sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Serial Killer teria matado Ana Carolina de Menezes

Inteligência policial tenta rastrear maníaco

Pedro Ferreira - Estado de Minas
Publicação: 04/02/2010 07:31
Equipes dos serviços de inteligência das polícias Civil e Militar vêm trabalhando na área do Bairro Industrial, em Contagem, Grande BH, e em bairros próximos, em busca de pistas e informações que possam levar ao assassino em série que já violentou e matou pelo menos três mulheres no ano passado. Na Região do Barreiro, 10 suspeitos de envolvimento em estupro estão sendo monitorados pelo serviço reservado da Polícia Militar, na tentativa de identificar o maníaco. Conforme o Estado de Minas divulgou com exclusividade na terça-feira, exames do Instituto de Criminalística comprovam que é do mesmo homem o esperma encontrado nos corpos das três vítimas.
O suspeito ainda pode ter atacado outras duas mulheres em 2009. Para reforçar as investigações em andamento, um grupo especial envolvendo policiais, integrantes do Ministério Público e peritos será formado, a partir de reunião marcada para os próximos dias. A apuração – que segundo a polícia já conta com um retrato-falado – deve ainda ganhar o reforço da especialista em serial killers Ilana Casoy, que estuda o perfil desses matadores há quase 10 anos. De acordo com o site que a estudiosa mantém, sua colaboração é comumente solicitada pelas polícias de vários estados para ajudar na elaboração do perfil criminal de envolvidos em casos em andamento.
Como o Bairro Industrial, em Contagem, de onde eram as três vítimas comprovadamente atacadas pelo maníaco que age na Grande BH, faz divisa com o Bairro das Indústrias, no Barreiro, em Belo Horizonte, o major Cléber Geraldo Gonçalves, subcomandante do 41º Batalhão da PM, acredita que o assassino possa morar na região. Diante disso, o serviço de inteligência da unidade vem monitorando todos os suspeitos da área que já tiveram algum envolvimento com casos de violência sexual.
“Estamos dirigindo nossa atenção àqueles que já cumpriram pena por estupro, por tentativa, que já foram condenados por esses crimes e estão em liberdade condicional, assim como aqueles que cumprem pena em regime semiaberto e também os que respondem a inquérito em liberdade e aguardam julgamento pela Justiça”, disse o major. Os militares vêm apurando onde cada um dos suspeitos estava na data do assassinato das mulheres.
As empresárias Ana Carolina Assunção, de 27 anos, e Maria Helena Lopes Aguiar, de 48, assim como a contadora Edna Cordeiro de Oliveira Freitas, de 35, foram abordadas pelo maníaco no Bairro Industrial. A primeira foi morta em abril; a segunda, em setembro e a terceira, em novembro do ano passado. Exames de DNA feitos no sêmen coletado nas vítimas confirmaram que a mesma pessoa cometeu os crimes. Os corpos de Ana Carolina e Maria Helena foram achados na Região Noroeste de BH e o de Edna, numa estrada de terra de Nova Lima, na região metropolitana.
O subcomandante do 41º BPM aguarda da Polícia Civil o retrato-falado de um possível suspeito de ter assassinado as três mulheres de Contagem. A imagem, que vem sendo mantida em sigilo pela polícia, refere-se a um homem visto por testemunha rondando o carro de uma das vítimas. Para o major, as características físicas facilitariam a identificação de suspeitos. Ele pede informações que possam ajudar nas investigações, mesmo que anonimamente, pelos telefones 181, 190 ou 197. “Estamos trabalhando 24 horas, abordando veículos, principalmente aqueles com casais”, disse o major. Segundo ele, estudos comprovam que, de cada 10 estupradores, seis cometem o crime mais de uma vez.
O delegado Frederico Abelha, da Delegacia de Homicídios do Barreiro, responsável pela investigação, confirmou ontem a existência do retrato-falado. De acordo com ele, equipes de agentes da Civil também se revezam nas apurações, que estão sendo mantidas 24 horas no Bairro Industrial. “Pela forma que agiu, o criminoso tem de conhecer a área. Ele não abordou as mulheres de forma aleatória, mas deve tê-las acompanhado por dois ou três dias. Se não mora no bairro, trabalha ou transita nele por algum motivo”, avaliou.
Nessa terça-feira, o assassinato de uma mulher em Betim, na Região Metropolitana de BH, levantou a suspeita de que o maníaco tivesse voltado a agir. Havia a hipótese de estupro seguido de morte e policiais civis e militares seguiram para o local do crime, mas as apurações preliminares não comprovaram violência sexual e indicaram que não havia coincidência com a forma de agir do assassino em série que atacou na vizinha Contagem.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Escute a entrevista da cineasta Geysa Chaves na Rádio CBN sobre seu documentário 'Se eu não tivesse amor'

O documentário 'Se eu não tivesse amor', da cineasta Geysa Chaves, mostra vida de mulheres que cumprem pena em presídio no Rio de Janeiro. Escute a entrevista que Geysa Chaves concedeu à Radio CBN sobre seu documentário.

O blog "O Grito de Ana" tem a bandeira social da luta pelo fim de toda forma de violência contra a mulher. Valorizar as mulheres que se destacam positivamente na cultura, política, ciência, enfim, nas diversas áreas, é uma forma de afirmar a importância, o valor e o potencial que cada mulher possui de contribuir para um mundo melhor. A violência estanca e destrói esse potencial precioso que a sociedade tanto necessita.

Geysa Chaves é mais um exemplo de iniciativa, potencial e vontade de contribuir com a causa social, em especial nesse seu trabalho que aborda as vida das mulheres que cumprem pena em um presídio carioca de uma forma humanizada e charmosa.


quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

UNIFEM - Ajuda para as mulheres no Haiti


Dear Friend, Imagine you’re a victim of domestic violence in Haiti…


Before the earthquake on 12 January, you and your children were safe in one of Haiti’s women’s shelters.

You were working to rebuild your life. And now, the shelter and so much else has been ripped away. UNIFEM is working to raise 2 million dollars to rebuild women’s shelters and expand emergency services for women and their families.



Your contribution will fund emergency community-based violence prevention programmes, counselling services, provide emergency supplies and rebuild women’s centres. Let us count you in.


Help us Say NO to violence against women and girls in Haiti. Every dollar you give counts as an action. Let us count you in. Donate here.


Sincerely,

Inés Alberdi

Executive Director, UNIFEM

sábado, 23 de janeiro de 2010

Documentário da cineasta brasileira Geysa Chaves “Se eu não tivesse amor”. Presidiárias, crime, charme e ressocialização




Presidiárias contam histórias de glamour e crime em documentário
Bonitas e sedutoras, elas estão no filme “Se eu não tivesse amor”. Em depoimentos, contam que maior sonho é voltar a ter liberdade.

Aluizio Freire Do G1, no Rio

Elas são criminosas. Cumprem pena em regime fechado na penitenciária feminina Talavera Bruce, na Zona Oeste do Rio, por associação ao tráfico, tráfico de drogas, roubo de cargas, furto a residências e assaltos à mão armada.


Condenadas pela Justiça, cinco detentas aparecem livres no documentário “Se eu não tivesse amor”, da cineasta Geysa Chaves, que mostra a história dessas mulheres com ingredientes de sedução, charme, elegância e delicadeza.

Veja galeria de fotos


Depois de mais de um ano mergulhada no cotidiano dessas mulheres, Geysa extraiu um rico material para produzir o documentário e agora estuda realizar um longa de ficção baseado nos fatos reais que ouviu. Além disto, finaliza um livro revelando o universo das presidiárias. Por trás daqueles muros do presídio, a cineasta, que montou sua equipe com colaboradores da Escola de Cinema Darcy Ribeiro, descobriu mulheres belas - uma das protagonistas do documentário é Dione Normando Pires, vencedora duas vezes de um concurso de beleza promovido pela administração do presídio - e pôs mais uma idéia em prática: um ensaio fotográfico em que elas se transformam e ficam ainda mais sedutoras usando peças das grifes Versace, Valentino e Fórum.

“Quando comecei a frequentar o presídio em 2008, a convite de um pastor, não pensava em realizar esse trabalho. Fui pela curiosidade. Lá, encontrei garotas criminosas, sim, mas novas, bonitas. E descobri que a maioria se envolve no mundo do crime através de algum relacionamento amoroso. Escolhi as cinco porque elas não têm medo de mostrar a cara e não se fazem de coitadinhas”, explica Geysa.

Luciana Campos Tavares


Aos 23 anos, Luciana foi condenada a 10 anos de prisão. Abandonada pelos pais aos cinco anos de idade, foi procurada pela mãe quando já tinha 14 e levada para morar com ela e seus dois filhos – de outro casamento – em um barraco na Favela do Metrô, no Maracanã.

A menina era obrigada a vender balas no sinal. Quando não conseguia vender tudo era espancada pela mãe. Fugiu de casa. Tempos depois, em um baile funk na favela da Grota, no Conjunto do Alemão, no subúrbio, começou a namorar um rapaz que depois veio a saber que era o gerente do tráfico da quadrilha de Antônio José de Souza Ferreira, oTota.

Logo se envolveu com o crime e passou a ser a única mulher do bando. Começou servindo de “mula”, transportando drogas e armas de São Paulo para o Rio. Ocupou outras funções na quadrilha até ser presa.


Jaqueline Rodrigues

Seu apelido era Lady, pela elegância, roupas caras e jóias que costumava usar. Ninguém desconfiava que aquela mulher de olhos azuis, de classe média alta, usando grifes famosas, seria acusada de furto a residências. Ela cumpre pena de 25 anos.


Dione Normando Pires

Com sua voz rouca, um dos seus atributos de sedução, a morena Dione já foi uma perigosa assaltante de cargas. Cheia de atitude, chegou a ser apontada como líder da quadrilha formada por muitos homens. Presos, eles foram condenados a quatro anos de prisão, ela a 41.

Eleita Miss Garota Talavera Bruce (presídio), duas vezes (2007 e 2009), exibe como marca da passagem pelo crime uma tatuagem de um fuzil AK-47 no cóccix.


Jeniffer Claude Salagnac

Ex-dançarina da banda do cantor Prince, a francesa Jeniffer vivia em Paris frequentando restaurantes de luxo e viajando para lugares paradisíacos, ao lado do marido, para ela um jovem advogado bem-sucedido. Depois de perder filhas gêmeas, na segunda gravidez, entrou em depressão e aceitou a sugestão de viajar para o Brasil, com a irmã.

Chegou a se hospedar no Copacabana Palace. Mas, quando estava para voltar à França, o marido ligou dizendo que ela deveria levar duas malas que seriam entregues por um amigo.

Foi presa no Aeroporto Tom Jobim com 25kg de cocaína. Sua pena é de 6 anos por tráfico internacional de drogas. Nunca mais ouviu falar do marido.


Jéssica Borges Cabeço

Ela conta que foi criada com a avó e que, aos 13 anos, sempre a acompanhava para vender bilhetes. Descobriu depois que a vovó, muito simpática, aplicava o golpe do bilhete premiado nos incautos.

Cresceu e virou uma perigosa assaltante, especializando-se em “saidinhas de banco”. Cumpre pena de 9 anos e 10 meses por assalto a mão armada e tráfico de drogas.

Fonte: G1
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1409541-5606,00.html

Governo federal cobra de MG explicações sobre assassinato de mais uma "ANA"

Governo federal cobra de MG explicações sobre assassinato
Aécio reconhece necessidade de uma "reformulação interna" na área

Tâmara Teixeira e Raphael Ramos

A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres quer explicações do Estado para saber se houve falhas ou omissão na apuração das denúncias de agressão contra a cabeleireira Maria Islaine Morais, 31. Depois de fazer oito queixas contra o borracheiro Fábio Willian Soares, 30, a mulher foi assassinada por ele, na última quarta-feira, com nove tiros à queima roupa.

A subsecretária de Enfrentamento da Violência contra a Mulher da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, Aparecida Gonçalves, informou que o órgão enviou um ofício ao Secretário de Defesa Social do Estado, Maurício de Oliveira Campos Júnior, ao Procurador Geral do Ministério Público de Minas Gerais (MP), Alceu José Torres Marques, e ao presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Sérgio Resende, solicitando informações quanto ao desenrolar das investigações.

O governador Aécio Neves disse ontem que o Estado vai tentar ser mais efetivo no que se refere ao cumprimento da Lei Maria da Penha. "A frieza desse crime e a forma como foi filmado chocou a todos e merece também uma reformulação interna da nossa parte para que possamos estar mais atentos em casos notórios como esse, em que a ameaça é efetivamente real".

O TJMG confirmou que, em outubro de 2009, recebeu o pedido de prisão preventiva de Soares feito pelo advogado de Maria Islaine, Fernando Nascimento. O juiz poderia ter decretado a medida, considerada extrema. No entanto, o magistrado entendeu que deveria consultar o MP, pois não poderia se basear apenas nos boletins de ocorrência. O MP pediu instalação de inquérito à Polícia Civil. Na Delegacia de Mulheres, a informação é de que quatro inquéritos foram instaurados.

Depoimento. Enquanto as discussões sobre as falhas do caso continuavam entre autoridades, o homem que matou a cabeleireira foi apresentado ontem no Departamento de Investigações da Polícia Civil. Com o olhar indiferente, pés descalços e cabeça baixa, Soares não apresentou qualquer reação. Preferiu se calar, conforme orientação do seu advogado, Ércio Quaresma. A postura era bastante diferente daquele adotada por ele quando invadiu o salão da ex-companheira, no bairro Santa Mônica, em Venda Nova. A única fala ocorreu quando foi questionado por um policial se estava arrependido do crime. "Não sei", afirmou.

A polícia encontrou celulares e aproximadamente R$ 4.000 em dinheiro com o borracheiro,que ficou mais de 12 horas em um matagal durante a fuga. Segundo Quaresma, o cliente dele apresentava estar transtornado. "Não estamos tratando de um animal", disse. O advogado afirmou que vai tentar que Soares responda o processo em liberdade. Ele vai entrar com o pedido de habeas corpus.

Estratégia. Em uma crítica direta à Polícia Civil, Ministério Público e Justiça, o advogado chegou a dizer que, se Soares tivesse sido preso anteriormente, a tragédia poderia ter sido evitada.De acordo com o delegado Álvaro Homero, da Homicídios Venda Nova, a arma do crime, provavelmente uma pistola 9 mm, não foi encontrada. O policial informou que o borracheiro revelou apenas ter se desfeito da pistola durante a fuga.

O borracheiro confessou o crime. Ele teria revelado ao delegado que, além do ciúme da ex-mulher, os dois brigavam também por causa de um apartamento. O delegado revelou que o imóvel foi vendido por R$ 75 mil, mas a vítima reclamava o recebimento dos R$ 25 mil a que teria direito.

Segundo Homero, duas testemunhas já foram ouvidas. Soares também foi interrogado ontem. O borracheiro deve ser indiciado por homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e sem dar chance de defesa à vítima). Ele pode pegar de 12 a 30 anos de prisão.

O processo de denúncia da agressão
- Assim que a mulher sofre uma ameaça ou agressão, ela deve procurar a Delegacia de Mulheres para fazer uma representação contra o autor.
- Um inquérito é instaurado e, no caso de agressões físicas, a vítima é levada para realizar exame corpo de delito no IML. Durante as investigações, testemunhas são ouvidas e provas anexadas ao processo.
- Se houver necessidade, o delegado solicita que medidas protetivas sejam concedidas à vítima.
- O processo é encaminhado à Justiça. O juiz responsável determina quais as medidas protetivas necessárias. Depois, concede à vítima um documento
- que ela deve ter em mãos
- sobre as medidas concedidas e comunica ao autor. Caso o agressor não cumpra as ordens judiciais, a vítima precisa acionar a polícia e registrar o fato, sempre com alguma prova testemunhal ou física. O Ministério Público, delegados ou até mesmo o advogado da vítima podem solicitar ao juiz que determine a prisão do agressor.
- Para a solicitação da prisão, basta uma única reincidência, desde que seja uma clara situação de risco à vítima. No caso de ser o advogado da vítima a pedir a prisão, o juiz procura ouvir o MP para avaliar se cabe mesmo a determinação.

Fonte: Assossiação dos Magistrados de Mineiros
Ameaças de morte em 80% dos casos
Os números do Tribunal de Justiça de Minas mostram que as denúncias de mulheres agredidas por seus companheiros merecem toda a atenção das autoridades. Em 80% dos cerca de 25 mil processos referentes à agressões que tramitam na Justiça do Estado, as vítimas relatam já terem recebido ameaças de morte.

A subsecretária de Enfrentamento da Violência contra a Mulher da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, Aparecida Gonçalves, afirmou que uma das dificuldades em se cumprir a Lei Maria da Penha é o posicionamento dos órgãos de seguranças do país. “Ainda estão contaminados pela nossa cultura machista. O que os policiais e juízes precisam entender é que as mulheres não estão exagerando nos seus relatos. O caso da Islaine comprova que as ameaças são cumpridas”. (TT) Publicado em: 23/01/2010
Fonte: Jornal o Tempo

Projeto do deputado Capitão Assumção (PSB-ES) altera Lei Maria da Penha para acelerar combate a agressor


Projeto altera Lei Maria da Penha para acelerar combate a agressor


Tramita na Câmara o Projeto de Lei 6340/09, do deputado Capitão Assumção (PSB-ES), que modifica a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06) para acelerar a adoção de medidas urgentes em casos de violência contra a mulher.


O projeto reduz de 48 para 24 horas o prazo dado à autoridade policial para enviar ao juiz o pedido da mulher ofendida, com vistas à concessão de medidas protetivas de urgência. Segundo a proposta, o juiz também terá 24 horas (e não mais 48) para adotar as providências cabíveis.


O deputado afirma que alguns agressores, mesmo após denunciados, voltam em pouco tempo a cometer atos de violência, inclusive com mais raiva, e chegam a atentar contra a vida da vítima.
"Os prazos, muitas vezes, podem decidir a vida de alguém, pois a vítima fica à espera das medidas de urgência do juiz", argumenta o autor do projeto.


Justiça lenta
Segundo o deputado, a redução dos prazos das medidas judiciais visa a resguardar vidas e obter, com menos tempo, medidas necessárias contra o autor das agressões. "Assim, ele não terá tempo de voltar com o intuito de se vingar", prevê.


Capitão Assumção cita como exemplo o caso de uma jovem recepcionista de academia, em São Paulo, assassinada pelo ex-namorado em janeiro de 2009. A jovem havia registrado quatro boletins de ocorrência e dois termos circunstanciados contra o acusado, mas isso não foi suficiente para barrar o agressor.


Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.


Íntegra da proposta:
PL-6340/2009

Reportagem - Luiz Claudio Pinheiro

Edição - Pierre Triboli

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Falhou a prevenção, mas esta sendo feita justiça




Preso homem que matou ex-mulher em salão de beleza
Calmo, Fábio Willian da Silva Soares não ofereceu resistência e confessou o crime ao ser reconhecido pela Polícia

21/01/2010 17h44
LARISSA NUNES/RICHARD LANZA

Foi preso nesta quinta-feira (21) o borracheiro Fábio Willian da Silva Soares, que executou a tiros a ex-mulher no bairro Santa Mônica, em Belo Horizonte. Ele foi localizado pela Polícia Militar, por volta das cinco horas da tarde, na cidade de Biquinhas, região Central do Estado, a 270 quilômetros da capital. No começo da tarde, foi levado a Delegacia de Morada Nova de Minas.


De acordo com o soldado Lucas Xavier, o borracheiro foi visto pela equipe da PM ao entrar em uma sapataria, no centro da cidade. Segundo o soldado, ao ser reconhecido e preso, Fábio disse que estava na loja para comprar um calçado pois havia perdido o sapato durante a fuga. Ainda de acordo com o soldado, ele confessou o crime e alegou ter matado a mulher por ciúmes.

"Ele estava descalço, sujo, com as roupas rasgadas. Parecia estar bastante cansado e com fome. Também estava calmo, bastante calado", contou o sargento.

O carro usado pelo suspeito na fuga foi localizado na noite desta quarta-feira (20). O veículo estava em um fazenda do povoado de Cacimbas, perto de Biquinhas. O dono da fazenda disse que não sabia a quem pertencia o veículo. Fábio Willian, ao ser preso, confirmou a versão e disse que deixou mesmo o Strada, que pertence ao seu pai, na fazenda, sem conhecimento do proprietáro. Segundo o suspeito, porém, os dois se conhecem.

A cabeleireira Maria Islaine de Morais, de 31 anos, foi baleada nove vezes pelo ex-marido, enquanto trabalhava em um salão de beleza. Toda a ação foi gravada pelo circuito interno de tv.

Fonte: Jornal O Tempo

http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=69470

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Entrevista com Naiá Duarte - Projeto Mulher Viva, uma luta pelo fim da violência contra a mulher dentro das igrejas.




O Projeto Mulher Viva (http://www.mulherviva.com/) é uma esperança para mulheres que são violentadas dentro das igrejas cristãs e que são escravas da vergonha, da dor, da ignorância, da humilhação e do medo. A violência física, emocional, psicológica e moral as vezes são cometidas por aqueles que pregam a mensagem do Evangelho de Cristo que, em momento algum, defende a opressão do homem sobre a mulher e sim o amor do marido pela esposa ao ponto de sacrificar a própria vida. Que as palavras dessa ativista social pelo fim de toda forma de violência contra a mulher inspire mulheres e homens a se juntarem por essa causa.
1 - Quem é Naiá Duarte (suas referências) e há quanto tempo você luta pelo fim da violência contra a mulher?


Naiá Duarte: Sou santista, formada em Direito e História com especializações na área de educação e filosofia, casada e mãe de 2 filhos. Luto pelas causas sociais há 10 anos e especificamente contra violência há 3 anos.



2 - O que te levou a militar pelas mulheres vítimas de violência?


Naiá Duarte: Observando as mulheres dentro da igreja. Como uma mulher liberta em Jesus de Nazaré pode se deixar escravizar por textos fora do contexto como Efésios 5: 22 daí foi um pulo ao constatar a violência no âmbito eclesiástico (física, psicológica, patrimonial).



3 - Aconteceu algum fato específico que te levou a dedicar sua vida a essa causa?


Naiá Duarte: Sim, quando compreendi que algumas mulheres sofrem violência por não saberem ou por serem influenciadas por textos fora do contexto em um “púlpito viciado” dominador e machista eu contatei meu amigo Pr. Ariovaldo Ramos e pedi sua orientação como poderíamos através da Palavra Sagrada minorar o sofrimento de mulheres que sofrem violência dentro e fora da igreja.



4 - O que te motivou a abordar o tema no contexto das mulheres cristãs? Há violência dentro das igrejas evangélicas?


Naiá Duarte: É triste falar, mas existe e muito. Vou citar um exemplo de uma pastora:
“Naiá, o que eu faço? Meu marido é pastor e em casa me bate e me humilha. Eu disse:
Como na sua igreja existe um pastor presidente vá até ele e conte o que está acontecendo.
Ela foi e o pastor presidente disse que iria pensar no assunto e que em breve daria uma resposta.
Dois dias se passaram e o marido pastor foi chamado ao gabinete do presidente de uma grande igreja evangélica pentecostal.
Fulano pastor entende de Deus que você e sua família deveriam pastorear uma igreja a 500 km daqui. O fulano pastor todo feliz pegou sua esposa violentada e seus filhos e foram “pastorear” em um lugar longe dali e que não levantasse suspeitas. Em nenhum momento foi abordado ou tratado o assunto por eles.
Quando a pastora me telefonou dizendo o que tinha acontecido eu fiquei indignada e me pus à disposição e ela me perguntou novamente e agora? “Sabemos que não podemos decidir pela pessoa, disse que a minha preocupação era com a integridade física dela e aconselhei a denunciá-lo.”



5 - Como tem sido recebido o seu trabalho, através do Projeto Mulher Viva, nas igrejas pelos pastores e liderança? Há uma resistência e na sua opinião a que ela se deve?


Naiá Duarte: A Mulher Viva tem sido bem aceito por igrejas sérias na Palavra e que entendem que o pecado pode vir a transformar maridos que deveriam proteger suas esposas em verdadeiros lobos ferozes. Algumas igrejas onde o estudo da língua original e da história da igreja não é alvo de atenção a pregação é superficial, dominadora e excludente.



6 - Como é a reação das mulheres cristãs ao seu trabalho? Elas se sentem encorajadas a relatar as violências sofridas?


Naiá Duarte: A reação normalmente é positiva mais o fato de relatar a violência ocorre depois de um a dois meses da palestra proferida, ou seja, a vitima me liga ou manda um email querendo saber como ela pode orientar sua vizinha que sofre espancamentos. Oriento por telefone ou email e peço para marcar um encontro com a vitima e na maioria das vezes vem ela com a vizinha acompanhando.



7 - Você possui algum dado estatístico sobre a violência contra a mulher no meio evangélico?


Naiá Duarte: De acordo com a Casa de Isabel (ONG na zona leste da capital) 80 % das mulheres atendidas lá são evangélicas de igrejas neo-pentescostais, pentecostais e históricas.



8 - Você trabalha ou pretende trabalhar com a conscientização do homem cristão sobre a problemática da violência contra a mulher? Se trabalha como é ou seria desenvolvida essa abordagem?


Naiá Duarte: Não trabalho diretamente com o homem agressor mais encaminho se ele quiser para tratamento psicológico e espiritual. Entendo que o homem agressor precisa de tratamento e amor.



9 - Fale sobre o Projeto Mulher Viva. ( desde quando ele existe? como foi criado? qual objetivo? quais as ações e programas? quais as conquistas?...)


Naiá Duarte: O Projeto Mulher Viva nasceu no morro São Bento em Santos/SP por ocasião de uma palestra feita por mim sobre Direitos das Mulheres em 2007. Uma chama acendeu em mim e comecei a olhar para as mulheres com varias interrogações:
Por que a mulher aceita a violência?
Por que o púlpito é usado na maioria das vezes por homens?
Por que em casamentos aconselha-se a mulher a ser submissa e não aconselha o homem a amá-la e morrer por ela se necessário for. (efésios 5:22-30)
E após esses questionamentos criei junto com meu esposo advogado e pastor Cícero Duarte o Mulher Viva que tem como objetivo que toda mulher viva sem violência. Trabalhamos com a conscientização e prevenção da violência através de palestras, fóruns e oficinas. Ano passado (2009) atendemos 28 mulheres e alcançamos um publico de mais de 7000 pessoas.
Nossa meta para 2010 é atender 100 mulheres e firmar parcerias com objetivo de servir melhor a mulher vitimada.

10 - Qual a sua opinião sobre a utilização dos blogs como ferramenta de atuação na luta contra toda e qualquer violência contra a mulher?


Naiá Duarte: Esperança



11 - Deixa a sua mensagem para os leitores do blog "O grito de Ana" sobre essa atrocidade que é a violência contra a mulher praticada no mundo.

Naiá Duarte: Não podemos nos conformar com qualquer forma de violência contra qualquer pessoa, precisamos nos apoiar e lutar pelo direito a vida e ao amor, somente quando entendemos que a vida é o bem mais precioso que temos e que não podemos dispor dela porque esta é uma prerrogativa do altíssimo, compreenderemos que somos nós que devemos lutar pela vida e proteger nossa integridade; tendo como paradigma Jesus Cristo que rompeu a Lei do Silêncio denunciando e permitindo que suas discípulas estudassem, evangelizassem pregasse, ou seja, que pudessem exercer seus dons de uma forma integral.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Malalai Joya is only 32 - A woman to remaind in the fight against violence against women














Afghanistan’s soft-spoken rebel
The voice from the back of the room


Monday 11 January 2010


Malalai Joya is only 32, but she has been an exile, a refugee, a teacher of girls in the Taliban’s Afghanistan, and now that country’s youngest member of parliament. She’s still on the run though, and still threatened with assassination

by Andrew Oxford


Afghanistan is a young nation ravaged by old conflicts. This does not refer to the new government created after the 2001 invasion (or the violent battles between different tribes that have carried on into the new millennium). Its youthfulness is a statistical fact buried in UN and World Bank reports: 60% of the country is under the age of 25, and many may not live much beyond that (1).

Nearly a decade has passed since Nato troops, led by the US, “liberated” Afghanistan. But there is little to show for the occupation, the billions of dollars of aid money, and the thousands of soldiers and civilians killed. Not much is heard from the young majority. The political discourse in Kabul neglects their future; it is dominated by the usual suspects, bearded bureaucrats and provocateurs of wars past.

“They are law brokers not law makers,” says Malalai Joya. At 32, she is Afghanistan’s youngest member of parliament (and has adopted the name Malalai after the Afghan nationalist hero Malalai Maiwand). She is an outspoken critic of the fundamentalists who subjugate the women of her country. Now she is internationally prominent as the voice for an independent Afghanistan. Her message – end the occupation and the Karzai government – is refreshing and daunting, a manifesto for what the West should really be fighting for.

Her parliamentary career began with the Loya Jirga, or grand assembly, of 2003, which sought to shape the “free” Afghanistan. As Afghan politicians fought for their place in the new government and hammered out a constitution, interest groups jockeyed for power. Malalai Joya lobbied just for a chance to speak, shouting “We kids can’t get a word in!” from the back of the room. She’s tiny and has a frustratingly soft voice, so it is hard to imagine that she is a formidable opponent of warlords. But when she takes to the microphone, it’s clear how easily she makes enemies.

A tired chairman allowed her to speak for three minutes because she had “travelled far”. Ninety seconds proved too much. Denouncing the “warlords and criminals” present at the Loya Jirga, she blamed them for the terrible state of their country and called for them to be jailed and prosecuted rather than given positions of power. “They might be forgiven by the Afghan people but not by history,” she said before the microphone was cut. A small burst of applause was drowned by jeers of outrage as delegates leapt from their seats and charged towards her. The chairman demanded that security remove her for “crossing the lines of common courtesy”.


We saw nothing but war


“We are the war generation,” she recently told me after addressing supporters at the City University of New York. “We saw nothing in our lives but disaster, war, violence, and all these catastrophic situations.” As the classroom began to empty and those who remained clustered around the refreshments table, she drifted between English and Persian, shaking hands, and posing for pictures as any good politician would. Her appearance does not betray the refugee camps, the safe houses and the five assassination attempts.

She is the daughter of a medical student who left school to fight the Soviets, and her life has been lived on the run. Four days after her birth, the Communist government took power and prepared for the Russian invasion. She has lived in exile in Iran, Pakistan and any number of refugee camps, and she grew up among the forgotten casualties of war who would later be her proudest constituency: the widows, the orphans, the displaced. After the Soviets fled, civil war engulfed Afghanistan, and the Taliban emerged victorious, a chauvinist and extremist government took hold of her homeland and turned Malalai Joya into a quiet rebel. At 15, she began work as an underground teacher for a women’s rights group. Teaching girls how to read, she constantly dodged the watchful authorities; and in the austerity of her fugitive existence, among the illiterate and oppressed, she became a committed activist.

With the feminist Organisation for Promoting Afghan Women’s Capabilities, Malalai became a prominent voice for women in the shadows of subversion. In 2001, when Nato ran the Taliban out of Kabul, she and her colleagues were poised to seize the opportunity of building a new nation. “After 9/11, they occupied my country under the banner of women’s rights and human rights and democracy, but they bring into power this photocopy of the Taliban,” she told supporters in New York. “That’s why today, the situation in Afghanistan is a disaster.” Malalai is quick to point out the reality of occupation for average Afghans. Poverty remains endemic (2), corruption is flourishing thanks to the billions of dollars foreign governments and NGOs have poured in, and the recent election was, she says, “a ridiculous drama ... just rubbing salt in the injured heart of my people”; for despite a few legal and political benefits, women are still treated like property.

“The situation of woman is a disaster and just as catastrophic as under the domination of the Taliban,” she said. Having lived through the Taliban’s rule as an underground teacher, Malalai has been an eyewitness to the terror of the fundamentalists. The liberation, she says, has brought little change. Considering the rise in self-immolation and rape in recent years, Malalai says: “Women are the most victimised because women are a big power, one wing of the bird. When one wing of the bird in society is injured, how can the bird fly?”

The burgeoning opium poppy trade has underscored what Malalai had always suspected about the occupation. “In the last eight years, they have turned my country into the centre of drugs.” It was not unexpected. “They are saying to the poor farmers ‘stop planting poppies’ but the governors of these provinces are drug traffickers. Four persons who have high posts in Karzai’s cabinet are famous drug traffickers.” The US complicity in the multibillion dollar drug trade, as evidenced by Hamid Karzai’s brother’s close connections to both the CIA and the heroin underworld (3), have made it clear that poppies are not just a convenient cash crop for the struggling farmers. They are a new natural resource and the drug lords and their occasional allies in the occupation forces are the new colonialists who mean to prosper in the market that leaves most Afghans living in dire poverty.

Geopolitics have defined Afghanistan from the ancient trading routes through the mountains to the British, Soviet and US expeditions and occupations. Its location has been a blessing and a curse. “They invaded my country to have access to the gas and oil of the Asian republics,” Malalai said. “And now the people of my country are crushed between three powerful enemies: the occupation forces bombing and killing innocent civilians, most of them women and children; and the Taliban and these warlords.”


Truth is the first casualty


As a member of the parliament representing the rural Farah province, Malalai was suspended by her colleagues years ago for making remarks considered too critical. She says this suspension was a plot by the fundamentalists to silence her. So she travels widely, in her country and the world. “The first casualty in war in a country like Afghanistan is the truth,” she says. “The truth itself is political.” But it could be her best weapon.

“They say a civil war will happen in Afghanistan if the troops leave but nobody wants to talk about today’s civil war. As long as these soldiers are in Afghanistan, there will be civil war.” The US and Nato soldiers are seen as just another enemy in a nation that prides itself on ferocious independence. The British, the Soviets and the US and its cohorts cannot tame Kabul or the Khyber Pass; even the native forces of the Taliban and the Northern Alliance struggle to restrain a population historically inclined to buck occupation.

Malalai hopes democracy can replace decades of colonisation and strife. She is quick to acknowledge how naive she seems; yet she is an unwavering believer in the power of her own people, who are their only agents of action. “No nation can donate liberation to another nation. My people can liberate themselves if they let us live in peace. Over these 30 years, we lost almost everything. But we did gain one important thing and that is political knowledge. The resistance of my people is day by day increasing.” “When the people stand up, they can defeat them.”

Fonte: Le monded Diplomatique - Versão em inglês
http://mondediplo.com/2010/01/19afghanistan

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Mukhtar Mai - Uma mulher para ser lembrada


"E a lista é longa. Seja em casos de divórcio, pretensa infidelidade ou acerto de contas entre homens, a mulher é que paga o preço mais elevado. Ela é dada a título de compensação por uma ofensa, é violada por um inimigo do marido como represália. Às vezes, basta que dois homens entrem e disputa por um problema qualquer para que um deles se vingue na mulher do outro. Nas aldeias, é muito comum que os próprios homens façam justiça, invocando o princípio do "olho por olho". O motivo é sempre uma questão de honra, e tudo é permitido a eles. Cortar o nariz de uma esposa, queimar uma irmã, violar a mulher do vizinho." (Passagem do livro "Desonrada - Depoimento", de Mukhtar Mai.)
É impossível alguém ler esse livro q não se sensibilizar, não se revoltar ou não se indignar. O depoimento de Mukhtar Mai é, infelizmente, o depoimento silencioso de milhares de mulheres no Paquistão e no mundo que sofrem com todo o tipo de violência e atrocidade. Essa mulher teve a corajem de se expor para ver a justiça ser feita e para estancar esse mal que vitima as mulheres paquistanesas. Mukhtar Mai foi estuprada ao mesmo tempo por quatro homens como punição por seu irmão, de 13 anos, ter flertado com uma mulher, de 27, de um clã superior. Quem decidiu a únição foi o próprio líderado clã tribal a despeito da justiça e do pedido de perdão que Mukhtar fez em nome do irmão.
A denúnica, a mídia, as ONG´s e coragem dessa mulher foram as armas de luta a transformação social.

domingo, 27 de dezembro de 2009

O blog "O Grito de Ana" deseja a todos um feliz 2010!!! - André Silva


O ano de 2010 está chegando. Mais uma década está indo embora. É tempo de renovar as esperanças, de rever os planos e projetos, de acreditar, de lutar, de se erguer em meio às dificuldades que enfrentamos. O blog "O Grito de Ana" faz parte desse pensamento, desse esforço.


Em 2009, Ana Carolina de Menezes foi vitimada pela violência de gênero. Como ela, centenas de mulheres também estão deixando seus filhos, maridos, amigos, pais, família e sendo enterradas como vítimas de violentos atos praticados por homens que não compartilham da relevância positiva do desenvolvimento das mulheres em qualquer sociedade. Homens que dependem de sua brutalidade para se fazer respeitados e escutados por mulheres cada vez mais instruídas, livres, competitivas e belas.


O ano de 2009 esta terminando, mas a luta por um mundo melhor para todos não. Ana Carolina ainda está viva nessa luta que entra em 2010 com o mesmo vigor que iniciou. O blog "O Grito de Ana" vai continuar alertando aos seus leitores sobre a importância de ser erradicar toda e qualquer forma de violência contra a mulher, divulgando informações veiculadas na mídia e produzida por ONG`s e institutos de pesquisas respeitáveis além de valorizar as boas ações e personalidades que de alguma forma contribuam para o fim dessa barbárie.


Desejo a todos um 2010 de sucesso, de vitórias, de alegrias.


André Silva

Karla Micheel y Emilio Ginés - Ativistas pelo fim do feminicídio no México entre as 100 personalidades de 2009 pelo jornal El País

Solos ante el peligro
Estos dos abogados han logrado una sentencia histórica de la Corte Interamericana en su heroica lucha contra los feminicidios en México.

Por Lydia Cacho

Karla Micheel es una joven abogada mexicana que no se detiene ni ante el peligro ni ante el miedo. Es el rostro y el corazón de una nueva generación de abogadas y juristas mexicanos que han elegido una tarea monumental: defender los derechos humanos para reconstruir un sistema de justicia penal fallido, misógino y ensombrecido por esta corrupción que prohíja impunidad a diario.

“No soy sólo yo”, dice sobre su defensa de las víctimas de los feminicidios de Chihuahua, primero ante los machistas jueces mexicanos y ahora ante la Corte Interamericana de Derechos Humanos (CIDH). “Somos la Asociación Nacional de Abogados Democráticos, pero sobre todo son las madres que perdieron a sus hijas en manos de los feminicidas quienes nos guían; nosotras somos herramientas”. Karla nació para cambiar el mundo. A su lado, Emilio Ginés (en la foto), jurista español que ya pertenece a esta banda que parece sacada de una peli de los ocho magníficos. Él ha dicho sobre el juicio que han llevado ante la CIDH: “No sólo se va a juzgar el caso de las tres mujeres, sino el de todos los asesinatos que cometen en esta ciudad mexicana desde 1993, y también el de todas las mujeres que sufren este tipo de violencia en América Latina”. Unidos son un ejemplo de lo que significa globalizar la esperanza y la justicia. Son el poder de una y de todos juntos.
Lydia Cacho es periodista mexicana y escritora que ha denunciado la pederastia existente en su país. Fotografía de Jesús Uriarte
Fonte: Jornal espanhol El País

Trabajadoras sexuales ahora son técnicas de belleza


Trabajadoras sexuales de Manizales ahora son técnicas de belleza



Foto: Jhon Jairo Bonilla
En la foto, las mujeres en la graduación en técnica en Belleza.



El programa es una iniciativa de la Secretaría de Gobierno de Manizales, con el apoyo de la Academia Silueta. La capacitación, en su primera etapa, duró cuatro meses.



Claudia, una joven, de 17 años, que vive en Manizales, está feliz porque ahora sí podrá contarles a sus hijos en qué trabaja. Desde los nueve años se dedicaba a la prostitución, pero hace cuatro meses, cuando empezó a estudiar para técnica en belleza, tiene otra alternativa de trabajo.


La joven y las otras 24 estudiantes celebraron con un brindis que, más por su grado, fue por la vida. Entre risas y llanto, Claudia dijo que este es un gran logro. "Esta tranquilidad que tengo ahora no la cambio por nada", dijo la joven, quien no dudó para aceptar la oferta que le hicieron para capacitarse.



Julián Andrés Vasco, secretario de Gobierno, afirmó que con este programa, al que le sigue el ciclo tecnológico, las graduandas empezarán a transformar sus vidas y las de los suyos. "Los problemas sociales no se solucionan con represión, sino con el apoyo del Gobierno y del sector privado", dijo el funcionario.


Las mujeres terminarán el ciclo profesional el año entrante y su principal objetivo es que las trabajadoras sexuales tengan una alternativa segura, lejos de la droga y los peligros nocturnos.


"Es un orgullo capacitar a estas mujeres que demostraron todo su empeño y compromiso para aprender. Nos dieron una gran lección de vida", comentó Alba Nory Ramírez, directora de la Academia Silueta.


LINA MARÍA LÓPEZ PARA EL TIEMPO MANIZALES

Fonte: Jornal colombiano El Tiempo

http://www.eltiempo.com/colombia/ejecafetero/trabajadoras-sexuales-de-manizales-ahora-son-tecnicas-de-belleza_6843769-1?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

USA - Exemplo de lugar em que a lei funciona para proteger a mulher


27/12/2009 - 10h36
Liminar impede Charlie Sheen de se aproximar da mulher


da Folha Online


A mulher do ator Charlie Sheen, Brooke Mueller obteve uma ordem judicial que impede a aproximação e contato do ator com ela.


Segundo informou o site Radar Online, o juiz que emitiu a ordem foi o mesmo que supervisionou o caso de Sheen, que foi preso na manhã da última sexta-feira, acusado de violência doméstica, na cidade de Aspen, no Colorado. O ator foi detido, e só foi liberado após pagar fiança de US$ 8,5 mil.


A emissão deste tipo de ordem judicial é mandatória em casos de agressão no estado do Colorado, nos EUA.


O juiz James Boyd disse que Sheen não pode contatar sua mulher, exceto por meio de seu advogado, até que o caso seja resolvido. Após pagar fiança, o ator saiu da cadeia e foi direto para Los Angeles.


Segundo fontes próximas a Brooke, a mulher do ator não está incomodada com a restrição de contato imposta pela justiça. Ela estaria em Aspen para "dar um tempo" em seu relacionamento com Sheen.


Segundo amigos, ela está se preparando para pedir o divórcio.


Fontes ligadas ao casal afirmam que o casamento já está comprometido, em um modo em que não há mais como restaurar a união.


Fonte: Folha OnLine



Revista americana "Times" escolhe jovem iraniana morta a personalidade do ano


Times escolhe jovem iraniana morta a personalidade do ano
AFP - Agence France-Presse


LONDRES - O jornal britânico The Times escolheu como personalidade do ano a jovem iraniana morta durante as manifestações em Teerã após a reeleição do presidente Mahmud Ahmadinejad, em junho.


O Times afirma que Neda Agha-Soltan, 26 anos, se transformou em um "símbolo global da oposição à tirania" com as imagens que a mostravam sangrando até a morte durante os protestos da oposição, violentamente reprimidos pelo regime iraniano.


"Soltan se uniu ao protesto porque estava indignada com a forma como o regime havia 'roubado' a eleição presidencial", afirma o jornal na primeira página, que tem ainda uma fotografia dos manifestantes iranianos com faixas que mostram a jovem.


O regime dos aiatolás afirmou que a morte de Neda foi "preparada" para denegrir su imagem e acusou a imprensa estrangeira de ter fabricado a informação.


Milhares de opositores saíram às ruas do Irã durante uma semana em junho para protestar contra a reeleição de Ahmadinejad e denunciar fraudes na votação.


As manifestações foram proibidas depois que o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, deu apoio incondicional a Ahmadinejad.


O governo do Irã criticou em novembro a criação de uma bolsa de estudos em homenagem a Neda na Universidade de Oxford.


Fonte: Portal Uai

Norma Cruz - Atvista guatemalteca pelos direitos das mulheres está entre a 100 Personalidades do Ano do jornal espanhol El País


Por los más débiles
Activista guatemalteca, defensora de mujeres y niños, ha recibido el Premio Internacional a las Mujeres Coraje 2009.


Por Sergio Fernando Morales Alvarado

Adelante y sin miedo es la divisa de Norma Cruz en su lucha por hacer de Guatemala un país donde las mujeres no sean víctimas de la violencia, de los delitos sexuales, de la impunidad ni del femicidio. Miles de mujeres y niñas han sido asesinadas en los últimos años y casi todos esos crímenes han quedado sin castigo.


Se incorporó al movimiento guerrillero de Guatemala en 1980 y se lo abandonó tras la firma de los Acuerdos de Paz, en diciembre de 1996.


Su Fundación Sobrevivientes, creada en 2003, expresa el reto de las mujeres de derrumbar el muro de la impunidad, tanto de los hechos del pasado como del presente, y lucha por cambiar el mensaje, acabar con la indiferencia y dar pasos firmes para transformar de raíz las instituciones del Estado, "que aún responden al pasado".


Partidaria de una justicia preventiva, no abandona la exigencia de una complementaria justicia reparadora, que no deje crímenes sin sanción. Su determinación, valentía y éxitos le han dado prestigio nacional e internacional y ha recibido merecidas distinciones por su tesonero trabajo. Una muestra es el Premio Internacional a las Mujeres de Coraje, otorgado este año por el Gobierno de los Estados Unidos. Otra, el que le confiere El País al incluirla entre los 100 mejores latinoamericanos del año.


Sergio Fernando Morales Alvarado es procurador de los Derechos Humanos, de Guatemala. Fotografía de Uly Marín


Fonte: Jornal El País - Espanha


sábado, 26 de dezembro de 2009

Astro de Hollywood preso por violência doméstica - por que não um boicote aos seus filmes?


25/12/2009 - 23h16
Ator Charlie Sheen é preso acusado de violência doméstica


da Associated Press, em Aspen


O ator norte-americano Charlie Sheen foi preso na manhã desta sexta-feira na cidade turística Aspen, no Colorado, sob acusação de agredir sua mulher Brooke Mueller, segundo o site RadarOnline.com.


O porta-voz da polícia de Pitkin County, para onde o ator foi levado, disse que Sheen foi preso por agressão de segundo grau, ameaça e conduta criminosa, além de violência doméstica', relataram as autoridades.


Em comunicado publicado na internet, a polícia não revela o nome da vítima e diz que ela não precisou ser levada para o hospital.


Ainda segundo o boletim, a polícia recebeu uma chamada às 8h34 (13h34, no horário de Brasília) relatando 'uma situação de violência doméstica'.


Foi estabelecida uma fiança de US$ 8.500, mas o ator só deve ser liberado após audiência com o juiz. Por causa do feriado de Natal, o tribunal local está fechado e ainda não há uma data para a audiência.


O ator interpreta Charlie, personagem solteirão, rico e mulherengo, na série 'Two and a Half Men', no Brasil é exibido pelo canal de TV a cabo Warner.


Fonte: Folha On Line


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Trens no Japão terão câmeras para combater 'mão boba'




Uma operadora ferroviária japonesa vai instalar câmeras de circuito interno em seus trens para combater a “mão boba” de alguns passageiros, que tem provocado queixas de centenas de mulheres.


Em um projeto piloto entre a empresa, East Japan Railway, e a prefeitura de Saitama, na Grande Tóquio, as câmeras serão instaladas no teto e nos compartimentos de bagagem dos trens que fazem a linha Saikyo, conhecida por atrair aproveitadores.


Segundo um porta-voz da East Japan Railway, os passageiros serão avisados de que estão sendo vigiados eletronicamente.


Os aproveitadores que viajam no transporte público são personagens frequentes na cultura popular japonesa – tanto que merecem um nome só para eles: chikan.


Uma pesquisa indicou que quatro em cinco mulheres afirmam já ter sido molestadas nos transportes, o que levou algumas companhias a instalar vagões exclusivamente femininos.


Só em Tóquio, a polícia registra a cada ano cerca de 1,5 mil queixas de mulheres que se dizem molestadas sexualmente no transporte público.


No ano passado, mais de 6 mil pessoas foram presas sob suspeita de se aproveitar sexualmente de passageiras no transporte público ou tirar fotografias sem autorização.


Fonte:Portal Uai

Agora você pode me seguir no TWITTER ....

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http://twitter.com/andresilvanews

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Nadadora Joana Maranhão - um exemplo a ser seguido


Nadadora Joana Maranhão encoraja capixabas a denunciarem abuso sexual
10/12/2009 - 13h16 (Letícia Cardoso - Redação Gazeta Rádios e Internet)


A nadadora Joana Maranhão, de 22 anos, participou de uma audiência pública sobre pedofilia na manhã desta quinta-feira (10), em Vitória. A atleta, que no ano passado denunciou ter sido abusada sexualmente pelo ex técnico quando tinha nove anos de idade, disse que o objetivo dela não é apenas contar sua história, mas sim encorajar todas as pessoas a denunciarem o pedófilo e superar o trauma.


"O mais importante agora depois de eu ter conseguido digerir o meu problema e meus traumas é tentar ajudar aqueles que ainda não conseguiram. Acho que eu não vou contribuir mais contando apenas minha história. O mais importante agora é evitar que aconteça com outras crianças o que aconteceu comigo. E no caso de não seja possível evitar, que dê um suporte a essa criança e punir o pedófilo. Eu não quero que as pessoas sintam pena de mim. Quero que elas me vejam como exemplo de pessoa que passou por isso e que conseguiu superar", disse.


Foi a primeira audiência pública que Joana Maranhão participa sobre o assunto. Ela foi convidada pela CPI da Pedofilia que aprovou na Comissão a Lei 'Joana Maranhão'. O projeto autoriza o Ministério Público denunciar qualquer tipo de suspeita de pedofilia, mesmo contra o consentimento da família da vítima. Outro dispositivo da lei dá direito a vítima de denunciar o pedófilo, mesmo ela já ter completado a maior de idade. Na próxima semana ela segue para o Senado.


De acordo com a delegada adjunta da Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente, Fabiane Alves Coutinho, de janeiro a novembro deste ano já foram registrados 280 casos de abusos sexual contra menores na delegacia. No ano passado a DPCA contabilizou 197 casos. A delegada salienta que com a divulgação destes crimes e a prisão dos acusados as pessoas estão tendo mais coragem em denunciar.


"Hoje a gente já percebe que as famílias estão procurando a delegacia antes do crime ser desvendado. As vezes há uma suspeita e ela procura a ajuda policial para tratar da questão. O aumento de casos registrados este ano não quer dizer que o crime em si aumentou. O que aumentou foi a coragem das pessoas em denunciarem", contou.


Ainda de acordo com dados da Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente, dos 280 casos registrados este ano, 163 foram contra crianças de 0 a 11 anos e 117 contra adolescentes de 12 aos 17 anos. Quanto a identidade dos pedófilos, 18 deles eram desconhecidos e 262 eram pessoas conhecidas e próximas das vítimas. A audiência pública foi realizada na Assembleia Legislativa e reunião o presidente da CPI da Pedofilia, senador Magno Malta, e representantes da sociedade na manhã desta quinta-feira.


Fonte: Gazeta OnLine

Drodas + marginalidade = Empregada doméstica é estuprada e estrangulada

Voltava para casa »
Empregada doméstica é estuprada e estrangulada no Sul de Minas
Elaine Resende - Portal Uai
Publicação: 10/12/2009 09:49 Atualização: 10/12/2009 10:27
A polícia suspeita que mais de um homem tenha participado do crime
Uma empregada doméstica casada e mãe de um menino de 10 anos foi estuprada e estrangulada, na tarde dessa quarta-feira, quando voltava do trabalho para a casa, na cidade de Machado, Sul de Minas. A polícia já começou as investigações e acredita na participação de duas pessoas no crime. A morte de Nilcinéia Francisco de Oliveira, de 36 anos, deixou estarrecida a comunidade do bairro rural do Barreirinho.
Como de costume, Nilcinéia deixou o trabalho e seguia a pé para sua casa. Algumas pessoas chegaram a passar por ela na estrada de terra por onde seguia. A demora para voltar da fazenda onde trabalhava deixou a família preocupada. Os parentes saíram à procura da doméstica e encontraram a sombrinha que ela carregava perto de uma mata fechada. Mais adiante eles viram um dos tênis da vítima. A PM foi acionada e, com a ajuda de moradores, o corpo foi encontrado a cerca de 300 metros da estrada.
Pelo trabalho feito pela perícia, ela pode ter sido atacada por mais de um homem. Ela foi arrastada para a mata, onde teve as roupas arrancadas e sofreu o estupro. Em seguida, Nilcinéia foi enforcada com um pedaço de sua própria blusa.
O delegado Cleovaldo Marcos Pereira, da delegacia de Poço Fundo, está à frente das investigações e diz que já tem algumas características dos suspeitos, mas sem a identidade deles. "A vítima foi encontrada próxima à beira do Rio Machado, um local muito frequentado por usuários de drogas. Muitos marginais passam por ali também. Nós acreditamos que seja alguém que mora na cidade", informa o delegado.
Fonte: Portal Uai

“Um dos elementos comuns em contextos de guerra e de paz é a violência contra as mulheres”

“Um dos elementos comuns em contextos de guerra e de paz é a violência contra as mulheres”

Comunidade Segura, 22 de Julho de 2009.

Feminilidade, masculinidade, segurança e insegurança em contextos de violência armada ou doméstica. Essas questões passarão a ter maior visibilidade graças ao lançamento do site do Observatório de Gênero e Violência Armada (OGiVA), uma iniciativa do Centro de Estudos Sociais (CES), de Portugal, que vem estudando o tema há alguns anos.

Tatiana Moura, do OGiVA, conversou de Coimbra com o Comunidade Segura e apontou casos específicos que foram objeto de análise do OGiVA, que acompanha o tema na Europa, América Latina e nos países africanos de língua portuguesa.

Entre as conclusões de seu trabalho, Tatiana destaca que a violência contra as mulheres e o uso de armas de fogo são dois tipos de violência que estão presentes tanto durante a guerra como em tempos de paz. Por isso, deu ênfase ao estudo dos modelos de masculinidade que não se baseam no exercício da violência. "São a maioria e os menos estudados", ponderou.

Como surgiu a ideia do Observatório de Gênero e Violência Armada e quais são
seus objetivos?
O OGiVA nasceu em outubro de 2008 como resultado de anos de pesquisa sobre questões relacionadas com gênero e violência armada. Desde 2000, o CES vem realizando pesquisas importantes neste campo, em especial o Núcleo de Estudos para a Paz. Os projetos realizados ao longo deste período - e que envolveram pesquisas no Rio de Janeiro, São Salvador, Medelim, Cidade da Praia (Cabo Verde), Bissau, (Guiné Bissau) e Lisboa - criaram a necessidade de formalizar uma linha de pesquisa e um espaço de reflexão para sistematizar a informação e colocá-la disponível ao público em geral, pensando numa plataforma de interação de pesquisas e de atuação.

Poderia falar um pouco do trabalho da organização? O OGiVA busca desenvolver estudos, análises e recomendações práticas para políticas e programas sobre feminilidade, masculinidade e (in)segurança em contextos de violência armada. Pretende, por um lado, consolidar este campo de análise em nível nacional e, por outro, construir uma plataforma de articulação de pesquisas e projetos de intervenção sobre este tema na Europa, em países africanos de língua portuguesa e em países da América Latina.

Quais foram as principais ações do Observatório nos últimos meses? Participamos de algumas ações com instituições parceiras como, por exemplo, o seminário internacional do Promundo, e sessões de debate sobre direitos humanos com o Cinema Nosso, no Rio de Janeiro. Mas podemos dizer que a nossa primeira grande iniciativa foi a pré-estréia do documentário realizado há cinco anos com o Cinema Nosso, "Luto como mãe".

Participamos também da campanha internacional da Rede de Mulheres da Iansa sobre Violência Doméstica Armada, a única no mundo dedicada às articulações entre gênero, direitos das mulheres, armas de fogo e violência armada.

De que trata o documentário? O documentário de Luis Carlos Nascimento mostra mães, irmãs e esposas que perderam os seus familiares em atos de violência armada urbana e que lidam diariamente com a desarticulação familiar, as dificuldades financeiras e o estigma.

Existe algum mecanismo para articular as pesquisas com a vida e as experiências
delas?
Não é objetivo direto do OGiVA funcionar como centro de atendimento e cuidado às vítimas. No entanto, trabalhamos de forma muito próxima com organizações que fazem isso (a Associação Portuguesa de Apoio a Vitima - Apav, por exemplo). Além disso, estamos desenvolvendo em parceria com a Apav uma pesquisa sobre violência doméstica armada em Portugal, como fizemos há uns anos no Rio de Janeiro. Por outro lado, o OGiVA tem participado de debates públicos sobre a nova lei de controle de armas em Portugal, e pretendemos avaliar uma medida incluída nessa lei para retirar a arma de agressores em casos de violência doméstica. Desta forma, acreditamos que a médio e longo prazo poderemos ter impacto na vida destas mulheres.

O Observatório se ocupa da situação das mulheres em contextos violentos da América Latina, Europa e África... A situação delas é similar apesar das distâncias e das diferenças culturais?
Sem dúvida. Acredito que a violência contra as mulheres e o uso das armas de fogo são dois tipos de violências que aproximam zonas de guerra e de paz. Ou seja, são transversais aos vários contextos e desafiam categorias pré-concebidas sobre o que é a paz e o que é a guerra.

Como assim?
Existem guerras dentro da paz, do mesmo modo que existe paz dentro das guerras. Olhando para os diferentes contextos, posso afirmar que o que varia é, na verdade, o grau de intensidade ou a escala.

Qual é a situação atual das mulheres que moram em áreas de violência armada no
Brasil?
Depende de que áreas estamos falando. A violência armada não está confinada a microespaços da sociedade. No entanto, parece que há uma hipervalorização dessa violência em comunidades mais pobres, em favelas, que tenham algum tipo de atuação do narcotráfico ou de grupos de milícias. Obviamente, aí a violência armada, direta ou latente, torna-se mais visível. Quanto à situação das mulheres nessas áreas geográficas... além de pobres, na sua maioria negras, muitas delas chefes de família, diria que estão em posição privilegiada para levarem a cabo, com os apoios necessários, ações, projetos, iniciativas, de prevenção da violência.

A violência perpetrada por grupos armados e a violência de gênero têm consequências semelhantes às que são vividas em situações de guerra?
As estratégias de controle e ameaça do inimigo e de produção do terror baseadas na construção de masculinidades dominantes e feminilidades e masculinidades subalternas têm sido amplamente analisadas em contextos de guerra. Os crimes sexuais sistemáticos, os deslocamentos forçados ou a manipulação ou perversão das percepções dos papeis de homens e mulheres com fins bélicos, são exemplos bastante conhecidos. Estas mesmas estratégias de guerra podem ser encontradas em contextos de "não guerra".

Poderia explicar?
A violência armada tem impactos específicos nas vidas de homens e mulheres em tempo de guerra ou em contextos de paz violenta. Mas, como o sexo feminino não tem sido considerado o principal grupo de risco (o que mais mata e o que mais morre), os mecanismos existentes têm sido insuficientes, tanto para a compreensão da complexidade do envolvimento das mulheres na violência armada, como para a análise da totalidade dos impactos desta violência nas suas vidas. Como consequência, as mulheres são consideradas vítimas e os homens agressores. Em tempos de guerra, as mulheres surgem como vítimas de violência armada e sexual; em tempos de paz, são exclusivamente vítimas de violência doméstica. As consequências políticas desta abordagem passam por dirigir respostas aos homens centradas na esfera pública (políticas de segurança pública e de desarmamento) e às mulheres na esfera privada (relativas a violência doméstica), como se estes dois mundos não estivessem conectados.

Poderia dar exemplos?
Há que se entender que o envolvimento de mulheres em grupos armados, como no caso do Rio de Janeiro ou no caso de São Salvador, não constitui necessariamente uma ruptura com as feminilidades tradicionais. Embora exista um espaço de negociação identitária devido ao poder que lhes é atribuído pelas armas, verifica-se que, tal como no caso do ingresso das mulheres em contextos de guerra, as funções e os papeis que lhes são atribuídos têm como base a prova da sua capacidade em desempenhar papeis tradicionalmente associados a uma masculinidade hegemônica. Caso não aconteça, os seus papeis resumem-se às tarefas de apoio à manutenção de
espaços de domínio masculino, quer no domínio privado (enquanto namoradas e esposas de membros do grupo armado), quer no âmbito das atividades a que se dedicam (transporte de armas e drogas, por exemplo).

As cidades latino-americanas são particularmente agressivas para as mulheres? Estes contextos, a que tenho chamado novíssimas guerras, assumem uma expressividade incomum na América Latina. Em muitos países da região, a paz formal e institucional não significou uma diminuição da violência, mas antes uma "democratização da violência". Em muitos países, após o final da guerra, assistiu-se a um aumento da violência social e da criminalidade armada. Neste sentido, as cidades com estas características são perigosas para homens e mulheres. No entanto, o padrão mundial repete-se: como regra geral os homens são vítimas de desconhecidos, em espaço público, e as mulheres são, em 90% dos casos, vítimas de alguém que já conheciam, normalmente no espaço privado.

Quais iniciativas positivas você destacaria em relação à queda da violência?
Diria que dois bons exemplos foram o Estatuto do Desarmamento brasileiro e a inclusão da questão das armas de fogo na lei brasileira de combate à violência doméstica.

O Observatório também se ocupa da masculinidade.... Quais pesquisas estão conduzindo nesse aspecto?
Nos estudos sobre violência armada, o que normalmente é analisado são os rostos da violência, ou seja, os jovens do sexo masculino, geralmente negros. Ora, sabemos que os jovens que aderem a um modelo violento de masculinidade não constituem a maioria. Neste sentido, considero os estudos de Gary Barker e do Instituto Promundo muito relevantes. Por um lado, temos que saber em que espirais violentas os jovens se encontram quando optam pela violência, em especial violência armada. Por outro lado, saber por que motivos não aderem à violência. Este último grupo, que opta por versões não violentas da masculinidade, constitui a maioria no mundo todo. E sobre eles, pouco se sabe. Neste momento estamos desenvolvendo uma pesquisa neste campo em Portugal, em Cabo Verde, Guiné Bissau e El Salvador.
Fonte: OGIVA

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O grito de Ana foi escutado e expressado em poesia. Por Lucas Barreto (pavonetii@hotmail.com)

Grito de Ana
Quando evitamos que joguem a primeira pedra,
Muitas mulheres são lembradas por suas feridas
Maltratadas pelos seus inimigos mais próximos,
São roubadas suas palavras que
salvariam suas vidas...
O grito de Ana nem mesmo eu escutei
Fiquei sabendo outro dia que havia morrido
Na mesma hora eu parei e pensei;
Se o mundo pelo menos havia percebido?
Esta vasta gama de problemas sem soluções,
Incrementam um leque de atrocidades
E a cultura poderia salvar todas as nações,
E infelizmente o mal transcende a realidade...
Contamos com a sensibilidade alheia,
No esforço de cada um para cada qual
Quando cuidamos da mulher o mundo nos presenteia,
Com mais dignidade do que o normal.
Agora vejo mais uma Ana morrer,
E um sonho de paz deixar de existir
E a mãe que o filho não á proteger
A sua mulher ela jamais vai sorrir...
Poema de Lucas Barreto (pavonetii@hotmail.com)
Lucas Barreto, psicólogo, poeta e modelo, foi mais um que escutou o grito de Ana. Sua poesia ecoa nessa campanha permanente contra toda e qualquer forma de violência contra a mulher. O blog "O Grito de Ana" está aberto a qualquer pessoa, homem ou mulher, que deseje se expresssar contra essa insanidade que maltrata e mata nossas mulheres, nossas famílias e nossa sociedade.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Fundo da ONU para o fim da violência contra a mulher

UN Trust Fund to End Violence against Women Announces US$10.5 Million in Grants for 13 Projects in 18 Countries

24 November 2009

United Nations, New York — The United Nations Trust Fund in Support of Actions to Eliminate Violence against Women (UN Trust Fund) will award nearly US$10.5 million in 2009 to 13 projects and initiatives that are addressing gender-based violence in 18 countries.

Resources for the UN Trust Fund fell drastically short to meet the vast demand. A total of 1,643 concept notes were received with grant requests totalling US$857 million. These figures reflect a sharp increase from previous years, both in terms of the number of applications received and the amount of funding requested. However, only 1.2 percent of the record amount requested could be met.

An average US$800,000 per grant will be awarded in 2009, US$50,000 more than the average grant awarded in 2008, and five-times the average grant awarded in 2007. The largest grants will be to Africa, where a total of five grantees shall receive an average of US$1 million per grant.

About the 2009 Grantees

New grants will support the implementation of laws and policies through better coordination of services to protect women and girls from violence in Thailand (UN Country Team), and the expansion of integrated services in Albania (Refleksione on behalf of the Albanian Network against Gender Violence and Trafficking). The Sierra Leone National Commission for Social Action will carry out recommendations of the Truth and Reconciliation Commission to assist more than 650 survivors of sexual violence through reparations.

In Cameroon, Lesotho, Namibia and Nigeria, the International Planned Parenthood Federation will pilot a model of working through sexual and reproductive health services to analyse the impacts of violence against women and girls and increase support for survivors. Save the Children will scale up a proven approach for ending female genital mutilation in Gambia, Guinea, Mali and Senegal, shifting an existing emphasis from a health to a human rights–based approach. In Uganda and six other locations in East and Southern Africa, Raising Voices will build on the award-winning SASA! (Start, Awareness, Support, Action) programme to address intersections between violence against women and HIV and AIDS.

Several new grantees will work with girls and youth. In Zambia, Equality Now will seek justice for sexually abused girls through improved laws and enforcement. In Cambodia, Youth Star will mobilize youth groups around stopping domestic violence. In Bolivia, Asociación CUNA will strengthen networks against sexual and intra-family violence to prevent violence against girls and adolescents in the municipality of El Alto. Other grantees reach out to particularly excluded groups of women and girls, including women at risk due to the global financial crisis in Cambodia (Care International), women of the Roma minority in Bosnia and Herzegovina (Prava Za Sve), and indigenous women’s groups in Guatemala (Population Council) and Mexico (UN Country Team).

Fonte: Say no to violence
http://www.saynotoviolence.org/around-world/news/un-trust-fund