleza de Belo Horizonte


Publicação: 18/08/2011 19:34 Atualização: 18/08/2011 23:29

O borracheiro Fábio Willian da Silva, acusado de matar a ex-mulher dentro de um salão de beleza da capital, será julgado nesta sexta-feira, no salão do I Tribunal do Júri do Fórum Lafayette.


O borracheiro foi pronunciado em 15 de junho de 2010 por por homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, sem chance de defesa para vítima e com emprego de meio que resultou em perigo comum. A sentença foi preferida pela juíza Maria Luiza de Andrade Rangel Pires, do I Tribunal do Júri do Fórum Lafayette.Os advogados José Arteiro Cavalcante Lima e Marco Antônio Siqueira serão os assistentes da acusação. Já a defesa de Fábio Willian será feita por Ércio Quaresma Firpe. O Ministério Público será representado pelo promotor Marino cotta. Se condenado, o borracheiro pode pegar de 12 a 30 anos de prisão.

O crime 

Fábio levou apenas 48 segundos para invadir o salão de beleza de Maria Islaine e matá-la com oito tiros (quatro no peito, três nas costas e um na cabeça). Estava inconformado com o fim da relação e com a partilha dos bens. O crime, registrado pelas câmeras de segurança do salão, ocorreu às 8h40 de 10 de janeiro do ano passado, no Bairro Santa Mônica, Região de Venda Nova. A cabeleireira havia registrado diversos boletins de ocorrência denunciando as ameaças. Quando ela morreu, a família entregou cópias das queixas à polícia, alegando que a tragédia já era anunciada e que nenhuma providência havia sido tomada. Em abril de 2009, Fábio foi enquadrado na Lei Maria da Penha e havia, inclusive, uma ordem judicial para ele nãos e aproximar de Maria Islaine.

Fonte: Estado de Minas - Portal Uai

terça-feira, 16 de agosto de 2011

29/06/2011 - 52% acham que juízes e policiais desqualificam o problema da violência contra as mulheres


  
Pesquisa sobre violência doméstica, realizada pelo Instituto Avon e pela Ipsos, revela que 52% dos homens e mulheres acham que juízes e policiais desqualificam o problema da violência contra as mulheres.



Veja mais dados e gráficos: Pesquisa Instituto Avon/Ipsos Percepções sobre a Violência Doméstica Contra a Mulher no Brasil 2011 



Medo de ser morta paralisa a vítima 



A pesquisa "Percepções sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil", realizada em 70 municípios brasileiros, com 1.800 homens e mulheres, aponta que o medo de ser morta é outro dos principais motivos que leva a vítima a não romper com o agressor. Na região Centro-Oeste, esse motivo foi apontado por 21% das entrevistadas. No Sudeste, por 15%; no Sul, por 16%. O Nordeste tem o menor índice: 13%.
"É uma vergonha as mulheres não saírem de casa porque podem ser mortas. Ciúme não é paixão. É algo mais complexo. O homem acha que tem posse da mulher. E a sociedade machista é um problema porque acha que a mulher não tem direito à autoestima e nem pode falar, se manifestar", afirmou a socióloga Fátima Jordão, conselheira do Instituto Patrícia Galvão.
Homens batem "sem motivo" 



Segundo Fátima Jordão, uma técnica sofisticada foi utilizada pela primeira vez na pesquisa com a finalidade de obter respostas mais fidedignas. "No capítulo relativo à violência vivenciada por homens e mulheres, os entrevistados preencheram o questionário em sigilo e colocaram em um envelope. Dessa forma, evitou-se que o entrevistado se sentisse inibido ou influenciado." 


Dos homens entrevistados, 15% admitiram já terem agredido  fisicamente as mulheres, sendo que 12% afirmaram ter batido nas companheiras "sem motivo" e 38% por ciúme. População não confia na proteção da polícia 


O estudo mostrou ainda que a sociedade não confia na proteção jurídica e policial nos casos de violência doméstica. Essa é a percepção de 59% das mulheres e de 48% dos homens. 


"O número de denúncias feitas ainda é pequeno em relação à violência que existe. Isso acontece porque as políticas públicas, que incluem delegacias especializadas e centros de referência para que a mulher confie e vá denunciar, ainda estão aquém da necessidade", afirma Maria da Penha Fernandes, que teve a história de vida como inspiração na criação da Lei Maria da Penha, que completará cinco anos em vigor. Em 1983, Maria da Penha ficou paraplégica após levar um tiro do marido.
Em todo o país há somente 388 delegacias especializadas no atendimento à mulher, 70 juizados de violência doméstica, 193 centros de referência de atendimento à mulher e 71 casas para abrigo temporário.
Acesse a publicação em pdf: Pesquisa Instituto Avon/Ipsos Percepções sobre a Violência Doméstica Contra a Mulher no Brasil 2011 


Veja essas matérias na íntegra: Dependência emocional pode colocar vida em risco (O Dia Online - 11/07/2011)    Pesquisa: em cada 10, 6 conhecem mulher vítima de violência doméstica (Globo/Blog Razão Social - 08/07/2011)Pesquisa revela que quase metade das mulheres já sofreram violência doméstica (O Globo - 29/06/2011)  Quase metade das mulheres já foi agredida pelo companheiro (Jornal da Bandeirantes - 29/06/2011)  15% dos homens brasileiros admitem já ter agredido uma mulher (iG - 29/06/2011)  6 em cada 10 brasileiros conhecem alguma mulher vítima de violência doméstica (Folha.com/Empreendedor Social - 29/06/2011)   15% dos homens brasileiros admitem já ter agredido uma mulher (Mídia News - 29/06/2011)   Mulheres agredidas em casa temem morte (Jornal do Commercio - 29/06/2011)   


domingo, 31 de julho de 2011

Una iraní que quedó ciega al ser atacada con ácido renuncia a que se aplique a su agresor la ley del talión

Un prentendiente despechado había sido condenado a sufrir la misma pena que infligió a su víctima y sólo ella podía pedir que se le conmutara

ÁNGELES ESPINOSA | Dubái 31/07/2011




La presión internacional ha logrado que Ameneh Bahramí, una mujer iraní a la que un pretendiente despechado dejó ciega al arrojarle ácido a la cara, renunciara en el último momento a la ley del Talión. De acuerdo con la legislación iraní, el responsable de tal atrocidad, Majid Mohavedí, había sido condenado a sufrir la misma pena que infligió a su víctima y sólo ella podía pedir que se le conmutara. Bahramí solicita a cambio que el agresor la compense con 150.000 euros para financiar su tratamiento médico.
    Irán

    Irán

    A FONDO

    Capital:
    Teherán.
    Gobierno:
    República Teocrática.
    Población:
    65,875,224 (est. 2008)

    La noticia en otros webs

    "Todo estaba listo para llevar a cabo la pena sobre los ojos de Majid, pero Ameneh le ha perdonado cuando estábamos a punto de ejecutarla", anunció el fiscal general de Teherán, Abbas Yafarí Dolatabadí, citado por la agencia semioficial Isna. El responsable judicial alabó la decisión de la mujer como "un acto valiente". La televisión iraní mostró imágenes de la mujer en una sala de hospital con su agresor arrodillado a la espera de que ella le echara unas gotas de ácido en los ojos. Mohavedí lloraba y decía que Bahramí había sido "muy generosa".
    "Durante siete años he tratado de conseguir que se cumpla la ley del Talión [qisas en la ley islámica], pero hoy he decidido perdonarle", declaró Bahramí. La mujer dio a entender que el revuelo internacional despertado por su caso había pesado en su decisión. "Daba la impresión de que todo el mundo estaba esperando a ver lo que hacíamos", señaló.
    Bahramí, de 32 años, perdió la vista en los dos ojos en 2004, cuando Mohavedí, despechado porque había rechazado sus insistentes propuestas de matrimonio, le destrozó la cara al atacarla con ácido. El agresor fue detenido y, cuatro años después, un tribunal le condenó a ser privado de la vista, en aplicación del bíblico "ojo por ojo y diente por diente" que la interpretación iraní de la sharía (ley islámica) mantiene de forma literal.
    La crueldad de la condena desató una campaña de Amnistía Internacional y otras organizaciones de defensa de los derechos humanos. El régimen iraní, cuya imagen está por los suelos tras la represión de las protestas por la reelección de Mahmud Ahmadineyad y la condena a morir lapidada contra Sakineh Ashtianí, se ha mostrado sin duda sensible a esa movilización. Las autoridades judiciales suspendieron la ejecución de la sentencia el pasado 14 de mayo sin explicar los motivos y, desde entonces, han presionado a Bahramí para que perdonara a su agresor, según ha relatado ella misma.
    A lo que no renuncia, y así lo ha dicho claramente en varias ocasiones, es a lo que en la legislación islámica se conoce como "precio de sangre", una compensación económica que le resarza del sufrimiento que ha padecido. Bahramí, que lleva cerca de una veintena de operaciones y cuyo rostro aún está desfigurado, pide que Mohavedí le pague 150.000 euros para costear el necesario tratamiento.
    Mientras no pueda cumplir ese requisito, el hombre no podrá salir de la cárcel, donde ya ha cumplido 7 de los 12 años a que fue condenado. Su abogado ha dicho con anterioridad que esa es una cifra inalcanzable para él porque el único activo del que dispone su familia es una casa en Teherán.
    Por otra parte, el domingo también se celebró en la capital iraní la tercera y última vista del juicio contra tres excursionistas estadounidenses que justo hace dos años fueron detenidos en la frontera con Irak. Shane Bauer, Josh Fattal y Sarah Shourd (que fue liberada bajo fianza el pasado septiembre) han defendido desde el principio que se extraviaron cuando hacían senderismo. Pero las autoridades iraníes, que no desaprovecha cualquier ocasión de azuzar sus malas relaciones con EEUU, les acusan de entrada ilegal en el país y de espionaje, un cargo que puede castigarse con la pena de muerte y que los tres han rechazado.
    Su abogado, Masoud Shafi, que no había podido reunirse con ellos desde su anterior comparecencia ante el juez el pasado 6 de febrero, expresó su confianza en que haya una sentencia favorable en el plazo de una semana. Amnistía Internacional ha denunciado el proceso de "parodia de justicia". En un signo de las intenciones del régimen de Teherán, la televisión estatal volvió a airear este domingo el caso de varios iraníes detenidos por diversas causas en EEUU.
    Fonte: El País

    quinta-feira, 28 de julho de 2011

    Stop Rape Now

    "Para acabar com a impunidade em crimes de gênero" - Entrevista com Nalu Faria pela Revista Fórum em Julho 2010

    De acordo com Nalu Faria, da Marcha Mundial das Mulheres, o sistema judiciário brasileiro apresenta falhas graves em relação à plena execução da Lei Maria da Penha. Para ela, além dos entraves jurídicos, uma das maiores dificuldades para combater a violência de gênero é lutar contra a sua naturalização.
    Apesar de ter sido sancionada em 2006 pelo presidente da República, a Lei Maria da Penha ainda não consegue assegurar proteção plena às mulheres vítimas de violência. De acordo com a Unifem (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher), a nossa legislação de proteção ao sexo feminino está entre as três melhores do mundo, mas encontra obstáculos para ser executada. “Temos uma formação social que reforça o machismo, ainda vemos casos de mulheres que procuram as autoridades para denunciar e são tratadas como culpadas, como se elas tivessem ocasionado essas agressões”, argumenta Nalu Faria, da Marcha Mundial das Mulheres.
    Os casos de Eliza Samudio e Mércia Nakashima ganharam destaque por apresentarem elementos de forte potencial midiático. Mas, infelizmente, eles não são exceção na realidade brasileira. “Qualquer um pode procurar pelos homens que foram presos por matarem mulheres, e não vai achar nenhum. Eles podem até terem sido condenados, mas presos não”, sustenta Nalu. Confira a íntegra da entrevista com a ativista abaixo.


    De acordo com dados da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), as denúncias recebidas pela Central de Atendimento à Mulher aumentaram 49% entre 2008 e 2009. Como você enxerga esse aumento, apesar da promulgação da Lei Maria da Penha, em 2006?


    Nalu Faria - Hoje a Lei Maria da Penha é muito conhecida e a Central de Atendimento à Mulher está mais atuante. Antes (da promulgação da lei) os casos de violência contra as mulheres eram mal notificados, mas agora isso está mudando porque as mulheres têm conhecimento dos seus direitos e se sentem mais encorajadas a denunciar. Sempre que há um grande número de denúncias de violência contra o sexo feminino vem a pergunta: será que aumentou a violência ou aumentaram as denúncias? Então, o aumento das denúncias quer dizer também que as mulheres estão mais informadas e conscientes dos seus direitos, pois sabem que a lei deve defendê-las.


    Outro dia vi na televisão, num desses programas policiais, um policial perguntando a um homem, que havia batido em sua esposa, se ele conhecia a Lei Maria da Penha. Isso demonstra que as autoridades conhecem a lei e a estão fazendo cumprir. Mesmo assim, ainda existe um trabalho de debate e reflexão com as autoridades sobre isso, juntamente com a sociedade.


    O Estado está preparado para aplicar a Lei Maria da Penha e a legislação de amparo à mulher?


    Nalu – Completamente preparado, não. O Brasil é muito grande, e isso dificulta a disseminação de informações. Estaríamos preparados se o debate estivesse realmente implantado em todo país. Temos uma formação social que reforça o machismo, ainda vemos casos de mulheres que procuram as autoridades para denunciar e são tratadas como culpadas, como se elas tivessem ocasionado essas agressões. Sei de casos de mulheres irem à delegacia e ouvirem dos policias: "você deve ter feito alguma coisa pra ter apanhado".


    Temos que implantar o debate em todos os níveis da sociedade e do governo. No Poder Judiciário, por exemplo, os erros são visíveis. Muitas mulheres são assassinadas mesmo após pedirem proteção das autoridades. Por não reconhecerem a situação de desigualdade de gênero que existe no Brasil, muitos de nossos juízes questionam até mesmo a constitucionalidade da Lei Maria da Penha.


    Em relação ao machismo, como se pode trabalhar e mudar a mentalidade de homens que acreditam que a violência contra a mulher é algo normal?


    Nalu - No que se refere ao poder do Estado, temos que acabar com a impunidade existente em relação a crimes contra mulheres no Brasil. Infelizmente, ela ainda é muito grande. Qualquer um pode procurar pelos homens que foram presos por matarem mulheres, e não vai achar nenhum. Eles podem até terem sido condenados, mas presos não. Então precisamos de medidas que rompam com a imunidade e criminalizem de vez este tipo de violência.


    Outro ponto é trabalhar no âmbito da prevenção. A violência não acontece de uma hora pra outra, ela passa por um processo de agravamento. Quando alguém sabe que a mulher está apanhando muito do marido, a violência não começou com esse espancamento. Ela começa na desqualificação da pessoa, até que um dia chega à agressão física. No caso do goleiro Bruno (do Flamengo), por exemplo, você vai ver que há um histórico de violência contra algumas mulheres que conheceu.
    As pesquisas confirmam: a cada 15 segundos uma mulher é assassinada no Brasil. Isso é algo inaceitável. E há uma naturalização tão grande da violência que as pessoas convivem com isso e não sabem como lidar. O debate deve desconstruir essa naturalização e despertar a consciência de que a violência é algo inaceitável.

    De 2006 pra cá, a partir da aprovação da Lei, quais os maiores avanços no combate à violência contra a mulher que o Brasil presenciou? Em que aspectos ainda precisamos melhorar?


    Nalu - Um grande avanço é o aumento no número de denúncias. Com isso temos mais possibilidades de lidar com o problema e saber o que realmente está acontecendo. Outro bom sinal é o incremento das políticas públicas de atenção às mulheres. Isso é sinal de que para combater a violência tem-se que acabar com a desigualdade de gênero.


    A autonomia econômica das mulheres é outro ponto importante a ser trabalhado. Independência econômica perante o parceiro não é condição suficiente para que a mulher esteja livre da violência. Dados mostram que muitas mulheres falam que não se separam por conta da situação financeira, vinculada ao parceiro. O importante é que a mulher tenha uma autonomia pessoal e acredite que possa viver por contra própria. Essa questão é muito difícil de ser trabalhada, pois envolve um elemento subjetivo, enraizado em nossa cultura.
    Ainda precisamos nos antecipar ao tema da violência. Trabalhar a questão da autonomia pessoal é conscientizar as mulheres de que elas não podem ficar em uma posição submissa ao homem, onde precisam ceder sempre para agradá-lo, como se fosse a condição para uma relação harmoniosa. São essas atitudes de controle que terminam em violência.

    Em relação à exposição midiática do caso do goleiro Bruno, este fato pode fortalecer a luta em favor da erradicação da violência contra as mulheres?


    Nalu - Isso vai depender do debate e da disputa que fizermos em relação a isso. Nesse caso, há elementos jurídicos que possibilitam a retomada de algumas decisões. Por exemplo, a demissão do Bruno, que pode não acontecer mais. Ou até mesmo o advogado dele, cogitando que a Eliza possa estar viva e esteja fazendo isso para se vingar dele. Se conseguirmos que as acusações sejam provadas, vira um caso exemplar positivamente. O Bruno confiava muito na impunidade, ele não tinha medo de ser preso. Temos que ter uma solução firme neste caso.

    Fonte: Aads - Ações Afirmativas em Direitos e Saúde/Ipas Brasil

    sábado, 16 de julho de 2011

    Abusos no Paquistão e os interesses americanos

    Grandes nações democráticas, como os EUA, não podem ignorar os fracos e violentados

    15 de julho de 2011 | 0h 00



    Walter Rodgers, The Christian Science Monitor - O Estado de S.Paulo
    Para persuadir o Paquistão a uma maior cooperação no combate aos terroristas, os Estados Unidos suspenderam centenas de milhões de dólares de ajuda militar. Não teriam eles também a coragem de cortar ajuda por causa do abominável tratamento a que as mulheres são submetidas no Paquistão? O fato é que o Paquistão há muito que vem travando coletivamente uma guerra de terror contra 49% de sua própria população: contra suas mulheres, mães, irmãs e filhas. No entanto, os estrangeiros raramente ouvem uma queixa sobre essa história.
    Estupro, violência doméstica, molestamento sexual, crimes de honra, abuso e discriminação contra mulheres continuam sendo problemas graves no Paquistão. A TrustLaw, uma organização que oferece ajuda jurídica e informação sobre direitos das mulheres, classifica o Paquistão como o terceiro país mais perigoso para mulheres (depois de Congo e Afeganistão). Se sucessivos governos e o Congresso americanos não são mais firmes contra essas violações criminosas dos direitos humanos é porque não querem.
    Ataques sexuais são tão comuns que nem são reportados. Recentemente, uma paquistanesa idosa foi obrigada a desfilar nua por uma aldeia no Punjab. A razão? O filho da mulher estava mantendo um relacionamento adúltero.
    Segundo o último Relatório da Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, 3 mil mulheres foram violentadas em 2010 e 791 assassinadas nas chamadas "mortes por honra".
    Azra Rashid, uma ativista canadense-paquistanesa defensora dos direitos das mulheres, diz que esses números estão grosseiramente subestimados. "Ataque sexuais são tão comuns que as mulheres nem sequer os denunciam.
    As garotas crescem sem saber o que é ataque sexual quando são tocadas de maneira imprópria." Rashid diz que quando menina era frequentemente apalpada e acariciada a caminho do mercado.
    Por que as mulheres paquistanesas não denunciam esses crimes à polícia? Não faz muito tempo, uma jovem paquistanesa e sua irmã foram a um posto policial denunciar o desaparecimento de um irmão. As duas foram detidas e violentadas várias vezes por policiais. "Na melhor hipótese, a polícia paquistanesa não acredita em vítimas de estupro, os políticos não ligam, e os paquistaneses vieram a aceitar isso como parte de sua realidade cotidiana", diz Rashid.
    Um importante político paquistanês foi citado recentemente dizendo que se uma mulher for violentada e não puder trazer quatro testemunhas independentes que viram o ato, ela não deveria se dar ao trabalho de denunciá-lo. Isso, apesar do fato de que a lei não exige mais quatro testemunhas para comprovar o estupro.
    O Paquistão melhorou sua legislação de proteção às mulheres nos últimos anos, mas a falta de aplicação da lei e as atitudes estabelecidas bloqueiam o progresso.
    Ácido. Não é apenas o estupro. O ex-marido de uma amiga paquistanesa ameaçou jogar ácido no rosto dela se ela saísse com outro homem. Não é incomum ver mulheres paquistanesas com os rostos marcados por esses ataques com ácido. O Centro de Documentação de Refugiados da Irlanda que reporta crimes contra mulheres paquistanesas disse que, "em casos extremos, as punições incluem a mulher ser enterrada viva". Os homens paquistaneses raramente são condenados por crimes contra mulheres.
    Disputas sobre gado e terras nas áreas rurais são geralmente acertadas com uma parte entregando à outra uma filha menor de idade. O Paquistão rural vive no século 14. O campo está muito familiarizado com donos de terras opulentos trancando servas adolescentes em currais e usando-as para seu prazer. As empregadas domésticas em cidades são tão vulneráveis que sua condição é considerada pior que a de escravos. "A sociedade toda é dirigida por homens, e deformada", diz Rashid.
    Num caso de maior repercussão, Mukhtara Mai foi estuprada em grupo por ordem do conselho de sua aldeia em 2002 porque seu irmão teria alegadamente cometido adultério com a filha de um senhor feudal de um clã adversário. Todos menos 1 dos 14 homens acusados foram inocentados neste ano.
    Em uma entrevista para o jornal The Washington Post em 2005, o então presidente Pervez Musharraf admitiu que o estupro era um problema no Paquistão, mas acrescentou: "Muitas pessoas dizem que se você quiser ir para o exterior e obter um visto ou uma cidadania canadense e ser uma milionária, seja violentada." Os EUA não deviam ter medo de jogar duro.
    O governo americano em geral fecha os olhos para tudo isso, concedendo ao Paquistão US$ 3 bilhões por ano em assistência econômica e militar. Mas por que os impostos de qualquer mulher (ou homem) americana deveriam ser usados para sustentar um governo paquistanês que considera aceitáveis crimes contra sua população feminina? Alguns apologistas cacarejam e dizem: "Não abandonem o Paquistão. Ele tem cem armas nucleares". Mas na guerra fria, os Estados Unidos corajosamente capitanearam a causa de judeus soviéticos quando os russos tinham milhares de armas nucleares.
    Temor. Para os que receiam que se os Estados Unidos abandonarem o Paquistão ele poderá cair na órbita da China, a resposta apropriada devia ser: "Ótimo! Eles se merecem".
    O medo de um Paquistão errático e nossa própria desavergonhada conveniência política não deveriam ser a força motriz por trás da política americana para Islamabad. Esses são os valores da bancarrota moral e política. Grandes nações democráticas não abandonam os fracos, os abusados e os violentados, por conveniências políticas. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK
    É EX-CORRESPONDENTE INTERNACIONAL SÊNIOR DA CNN 
    Fonte: Estadao

    sábado, 25 de junho de 2011

    Violence against Women


    Violence against women and girls is one of the most widespread violations of human rights. It can include physical, sexual, psychological and economic abuse, and it cuts across boundaries of age, race, culture, wealth and geography. It takes place in the home, on the streets, in schools, the workplace, in farm fields, refugee camps, during conflicts and crises. It has many manifestations — from the most universally prevalent forms of domestic and sexual violence, to harmful practices, abuse during pregnancy, so-called honour killings and other types of femicide.


    International and regional legal instruments have clarified obligations of States to prevent, eradicate and punish violence against women and girls. The Convention on the Elimination of All Forms of Discrimination against Women (CEDAW) requires that countries party to the Convention take all appropriate steps to end violence. However, the continued prevalence of violence against women and girls demonstrates that this global pandemic of alarming proportions is yet to be tackled with all the necessary political commitment and resources.
    Globally, up to six out of every ten women experience physical and/or sexual violence in their lifetime. A World Health Organization study of 24,000 women in 10 countries found that the prevalence of physical and/or sexual violence by a partner varied from 15 percent in urban Japan to 71 percent in rural Ethiopia, with most areas being in the 30–60 percent range.

    Violence against women and girls has far-reaching consequences, harming families and communities. For women and girls 16–44 years old, violence is a major cause of death and disability. In 1994, a World Bank study on ten selected risk factors facing girls and women in this age group, found rape and domestic violence more dangerous than cancer, motor vehicle accidents, war and malaria. Studies also reveal increasing links between violence against women and HIV and AIDS. A survey among 1,366 South African women showed that women who were beaten by their partners were 48 percent more likely to be infected with HIV than those who were not.

    Gender-based violence not only violates human rights, but also hampers productivity, reduces human capital and undermines economic growth. A 2003 report from the US Centers for Disease Control and Prevention estimates that the costs of intimate partner violence in the United States alone exceeds US$5.8 billion per year: US$4.1 billion are for direct medical and health care services, while productivity losses account for nearly US$1.8 billion due to absenteeism.

    Countries have made some progress in addressing violence against women and girls. According to the UN Secretary-General’s 2006 In-Depth Study on All Forms of Violence against Women, 89 countries had some legislation on domestic violence, and a growing number of countries had instituted national plans of action. Marital rape is a prosecutable offence in at least 104 States, and 90 countries have laws on sexual harassment. However, in too many countries gaps remain. In 102 countries there are no specific legal provisions against domestic violence, and marital rape is not a prosecutable offence in at least 53 nations.

    UN Women’s Approach

    UN Women works on several fronts towards ending violence against women and girls. This includes tackling its main root: gender inequality. Efforts are multiplied through advocacy campaigns and partnerships with governments, civil society and the UN system. Initiatives range from working to establish legal frameworks and specific national actions, to supporting prevention at the grassroots level, including in conflict and post-conflict situations. UN Women has also supported data collection on violence against women, facilitating new learning on the issue.

    UN Women plays an active role in supporting the UN Secretary-General’s multi-year UNiTE to End Violence against Women campaign, launched in 2008. As a designated coordinator, UN Women works together with the UN system and other partners on the campaign’s regional components in Africa and Latin America and the Caribbean, expected to be launched in 2009.

    Say NO to Violence against Women

    UN Women’s Say NO to Violence against Women initiative advances the objectives of the UNiTE campaign through social mobilization. On 25 November 2008, Say NO presented more than 5 million signatures to the UN Secretary-General, demonstrating public support to make ending violence against women a top priority for governments everywhere. The second phase of Say NO, expected to launch in fall 2009, will collect and demonstrate actions from individuals and decision makers everywhere, and engage communities of faith and the youth in raising awareness and preventing violence against women and girls.
    On behalf of the UN system, UN Women manages the UN Trust Fund to End Violence against Women.


    Fonte: UN Women

    Bibiana Aído, nombrada consejera de Bachelet en ONU Mujeres

    Desde el pasado 10 de octubre era la secretaria de Estado de Igualdad

    EL PAÍS / AGENCIAS 25/06/2011


    La secretaria de Estado de Igualdad, Bibiana Aído, ha sido nombrada asesora especial de la directora ejecutiva de ONU Mujeres, según ha informado Naciones Unidas en su página web. Esta agencia ha anunciado varios nombramientos de personas que asesorarán a la expresidenta chilena, Michele Bachelet, y que trabajarán codo con codo con ella. Aído entrará en la División de Gestión y Administración como consejera especial, mientras la burundesa Giovanie Biha ha sido nombrada directora.

    egún ONU Mujeres, Aído tiene "una distinguida carrera de servicio público para el Gobierno de España de la que fue ministra de Igualdad. Ha trabajado extensamente para la transversalización de la igualdad en la política española, así como en la igualdad de género y la perspectiva de género en diversos foros internacionales, tales como la UE para la promoción de la estrategia europea y el Observatorio Europeo contra la Violencia de Género", añade la reseña de ONU Mujeres.
    "Me hace especial ilusión poder trabajar directamente con una mujer que admiro profundamente, como es Bachelet", ha señalado en declaraciones a Efe Aído, quien ha asegurado que la igualdades "una de las causas por las que de verdad merece la pena luchar y, como siempre, me dejaré la piel porque no sé trabajar de otra manera".
    Aído participará en NuevaYork, el próximo lunes, en una junta ejecutiva ordinaria de ONU Mujeres, en la que se va a aprobar el plan estratégico. Su nombramiento oficial se podría hacer efectivo en las próximas semanas, han detallado a Efe fuentes del Ministerio de Sanidad, Política Social e Igualdad, que deberá sustituirla.
    ONU Mujeres es la agencia de la ONU que trabaja en pro de la igualdad de género. Su objetivo ser el principal defensor de las mujeres y de las niñas, y se ha establecido para acelerar el progreso en el logro de sus necesidades en todo el mundo.
    Bibiana Aído fue nombrada ministra de Igualdad al inicio de la segunda legislatura de José Luis Rodríguez Zapatero como presidente del Gobierno, en 2008, y desempeñó este cargo hasta el pasado 10 de octubre, momento desde el que ejerce como secretaria de Estado de Igualdad.
    Fonte: El País