terça-feira, 30 de março de 2010

Mulheres, polícia e mídia: a morte deve ser anunciada?

“A confirmação de que a mulher (Ana Carolina Menezes Assunção, 27 anos) foi vítima de um assassino em série parece não ter surpreendido William Chaves Pereira (30 anos). Ele disse que já havia esse comentário no bairro após os assassinatos de outras mulheres na região” (O Tempo, 04/02/2010).
Tenho levantado aqui e acolá certo debate com poucos amigos acerca das condições objetivas das mulheres. Venho colecionando críticas e acordos. Apesar de feliz, em certos momentos cheguei mesmo a pensar em não discutir mais a temática, haja vista que muitos têm atuado nessa empreitada e com muito mais respaldo institucional e intelectual do que eu. Contudo, há certos fenômenos que não podem passar despercebidos. Acontecimentos que, longe da crítica, parecem “estar tudo bem”, Mas, definitivamente, não estão. E, por mais que as autoridades tentem explicar com eufemismos e falas bonitas, a questão é muito séria. Muito séria mesmo e estou me referindo as recentes notícias sobre os crimes sexuais que vem acontecendo em Contagem e Belo Horizonte.
No dia 02 de fevereiro do presente ano poucos não foram surpreendidos com o chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, Marco Antônio Monteiro de Castro e o delegado da Divisão de Homicídios do Barreiro, Frederico Razzo Lopes Abelha, comentando em rede nacional a ação de um assassino no Bairro Industrial, na cidade de Contagem e no Barreiro, bairro da cidade de Belo Horizonte. O meliante, a princípio, estaria associado a três homicídios por estrangulamento, todos ocorridos no ano passado (2009).
O pessoal da polícia acredita que pode ser mais do que três mulheres, mas por enquanto eles apontam o assassinato de Ana Carolina Assunção, 27 anos, empresária que foi em abril de 2009 estrangulada no banco traseiro do seu carro com sinais de violência sexual. O ato foi tão cruel que o filho dela - uma criança de 1 ano - foi encontrado adormecido sobre o seu corpo. O segundo caso é o da empresária Maria Helena Aguilar, 48 anos, encontrada morta em setembro de 2009. O terceiro é o da contadora Edna Cordeiro, 35 anos, encontrada nas mesmas condições em novembro de 2009. Como se não bastasse, o recalcitrante tratou não somente de matar, mas com requintes de crueldade violentou as mulheres. Numa clara ação sem controle, ainda deixou o esperma no corpo das vítimas. Algo está muito errado em tudo isso: a Polícia Civil informa que não poderia ter avisado antes a população sob pena de causar pânico e transtornos nos locais que foram encontradas as vítimas. O jornal O Tempo (03/02/2009) chegou mesmo a declarar que a Polícia Civil pediu a não veiculação das informações em janeiro de 2010. Não é preciso ir longe para saber que a Polícia Civil há muito já tinha conhecimento do ocorrido. E no Barreiro, local no qual morava uma das vítimas, muitos já falavam desses acontecimentos. De duas uma: ou (1) a polícia, na tentativa de fazer o seu trabalho, preferiu omitir os fatos e ganhar tempo para prender o meliante ou (2) a questão foi tratada com menos seriedade que merece, sem muita atenção e cuidado. Por lógica, não faz sentido a questão de “não causar pânico na população”, haja vista que até as recentes pesquisas do CNT/Sensus (2010) informam que um dos problemas que mais incomodam o brasileiro é a violência/criminalidade (22,9%), mesmo com a onda de queda dos índices nos últimos anos e as notícias de novas formas de policiamento e técnicas de segurança pública.
Desculpe-me as autoridades, mas é difícil convencer alguém para não sentir medo em tais condições. A cultura do medo já está disseminada desde a década de 80. Há pouco tempo, a Revista Veja tratou de mostrar o que acontece em Minas Gerais no campo da segurança pública. Não é possível que numa análise do geoprocessamento nenhum policial se atentou para a possibilidade da ação em série de um estuprador que, por ignorância, ainda deixou o esperma na vítima. Mais que isso, há tempos a SEDES (Secretaria de Estado de Defesa Social) vem trabalhando e revelando aos quatro cantos do planeta o trabalho das AISPs (Áreas Integradas de Segurança Pública), um projeto ambicioso, no qual, na mesma região trabalham a Polícia Civil e a Policia Militar. Ao comandante da Polícia Militar e ao delegado responsável pela área são cobradas metas diante de autoridades responsáveis pela segurança reunidas no modelo IGESP (Integração da Gestão em Segurança Pública), mais ou menos o COMPSTAT norte-americano. Novamente de duas, uma: (1) ou as reuniões não têm nenhuma serventia e são feitas para mostrar informações desejáveis ao secretário de segurança, ou (2) a polícia errou em não perceber e verificar inteligentemente a “onda” de estupros, desaparecimentos e homicídios no local, denominado zona quente de criminalidade. Somente agora, depois do esperma é que as autoridades resolveram colocar a boca no trombone. E não para por aí, a questão fica mais complexa quando existe a suspeita de que uma morte e um desaparecimento podem estar associados aos casos já mencionados. O primeiro é o caso da comerciante Adina Feitor Porto, 34 anos, a qual foi atacada em 27 de janeiro de 2009, no bairro Lindeia na região do Barreiro. O segundo é do desaparecimento da estudante de direito da PUC Betim, Natália Cristina de Almeida Paiva, 27 anos, desaparecida desde outubro de 2009. Em ambos foram encontrados somente os carros das vítimas. Não é preciso ser criminólogo para perceber que existe um padrão de comportamento e uma política de segurança baseada no silêncio da mídia e das autoridades. É neste sentido que seria pedir muito não ter medo. Penso até diferente, é bom que ele exista e que a população passe a cobrar da SEDES a efetiva eficiência dos programas e projetos pró-segurança. Creio ser de suma importância o funcionamento deles: que mais viaturas passem a fazer rondas nos locais, que a rede de “vizinhos protegidos” tenha fundamento, que o Sistema Integrado de Defesa Social realmente seja integrado e que a filosofia da “Polícia Comunitária” não passe de projetos e sonhos. Não é possível que diante de tantos e tantos projetos ainda exista espaço para crimes dessa natureza e que eles, por conseqüência, ainda fiquem sem punição.
Em entrevista aos jornais, as autoridades da Polícia Civil e da Polícia Militar têm confirmado um retrato-falado do suspeito elaborado a partir de informações de uma testemunha. A Polícia Militar colocou a PM2 em ação e está monitorando os suspeitos por 24 horas, o mesmo fez a PC com seus agentes. Nessa clara confusão de cabeças batidas, uma especialista foi convidada para ajudar nas investigações. Todo esforço é válido, todavia é curioso que em meio a tantos projetos não exista pessoas gabaritadas na Polícia Civil ou mesmo a Polícia Militar para atuar em casos como esses.
Um ponto positivo está sendo a uso do DNA, pois um suspeito está nas mãos do Estado que se esforça por cruzar o DNA do meliante com os casos mencionados. É bom ver esse tipo de trabalho, mas ele apareceu somente depois do registro da proximidade dos acontecimentos com as vítimas. A pergunta mais ingênua: “não era possível detectar tais casos pelo famigerado geoprocessamento?”, “não foram discutidos tais casos nas reuniões de integração da polícia onde coronéis, majores e delegados cobram metas? Por que não se tornou uma meta verificar a ocorrência dos estupros e desaparecimentos? Alguém resolveu não dizer nada para não causar pânico ou porque se tratava de mulheres mortas em um bairro não tão nobre da capital ou de Contagem?
Muitas interrogações que a mídia e a “sociedade organizada” sequer pensaram em fazer. Provavelmente porque, em primeiro, há muito a “sociedade organizada” realmente está segura entre muros e câmeras e, em segundo, é sabido que a mídia, na maioria dos casos, é pautada pela própria polícia. No momento, as autoridades estão a declarar que após a prisão do suspeito, “nenhum outro caso de abuso sexual foi registrado na região”. Ainda bem: não deveria ter nenhum caso com ou sem a prisão do predador. O Brasil é isso: primeiro acontecem os fatos, depois vem as discussões e contam-se os corpos, principalmente no campo minado da segurança pública. Por outro lado, se a polícia estiver errada na prisão do suspeito - e espero sinceramente que não esteja - é óbvio que o predador está à solta esperando a poeira baixar. Este é um caso de relações humanas nas quais o criminoso atua na oportunidade e isto requer tempo e paciência. Uma política de segurança assentada na prevenção se faz urgentemente necessária e obrigatória naquelas localidades.
É um truísmo repetir que a população não pode ficar refém da iminência e ação de um criminoso. E não é aceitável que em pleno Estado de Direito ainda tenhamos a capacidade de esconder informações e não revelar à população o que anda acontecendo. Não vou discutir se deve ou não causar pânico casos mencionados na TV ou nos jornais. O que vale é perguntar que pânico é esse. Em que medida alguém pode afirmar ou confirmar com legitimidade que deixar a mídia mostrar tais eventos uma anomia poderemos ter. Em Minas Gerais tudo é “confidencial”, “pode atrapalhar as investigações” ou “é coisa de segredo de Estado”, como se em uma guerra estivéssemos. Solicitar informação aos órgãos de segurança de Minas Gerais requer força de vontade para enfrentar uma burocracia sem limites. Estamos longe de ver muitas das informações estampados na internet ou nos jornais. Não sei o porquê, mas Otto Lara Resende (1902-1992), um jornalista mineiro de São João Del-Rei, disse que o “o mineiro só é solidário no câncer”. Não exagero ao afirmar que “nem no câncer”, pois acontecimentos sérios como os que estão ocorrendo no Barreiro e Contagem não pararam de saltar nas bocas miúdas e a população ainda se cala na cordialidade ao invés de estar ajudando e usando os próprios aparelhos da segurança pública como o “Disque Denúncia” (181) ou o “190”. Podem culpar o descrédito que a polícia tem com boa parte da população, mas não vejo outra forma se não continuar confiando nela e torcendo para que a prevenção passe a funcionar. É necessário que o dinheiro público alocado em projetos de segurança dê resultados. Finalmente, gostaria de sugerir um novo projeto, na esteira do “Fica Vivo”. Nada de novo, somente uma espécie de “Fica Vivo para Mulheres - FVM”. Um projetinho pequeno para atender mulheres violentadas, estupradas, espancadas, parentes de desaparecidos, vítimas de predadores sociais e todas àquelas que temem por sua vida e dos seus. O fato é simples, é porque tenho mulheres em minha vida e amo tanto elas quanto à todas que se deram o trabalho de ler o meu texto.
Lúcio Alves de Barros – mestre em sociologia e doutor em Ciências Humanas pela UFMG. Organizador do livro, “Mulher, política e sociedade”. Brumadinho/Belo Horizonte: Ed. ASA, 2009.
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública

domingo, 28 de março de 2010

Jovem é preso após abusar de mulher na Grande BH

Thiago Ventura - Portal Uai
Um homem foi preso na manhã deste domingo suspeito de estupro em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com a Polícia Militar, o suspeito abusou de uma mulher de 24 anos e assediou outras duas mulheres, uma delas de 16 anos. Ele foi capturado na avenida João César de Oliveira, no bairro Novo Eldorado.
Romário Silva Henrique, de 21 anos, teria abordado a vítima por volta das 6h10. Ele portava uma pedra na região da cintura e ameaçou a vítima dizendo que estava armado. A mulher cerca de 40 minutos sob poder do criminoso, que não aõ conseguiu manter relações sexuais com ela. No entanto, forçou a vítima a beijá-lo e acariciou partes íntimas da mulher.
A vítima acionou a polícia que iniciou rastreamento do suspeito. Após libertá-la, Romário ainda abordou outras duas mulheres na região do Novo Eldorado. Um militar à paisana desconfiou das atitudes do homem, ao passar pela avenida João César de Oliveira, e solicitou reforço. Militares do 39º batalhão foram até o local e prenderam o suspeito. Ele confessou o abuso e foi autuado por estupro. Romário foi conduzido à 6ª Seccional da Polícia Civil, onde a ocorrência foi registrada.
Fonte: Portal Uai

segunda-feira, 8 de março de 2010

Parabéns pelo Dia Internacional das Mulheres













A 100 anos, 8 de março de 1910, a ONU cria o Dia Internacional das Mulheres em consequência a uma manifestação de operárias que deu início a luta pelos direitos das mulheres em 1857. Durante esse período grandes foram as conquistas das mulheres por dignidade, respeito, oportunidade de trabalho, direitos sociais e especialmente poder se levantar contra a opressão da violência, em especial a doméstica.

Este blog vem parabenizar cada mulher por esse dia tão importante, e insintimos em levantar mais alta a bandeira da não-violência, do respeito, do reconhecimento da mulher como ser humano que tem direito a oportunidades, proteção, de não viver para servir sob a opressão e de ser feliz longe qualquer discriminação e preconceito.

André Silva

Dia Internacional da Mulher

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em a 8 de Março tem origem nas manifestações femininas por melhores condições de trabalho e direito de voto, no início do século XX, na Europa e nos Estados Unidos. A data foi adoptada pelas Nações Unidas, em 1975, para lembrar tanto as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres como as discriminações e as violências a que muitas mulheres ainda estão sujeitas em todo o mundo.

Desde então, a data também tem sido utilizada para fins meramente comerciais, perdendo-se parcialmente o significado original.
Origem
A ideia da existência de um dia internacional da mulher foi proposta na virada do século XX, no contexto da Segunda Revolução Industrial, quando ocorre a incorporação da mão-de-obra feminina em massa, na indústria. As condições de trabalho, frequentemente insalubres e perigosas, eram motivo de frequentes protestos por parte dos trabalhadores. As operárias em fábricas de vestuário e indústria têxtil foram protagonistas de um desses protestos contra as más condições de trabalho e os baixos salários, em 8 de Março de 1857, em Nova Iorque.
Muitos outros protestos ocorreram nos anos seguintes, destacando-se o de 1908, quando 15.000 mulheres marcharam sobre a cidade de Nova Iorque, exigindo a redução de horário, melhores salários e direito ao voto.

O primeiro Dia Internacional da Mulher foi celebrado em 28 de Fevereiro de 1909 nos Estados Unidos da América, por iniciativa do Partido Socialista da América.

Em 1910, ocorreu a primeira conferência internacional de mulheres, em Copenhaga, dirigida pela Internacional Socialista, quando foi aprovada proposta da socialista alemã Clara Zetkin, de instituição de um dia internacional da Mulher, embora nenhuma data tivesse sido especificada. No ano seguinte, o Dia Internacional da Mulher foi celebrado a 19 de Março, por mais de um milhão de pessoas, na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça.
Poucos dias depois, a 25 de Março de 1911, um incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist mataria 146 trabalhadores - a maioria costureiras. O número elevado de mortes foi atribuído às más condições de segurança do edifício. Este foi considerado como o pior incêndio da história de Nova Iorque, até 11 de setembro de 2001. Para Eva Blay, é provável que a morte das trabalhadoras da Triangle se tenha incorporado ao imaginário coletivo como sendo o fato que deu origem ao Dia Internacional da Mulher.

Na Rússia, as comemorações do Dia Internacional da Mulher foram o estopim da Revolução russa de 1917. Em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro pelo calendário juliano), a greve das operárias da indústria têxtil contra a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que resultaram na Revolução de Fevereiro. Leon Trotsky assim registrou o evento: “Em 23 de fevereiro (8 de março no calendário gregoriano) estavam planejadas ações revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este ‘dia das mulheres’ viria a inaugurar a revolução”.
Após a Revolução de Outubro, a feminista bolchevique Alexandra Kollontai persuadiu Lenin para torná-lo num dia oficial que, durante o período soviético permaneceu numa celebração da "heróica mulher trabalhadora". No entanto, o feriado rapidamente perderia a vertente política e tornar-se-ia numa ocasião em que os homens manifestavam a simpatia ou amor pelas mulheres da vida —; uma mistura das festas ocidentais do Dia das Mães e do Dia dos Namorados, com ofertas de prendas e flores dos homens às mulheres. O dia permanece como feriado oficial na Rússia, bem como na Bielorrússia, Macedónia, Moldávia e Ucrânia).

Quando a Tchecoslováquia integrava o Bloco Soviético (1948 - 1989), esta celebração foi apoiada pelo Partido Comunista da Tchecoslováquia, e foi gradualmente transformando-se em paródia. O MDŽ (Mezinárodní den žen, "Dia Internacional da Mulher" em checo) era então usado como instrumento de propaganda do partido, que esperava assim convencer as mulheres de que considerava as necessidades ao formular políticas sociais. Durante as últimas décadas, o MDŽ acabou por se tornar uma paródia de si próprio. A cada dia 8 de março, as mulheres ganhavam uma flor ou um presentinho do chefe. Assim, o propósito original da celebração perdeu-se completamente. A celebração ritualística do partido no Dia Internacional da Mulher tornou-se estereotipada e era mesmo ridicularizada pelo cinema e pela televisão, na antiga Checoslováquia. Após o colapso da União Soviética, o MDŽ foi rapidamente abandonado como mais um símbolo ridicularizado do antigo regime.

No Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado durante as décadas de 1910 e 1920, mas esmoreceu, sendo revitalizado pelo movimento feminista da década de 1960.

1975 foi designado como o Ano Internacional da Mulher,
Fonte:Wikipedia

Caso de Ana Carolina - Delegado entrega inquérito e pede prisão preventiva do maníaco

Elaine Pereira - Portal Uai
Homicídio triplamente qualificado, estupro e furto. Estes são os crimes pelos quais Marcos Antunes Trigueiro, o serial killer de Contagem, será indiciado. Todos estão descritos no inquérito entregue na tarde desta segunda ao Tribunal do Júri, no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, pelo delegado Frederico Abelha. O documento é a conclusão da investigação da morte de Ana Carolina Assunção, de 27 anos, assassinada no dia 16 de abril de 2009, em um lote vago no bairro Alto dos Pinheiros, na frente do filho de um ano.
No inquérito, o delegado reúne todas as provas contra o maníaco, entre elas a identificação do sêmen no corpo da vítima e o celular recuperado, que tinha sido vendido.
Só com os qualificadores de homicídio - motivo torpe, uso de asfixia e meio que impossibilita a defesa da vítima - a pena de Marcos Trigueiro pode chegar a 30 anos de prisão. O maníaco é assassino confesso de cinco mulheres e está sendo investigado por outros crimes.
Mais de 50 pessoas foram ouvidas durante a investigação. O inquérito tem 400 páginas e foi concluído depois de 11 meses. Anexo ao documento foi encaminhado um pedido para que a justiça converta a prisão temporária do indiciado em prisão preventiva.
(com informações de Daniela Vargas/TV Alterosa)
Fonte: Portal Uai

sexta-feira, 5 de março de 2010

André Silva/Artigo - Mulher, denuncie seu agressor!!

Nos dois primeiros meses de 2010 o Disque Direitos Humanos de Minas Gerais registrou um aumento de 150%, em relação aos dois primeiros meses de 2009, nas denúncias de violência contra a mulher. Segundo a matéria veiculada no Portal Uai do dia 04/03/10, esse disque denúncia tem sido usado com mais frequência pelas mulheres, especialmente após a iniciativa do governo mineiro de se empenhar na luta contra toda forma de violência contra a mulher lançando em 2008, a Campanha “Fala Mulher”.
Segundo o site da Anistia Internacional, em fevereiro três mulheres na Malásia foram açoitadas dentro da prisão com varas como castigo por terem cometido adultério. No Yemen, segundo um relatório também da Anistia Internacional do dia 25 de novembro de 2009, as mulheres sofrem sistemáticamente violência doméstica e descriminação. O relatório acusa as leis yemenses e a prática tribal local de considerar a mulher como segundo plano.
No mundo centenas de mulheres são vítimas das diversas formas de violência de gênero. Violências que vão da agressão psicológica à queimaduras com ácido, como acontece nas regiões tribais do Paquistão. Essa violência não se limita a níveis de escolaridade, níveis sociais, a países pobres, em desenvolvimento ou desenvolvidos. É uma violência, que como um câncer, está e todos os lugares.
O aumento de 150% nas denúncias de violência contra a mulher em Minas Gerais se deve especialmente à campanha “Fala Mulher”. Acredita-se que em reação à campanha veiculada e a confiança que a rede de proteção à mulher tem conquistado, as mulheres estão denunciando as agressões com confiança e esperança de uma solução. Devido às leis islamicas da sharia e os costumes tribais, as mulheres da Malásia e do Yemen não tem a oportunidade que a mulher brasileira, não somente a mineira, hoje possui de denunciar e se refugiar em estruturas estaduais e não-governamentais em busca de um fim para a violência que sofrem.
É bem certo que muito há o que se fazer para atender as regiões distantes do país, para prevenir a agressão, para impedir que o agressor cumpra as ameaças, mas nada comparado ao que as yemenses e malasianas estão sofrendo nesse momento. Para que a lei seja experimentada, para que possa haver mudanças e melhorias na luta contra toda a forma de violência contra a mulher, as brasileiras tem que denunciar seus agressores. Há que se estimular a consciência da não-tolarância a esse tipo de violência.
A violência doméstica, especialmente, é um ciclo que deve ser quebrado pela mundança de comportamento gerada pela mudança de pensamento. A mudança do olhar do homem-agressor sobre a mulher deve ser estimulada de forma a evitar a violência como opção na resolução de conflitos conjugais. O álcool e as drogas são, em certos agressores, tecla de acionamento dessa violência direcionada a mulher. Há muito o que se fazer mas se não houver a denúncia para que o Estado seja acionado haverá poucos avanços e o medo, a violência e a impunidade dos agressores ainda estarão presentes na vida de centenas de mulheres.
André Silva

Vitória/ES - Estuprador se passa por agente da dengue para atacar mulheres


Amanda Monteiro - Da Redação Multimídia


Fingindo ser um agente de combate à dengue, um estuprador entrou na casa de duas mulheres, as rendeu, as violentou e ainda roubou pertences do local.


Na segunda-feira (01), ele entrou no apartamento de uma mulher, no Centro de Vitória, por volta das 11 horas. O prédio não tinha porteiro. Ele estava vestido com calça jeans e camiseta branca, usava uma bolsa de lado e um crachá. Disse que era um agente de combate à dengue e pediu para olhar a tabela onde fica marcada a última visita.


No cômodo, rendeu a moradora - que estava sozinha em casa - e a ameaçou com uma tesoura. Vendou os olhos dela e prendeu a boca da vítima com uma blusa. Deixou a mulher deitada em um colchão. Em seguida percorreu os cômodos do apartamento e selecionou o que iria roubar: um notebook, uma máquina fotográfica, R$ 150 em dinheiro e algumas joias. Logo depois, estuprou a moradora mais de uma vez, além de obrigá-la a praticar sexo oral.


Depois de quatro horas e meia, ele trancou a vítima dentro da casa e foi embora em silêncio. Quando ela percebeu que ele não estava mais lá, gritou por socorro. A polícia precisou arrombar a porta do apartamento.


No local, o estuprador deixou uma carteira com documentos de duas vítimas. Ele furtou quatro carteiras de médicos residentes, pela manhã, no Hospital Santa Casa de Misericórdia, em Vitória.


As câmeras do circuito de segurança registraram a imagem do criminoso, possibilitando que o estuprador fosse reconhecido pelas vítimas.


Na quarta-feira (03), o estuprador agiu novamente, da mesma forma como no Centro, mas dessa vez em Jardim da Penha, Vitória. Também em um prédio que não tinha porteiro, se passando por agente.


Ele é moreno escuro, forte, tem um sotaque mineiro, aproximadamente 1,75 metros, cabelos pretos e crespos, aparenta ter entre 30 e 35 anos. Quem tiver alguma informação, pode ligar anonimamente para Disque-Denúncia 181.


Identifique o agente da dengue


A Prefeitura de Vitória destaca que todos os agentes de combate à dengue que atuam no município trabalham uniformizados e portam um crachá de identificação da Secretaria Municipal de Saúde (Semus), com foto. Os uniformes possuem símbolos da prefeitura. A orientação da Prefeitura de Vitória é que o morador observe se o agente está uniformizado adequadamente e exija sua identificação. Em caso de dúvida, ligue para o telefone 3215-2257.


Agentes de combate á dengue


- Camisa bege, com mangas azul escuro e símbolo da prefeitura


- Crachá na vertical, com foto, nome e demais especificações


Agentes de controle de zoonoses


- Camisa verde claro, com símbolo da prefeitura


- Crachá na vertical, com foto, nome e demais especificações


Fonte: Gazeta on Line

Denúncias de crimes contra mulheres crescem 150%

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, os números do serviço de denúncia Disque Direitos Humanos mostram que mulheres vítimas de agressões, maus-tratos, ameaças, estupro e assédio sexual estão recorrendo cada dia mais ao 0800-0311119, do Governo de Minas. O serviço, que é gratuito e preserva a identidade do denunciante, recebeu, nos dois primeiros meses de 2010, 20 denúncias. Isso representa um crescimento de 150%, quando comparado com as oito denúncias feitas em igual período de 2009. Ao longo de 2009, 102 ligações de crimes contra mulheres foram recebidas. Aumento de 149%, diante das 41 denúncias feitas em 2008.
O Disque Direitos Humanos tem se tornado aliado das mulheres mineiras nos últimos anos, especialmente a partir de 2008, quando o Governo de Minas lançou a Campanha Fala Mulher. Mensagens veiculadas nas diversas emissoras de rádio de Minas incentivavam as mulheres a denunciarem agressões usando o serviço gratuito. A campanha foi veiculada durante o mês de outubro de 2008 e será relançada este ano.A subsecretária de Direitos Humanos da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), Maria Céres Pimenta, diz que três fatores são decisivos para esse crescimento. “Percebemos o aumento das denúncias por três motivos: o Disque tem se tornado um instrumento cada vez mais conhecido em todo o Estado; as pessoas têm mais consciência da importância da denúncia e elas confiam na possibilidade de responsabilização do agressor”, explicou.
Criado em 2000, O Disque Direitos Humanos é mantido 100% com recursos do Tesouro Estadual e faz atendimento telefônico e monitoramento de denúncias de todos os tipos de violações de direitos humanos.
Outras ações
Segundo Eliana Piola, coordenadora Especial de Políticas Públicas para Mulheres da Sedese, além da campanha, o importante é fortalecer os serviços prestados às mulheres. “Não adianta só receber as denúncias. É preciso articulação entre delegacias, defensorias e promotorias para que as mulheres recebam atendimento adequado. Para isso, estamos equipando delegacias, capacitando agentes e assistentes sociais para que eles possam dar continuidade e uma possível solução a cada denúncia recebida”, explicou.
O Governo de Minas, por meio da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para Mulheres (Cepam), também investe na construção de Centros de Referência da Mulher. Os centros prestam atendimento psicossocial e jurídico às mulheres vítimas de violência e também desenvolvem ações de qualificação profissional, para reintegração no mercado de trabalho da mulher.
Os centros estão instalados nos municípios de Poços de Caldas, Pirapora, Belo Horizonte, Uberlândia, Betim, Divinópolis, Pouso Alegre, Uberaba, Governador Valadares e Contagem. Cada um deles tem capacidade para atender, em média, 120 mulheres ao mês. Mais dois centros estão em construção, nas cidades de Jequitinhonha e Buritis e devem ser entregues à população ainda este ano.
Melhores condições
Para melhorar o atendimento nas delegacias especializadas de Minas Gerais, o Governo de Minas entregou, nessa quinta-feira (3), vários equipamentos para 41 delegacias especializadas. A iniciativa faz parte das ações do Pacto de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, do governo federal, que conta com parceria do Governo de Minas.
Foram entregues máquinas de fotocópia, computadores, máquinas digitais, televisores, filmadoras, computadores, aparelhos de fax, armários, rádios comunicadores, 37 motos e 12 automóveis Fiat Uno. O investimento foi de R$ 1,25 milhão, sendo R$ 1 milhão do governo federal e R$ 250 mil do Governo do Estado.
A data
Em 8 de março de 1.857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, como redução na carga horária, equiparação de salários com os homens e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.
A manifestação foi reprimida com violência e as mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Cerca de 130 tecelãs morreram carbonizadas. No ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o dia 8 de março passaria a ser o Dia Internacional da Mulher, em homenagem às mulheres que morreram em 1857. Somente no ano de 1975, por meio de um decreto, a data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU).

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

"O Grito de Ana" compartilha o sentimento de justiça pela prisão do assassino de Ana Carolina de Menezes. Fim da impunidade!!


Este blog foi criado para que se continue a balançar a bandeira da luta contra toda forma de violência contra a mulher nesse país e no mundo. Ana Carolina de Menezes é essa baneira. A quase um ano atrás Ana Carolina foi assassinada brutalmente. Após ela outras mulheres foram encontradas mortas e as investigações da Polícia Civil de Minas Gerais indentificaram que o assassino seria um serial killer.


Essa semana foi preso esse serial killer. De forma exemplar houve uma resposta à sociedade por parte do poder público. À Polícia Civil de Minas Gerais meus parabéns.


Mas o problema não acaba aqui. Quantas Ana Carolinas estão sendo mortas, violentadas, espancadas, humilhadas pelos seus maridos, filhos, parceiros, namorados e homens que possuem o prazer de infligir dor a uma mulher?


O assassino de Ana Carolina está preso. A família para sempre vai carregar a dor da perda traumática. Mas, a justiça, nesse caso foi feita. É uma questão de respeito à família de Ana Carolina, às leis que regem nossa sociedade, às mulheres que lutam para vencer essa violência e a todas as demais famílias que choram a perda de suas mulheres por esse tipo de violência.


Não conheçi a Ana Carolina e nem conheço a sua família. A eles o meu sentimento de conforto nessa via dolorosa que a muitos meses os vem torturando. Que a impunidade não continue sendo uma realidade para as centenas de mulheres que são agredidas diariamente, algumas até a morte.

De alguma forma acredito que "O Grito de Ana" tem contribuido para a eliminação dessa barbárie que é a violência contra a mulher e, como criador desse blog, também me sinto justificado com a prisão desse assassino. A impunidade não imperou.

André Silva

Serial killer que matou Ana Carolina de Menezes foi preso debaixo da cama, diz polícia


Serial killer foi preso debaixo da cama, diz polícia

Na casa do maníaco, em Contagem, a polícia encontrou dois celulares, um deles seria da quarta vítima do homem


Alexandre Vaz - Portal Uai
Elaine Resende - Portal Uai


Marcus Antunes Trigueiro, de 32 anos, casado, cinco filhos e atualmente desempregado. É essa a identificação do maníaco sexual divulgada no final da manhã desta quinta-feira pela Cúpula da Polícia Civil, no Departamento de Investigações, Região Centro-Sul de BH. Ele foi preso por volta das 7h de quarta-feira, no Bairro Industrial, em Contagem. Pelos exames de DNA, a polícia confirmou que Marcus estuprou e matou três mulheres na região onde morava.

O delegado responsável pela investigação, Frederico Abelha, disse que, nas últimas semanas, a polícia investigava três suspeitos. Com o rastreamento dos celulares das vítimas, a polícia conseguiu identificar onde o maníaco morava.


Ao chegar à casa dele, na Rua Equador, número 51 A, Bairro Industrial, os policiais encontraram o suspeito escondido debaixo da cama. Com a mulher dele, foram achados três telefones queimados. Graças ao número de série dos aparelhos, os investigadores os identificaram como sendo das vítimas. Dois celulares já foram identificados como sendo da contadora Edna Cordeiro de Oliveira Freitas, morta em 11 de novembro, e da universitária Natália Cristina de Almeida Paiva, assassinada em 7 de outubro e que pode ter sido a quarta vítima de Marcus. A polícia aguarda o resultado da perícia no terceiro aparelho.


Segundo a Polícia Civil, ele já havia sido preso por furto, em maio de 2005, mas conseguiu fugir. Em setembro do mesmo ano ele foi recapturado e cumpriu o total da pena.


O delegado informou que, no momento da prisão, o suspeito permaneceu calado, em atitude fria. Em função disso, a mulher acabou sendo presa também por estar de posse dos celulares. Segundo Frederico Abelha, ela não deve permanecer presa por muito tempo. Em depoimento, ela teria dito que não acreditava que o marido seria o serial killer. Ela, porém, admite que o marido vinha agindo de forma estranha desde o ano passado. Segundo ela, ele não dormiu em casa em vários dias.


Frederico Abelha informou que o laudo conclusivo deve sair em 30 dias, mas o prazo pode ser prorrogado. Assim que ficar pronto, ele será encaminhado à Justiça e ao Ministério Público.


(com informações de Sílvia Dalben/Portal Uai)


Fonte: Portal Uai


Polícia confirma prisão de serial killer que matou Ana Carolina


Polícia confirma prisão de serial killer de Contagem
Alexandre Vaz - Portal Uai


A Polícia Civil confirmou nesta quinta-feira que o homem preso na Departamento de Investigações (DI) da Polícia Civil, em Belo Horizonte, é o maníaco que violentou e estrangulou pelo menos três mulheres na região do Bairro Industrial, em Contagem, na Grande Belo Horizonte.


Segundo informações da reportagem do jornal Estado de Minas, em depoimento, o rapaz já teria confessado os crimes. Ele foi preso nessa quarta, por volta de meio-dia. O suspeito aparenta ter de 25 a 30 anos, mede de 1,86m, tem olhos castanhos esverdeados, pele clara, cabelos lisos e, conforme um policial que atuou na investigação, “é boa pinta”.


Há informações também de que a mulher do suspeito também tenha sido detida, no momento da prisão do rapaz. Segundo um policial civil, haveria um mandado de prisão em aberto contra ela relativo a outro crime, não relacionado com as mortes do serial killer.

(com informações de Liliane Luchin/TV Alterosa, Paulo Henrique Lobato/Estado de Minas, Pedro Ferreira/Estado de Minas e Pedro Rocha Franco/Estado de Minas)


Fonte: Portal Uai

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

ENTREVISTA exclusiva da cineasta Geysa Chaves ao blog "O Grito de Ana" sobre os documentários "Se eu não tivesse amor" e "Ocupação"




André Silva - blog "O Grito de Ana"

Em entrevista exclusiva concedida ao blog "O Grito de Ana", a cineasta e documentarista Geysa Chaves fala sobre os documentários em fase de produção ,"Ocupação" e "Se eu não tivesse amor", e sobre os planos futuros de escrever um livro e produzir um longa de ficcão.

Advogada e estudante de Direção de Cinema da Escola de Cinema Darcy Ribeiro - Instituto Brasileiro do Áudiovisual, Geysa Chaves, que mora no Rio de Janeiro, aborda em seu trabalho "Ocupação" a falta de continuidade dos programas sociais após a ocupação da favela Tavares Bastos pelo Batalhão de Operações Especiais da PMRJ (Bope) que tem privado aquela comunidade de melhoria na qualidade de vida, oportunidades e dignidade.

O documentário "Se eu não tivesse amor" é uma bela abordagem sobre a realidade de cinco mulheres que cumprem pena no presídio Talavera Bruce no Rio de Janeiro. Geysa debate a questão da ressocialização, do preconceito e da valorização dos ser humano atravéz de uma abordagem humanizada da vida dessas personagens reais.

A cineasta também fala do projeto de escrever um livro (alguns techos do livro estão no final da entrevista) e produzir um longa de ficção sobre o documentário "Se eu não tivesse amor" e diz estar aberta a propostas de EDITORAS para o livro e de TV´s abertas, fechadas para o documentário e produtores para o futuro longa de ficção.

A valorização da mulher é um dos objetivos desse blog que busca promover o fim de toda e qualquer forma de violência contra a mulher, no âmbido doméstico ou não. É nesse contexto de valorização que o blog "O Grito de Ana" entrevistou a cineasta Geysa Chaves.


André Silva: O que é o “Cinema Social”?
Geysa Chaves: Na minha visão, é discutir temas sociais a partir do audiovisual. Existem temas que pela própria natureza os governos e a sociedade muitas vezes fingem quem não existem, então trazer tais temas à evidência é importante para as pessoas de uma maneira geral procurar fazer uma reflexão sobre eles e exigir mudanças de postura.

André Silva: O seus dois documentários “Ocupação” e “Se eu não tivesse amor” focam as questões sociais, a partir de quem momento você decidiu enquanto cineasta investir no Cinema Social e por que?
Geysa Chaves: Minha preocupação é com assuntos atuais. Assuntos que estão dia a dia no noticiário. Contudo, às vezes as mídias, em função do compromisso com a audiência, divulgam tais informações de uma maneira tendenciosa, e por isso acho importante que as pessoas possam conhecer os dois lados.

André Silva: Uma mulher á frente de uma equipe subindo em uma favela, ainda que considerada segura, e entrar em um presídio feminino para produzir um documentário, na sua opinião, representa uma conquista de espaço quanto às questões sociais das mulheres como um todo? Houve alguma dificuldade durante a produção dos dois documentários que você atribuiria ao preconceito de gênero? Geysa Chaves: Acho que a mulher ainda é muito tímida. Sempre fui buscar a realização dos meus ideais. Nunca olhei se era mais propenso a homens. No caso desses dois trabalhos, não enfrentei qualquer tipo de preconceito, até porque na TAVARES BASTOS - QG do BOPE/RJ, muitas matérias já foram realizadas lá para TV´s do Brasil e do exterior e muitas as entrevistadoras em vários casos eram mulheres. Quanto ao presídio, a minha experiência como advogada (embora eu nunca tenha atuado na área criminal) me ajudou muito. Por ser advogada e conhecer meus direitos fui menos hostilizada por funcionários da unidade, mas não escapei de pressão psicológica, tanto que em função de determinado abuso de autoridade tive que representar contra dois funcionários junto a Secretária de Estado de Administração Penitenciária e a Corregedoria local. Depois disso entendi porque só existem filmes de ficção acerca de temas relacionados a presídios. Documentários, se existem são poucos, mas desconheço, acho que não tem.


André Silva: Como surgiu a idéia de fazer o documentário “Ocupação” e o que pretende discutir?
Geysa Chaves: Fala-se muito em UPP´s – Unidade de Polícia Pacificadora. O Governo do Estado em 2009 lançou uma campanha em vídeo em que a polícia subia o morro correndo com a viatura e em seguida ocorria uma fusão de imagens com a realização de obras e o povo sorrindo, seguindo-se da imagem do policial no topo do morro sorrindo.
A leitura é: polícia invade, ocorrem obras e melhorias, povo feliz e polícia no topo, mandando.
Com base nisso resolvi visitar a TAVARES BASTOS – QG do BOPE/RJ que é a OCUPAÇÃO mais antiga e realizada no Governo ANTONY GAROTINHO.

A ocupação data de 09 anos, e depois disso, o único braço do Estado lá é a polícia, o BOPE, mas não tem 1 posto de saúde, não tem nenhuma escola municipal ou estadual, em fim, não tem nada e são 6.800 moradores.

Acho que seria legal o povo saber disso antes da eleição.

André Silva: No documentário “Ocupação”, você levanta questão da não continuidade das políticas sociais após a ocupação permanente da favela Tavares Bastos pelo Bope, como você avalia os efeitos dessa falta de continuidade na comunidade?
Geysa Chaves:
Decepção. O morador sabe que a questão é política e se sente usado pelos políticos que sempre prometem e não cumprem nada. Essa consciência de que os políticos são sem caráter é forte lá. O morador mais velho já perdeu a esperança e o morador jovem sonha que ainda pode haver mudanças, mas também acha meio utópico sua forma de pensar, ante a tudo o que vê.

André Silva: O documentário “Ocupação”, que levanta questões sobre as políticas públicas não implementadas após pacificação com a instalação de um batalhão do Bope dentro do favela Tavares Bastos, traz um alerta sobre as Unidades de Polícia Pacificadora. Na sua opinião o que deveria ser feito para que as Unidades de Polícia Pacificadora não se torne somente mais uma política de ocupação?
Geysa Chaves: A experiência com o BOPE deu muito certo. A população local nem pensa na possibilidade do BOPE sair de lá, porque sabe que se eles saírem no dia seguinte volta o tráfico. Contudo, existem lá projetos privados que chegaram a comunidade através do BOPE, por ser uma polícia respeitada, a mais respeitada, ou a única respeitada pela massa no RJ, então os jovens, as crianças ainda tem alguma coisa para fazer, como artes marciais, onde um policial do BOPE dá aula para os jovens e crianças.

A comunidade também recebe ajuda do BOPE em emergências médicas, e em função dessa ocupação do BOPE que gerou tranqüilidade, a comunidade passou a ser referência de locação para cinema nacional e internacional e também TV.

Lá foram filmados O INCRÍVEL HULK; A LEI E O CRIME; XUXA; VIDAS OPOSTAS, força tarefa, clipe do SNOOP DOG, e outros. Em função disso já teve projeto privado de escola de cinema com patrocínio da PETROBRÁS e também tem uma escolinha de VOLEY do BERNARDINHO com apoio do BANCO DO BRASIL, mas nada vindo do Governo do Estado, e isso tudo dito pelos próprios moradores.

Não adianta só a UPP. Para que a vida do morador de comunidade seja mudada é necessário investimento público em educação, cultura e toda área social, em especial oportunidades de trabalho dentro e fora da comunidade. Se não houver isso, o bandido sai de lá e vai aterrorizar em outro lugar. A polícia se instala e a vida do morador não muda, só passam a ter a garantia do sossego apenas.


André Silva: Após vários contatos com moradores da favela Tavares Bastos, na sua opinião, qual foi a percepção deles quanto a política de ocupação com a implantação do batalhão do Bope e a não continuidade das demais políticas sociais?
Geysa Chaves: Há quem goste do BOPE e há quem não goste. Quem não gosta é porque não gosta de ter que dar satisfação a ninguém, isto é, quer uma liberdade além dos limites de conivência social normal. Mas a maioria ver a presença do BOPE lá como fundamental, se orgulham disso, de viver numa favela tranqüila onde podem dormir com janelas abertas, etc. Mas lamentam o fato do Estado e da Prefeitura não fazer nada por eles em termos de saúde, educação e cultura. Se sentem abandonados pelo poder público. É a mais perfeita definição dos DOIS MUNDOS que falo na narrativa do documentário.

André Silva: Como surgiu a idéia de fazer o documentário “Se eu não tivesse amor” que retrata o drama e os conflitos vividos a por cinco mulheres que cumprem pena no presídio Talavera Bruce no Rio de Janeiro?
Geysa Chaves: Vinha acompanhando notícias quase que diárias de mulheres sendo presas porque o namorado, marido ou companheiro era do mundo do crime, e as mulheres eram envolvidas nos crimes dos mesmos.

Passado um tempo, fui convidada por um pastor evangélico para ir num evento nessa unidade prisional ver o trabalho dele de evangelização com elas.

Chegando lá, me surpreendi com uma cadeia que nunca me mostraram, com fábricas, cursos, escola de primeiro e segundo grau e acesso ao vestibular/ENEM, reunindo todas as condições de ressocialização do detento. Não havia superlotação. As celas são individuais, e as poucas coletivas são para 8 ou 32 detentas, mas cada uma com sua cama e suas coisas pessoais.

PENSEI: Por que ninguém jamais mostrou isso tudo?

Passei a ir algumas outras vezes com ele e resolvi registrar tudo numa espécie de diário que vai virar livro.

Quando decidi que queria mostrar aquele tipo de cadeia, pense: Quero contar essa história, mas preciso de personagens porque não posso falar só da cadeia porque senão é uma mera reportagem.
Decidi que o foco dramático seria mulheres que foram condenadas em função dos relacionamentos amorosos com homens do mundo do crime, já que conversando com 10 mulheres, 9 se diziam lá em função dos crimes desses homens.


André Silva: Você escolheu cinco mulheres como personagens do documentário “Se eu não tivesse amor”. Quais foram os critérios que fizeram dessas mulheres personagens?
Geysa Chaves:

1 – Mulheres fortes, dispostas a contar suas histórias para seus futuros espectadores ou telespectadores sem se fazer passar por coitadinhas, assumindo seus atos;

2- Mulheres bonitas, fora do esteriótipo de cadeia, para que a sociedade possa se identificar com elas e assim prestar atenção no problema social vivido por essas moças, e por muitas outras que não estão presas, ainda;
3 – Moças que fossem capazes de convencer pelas próprias histórias e comportamento na prisão, que todo ser humano merece nova oportunidade, e que são capazes de mudar, mas dependem da oportunidade dada pela sociedade.

André Silva: No seu documentário “Se eu não tivesse amor”, você realizou uma abordagem humana, que valorizasse as mulheres e não os seus crimes. Na sua opinião, o que mais dificulta quanto a ressocialização?
Geysa Chaves: O preconceito da sociedade. Por não dar oportunidades ao detento ou ao ex-detento, a sociedade criou para essa população uma pena de prisão perpétua que a nossa Constituição da República não estabeleceu.

Embora Constituição diga que “não há pena sem prévia cominação legal”, a sociedade condena essa população carcerária a terminar os seus dias no cárcere. Sim, porque se você não dá oportunidades de uma nova inserção social, o que a pessoa que já tem uma espécie de rótulo eterno de ex-presidiário vai fazer da vida?

Enquanto esse preconceito não for quebrado, essa ressocialização se torna mais difícil. Valorizar mais o ser humano que o crime nesse documentário faz a sociedade ver de forma diferente. O fato delas serem bonitas e novas também faz a sociedade ter interesse em ajuda-las e entender seus problemas. Quebra esse esteriótipo de população carcerária faz quebrar um pouco do preconceito.
Veja a campanha do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Eles também saíram do esteriótipo de cadeia senão as pessoas desligam a TV na hora do comercial ou mudam de canal.


André Silva: No seu blog (www.geysachaves.blogspot.com) você registra momentos em que as detentas participaram de concursos de beleza, desfiles e seção de fotos. O que o documentário “Se eu não tivesse amor” pretende dizer nessa abordagem humanizada?
Geysa Chaves: Esse bloco será o da ressocialização. Pretendo que as pessoas entendam com isso que valorizar a auto-estima do preso é fazer dele uma pessoa melhor, que se sente valorizada, amado, respeitado em sua dignidade. Eles já foram julgados e estão lá cumprindo suas penas. Ajudar a se sentirem como seres humanos normais como outro qualquer, que são, faz com que o preso tenha vontade de provar para a sociedade que ele é capaz de mudar, que se arrepende de seu erro, mas que quer uma oportunidade.
No dia do ensaio fotográfico eu tive uma das meninas que chorou demais. Ela nunca havia usado uma roupa nova, sempre coisa usada. Jamais pode imaginar que justamente na cadeia, um dia entraria num casaco de pele VERSACE com uma bota Fórum que também foi recentemente usada pela atriz TAÍS ARAÚJO em campanha publicitária.


André Silva: Quanto aos problemas e imagem do Sistema Penitenciário Brasileiro e dos dententos, desenvolver um trabalho no presídio Talavera Bruce/RJ foi uma quebra de preconceito para a Geysa?
Geysa Chaves: Um dos filmes que mais adoro é CARANDIRÚ. Ele trás de uma forma magnífica e real o lado sórdido da cadeia. Mesmo numa cadeia tranqüila, sem super lotação e com a garantia de dignidade ao preso, como é o Talavera Bruce, esse lado sórdido existe, mas é disfarçado. No início você não sabe quem é quem, mas depois, se você for uma pessoa ligada logo percebe de onde partem certas pressões e por que.

Na minha cabeça, cadeia era lugar sujo, lotado, lugar de gente que não faz nada e só trama coisa contra os cidadãos, mas depois desse trabalho tive que rever meus conceitos.

Hoje quando passo num sinal de trânsito e vejo um jovem vendendo balas, penso que por trás daquele jovem existe uma mãe da LUCIANA.

Hoje quando vejo alguém falando que o preso faz isso ou aquilo, penso que um ser humano que é tratado como bicho é difícil sair de lá e não descontar toda humilhação em alguém aqui fora, mesmo que essa pessoa não tenha culpa de nada e sequer imagine o que ele passou lá. Isso é uma forma de punir o Estado e a população é que paga com a vida na maioria das vezes.Penso que todo o trabalho realizado pelo JUDICIÁRIO e pela SECRETARIA DE ADM PENITENCIÁRIA será em vão, se não prepararem psicologicamente funcionários do sistema carcerário para trabalhar com o preso. Poucos são preparados. Só humano pode trabalhar nessa função. HUMANO.


André Silva: Quanto ao projeto de escrever um livro sobre o documentário “Se eu não tivesse amor”, como surgiu a idéia e qual é a proposta do livro? (nessa pergunta você pode falar tudo o que quiser sobre o livro, colocar trechos, enfim, fique à vontade...rs)
Geysa Chaves: Em 1h ou 1h e 10 min não dá para você contar essas histórias e revelar tudo. Por isso resolvi fazer o livro.

O livro começa com o por que do documentário, passa pelas histórias delas, que por serem densas e grandes não vai dar pra mostrar tudo no documentário e também fala das filmagens, as dificuldades encontradas, de outras histórias que não estão no filme mas que conhecemos no presídio. Fala muita coisa.

O livro serviu de base para um roteiro de longa de ficção baseado em fatos reais. É o próximo projeto.

N documentário procurarei colocar as imagens que não vou dramatizar no longa de ficção no futuro, e que as pessoas só terão conhecimento lendo o livro e imaginando como será o filme que pretendo captar recursos públicos e privados e outras parcerias para filma-lo no futuro.

Depois que finalizar o documentário e o livro começo a mexer no roteiro de ficção que já está registrado, mas pretendo alterá-lo com a colaboração de um roteirista mais experiente em ficção.



*TRECHOS DA ENTREVISTA COM JENNIFER CLAUDE SALAGNAC

“...De repente, entrou uma moça loura e muito bonita porta a dentro. Ela estava com um uniforme verde e uma bota branca tipo bota de pião que tira leite de vacas. É o uniforme da padaria em que trabalha dentro da Unidade Prisional Talavera Bruce. Essa padaria produz o pão consumido por todo o sistema carcerário do Estado.

O que me chamou a atenção é que ela estava com os cílios bem maquiados com máscara de cílios (rímel) preta e pó facial que deixavam suas bochechas mais rosadas, mais bronzeadas.

Ela me disse que nasceu no MARROCOS, mas foi para a FRANÇA com 01 ano de idade e que seus pais são franceses. Ela é francesa, então.

Fiquei surpresa porque ela em tão pouco tempo fala muito bem o português. Aliás, todas as presas do pavilhão das estrangeiras aprendem a falar rapidamente o português...”

TRECHOS DA ENTREVISTA COM DIONE NORMANDO PIRES

“...Quando soube das sentenças, inicialmente caiu em depressão, quis se matar, se mutilou, mas depois virou bicho. Era muito rebelde e queria realmente virar o bicho que a polícia lhe taxou. Já dentro do presídio, em regime de cumprimento de penas, quis realmente ser a LOURA**, a chefe do bando, então tatuou no Cóccis uma AK-47, símbolo do 157 (assalto a mão armada), “bonde” (comboio de carros roubados com bandidos armados) “pesadão” (fortemente armado). Estava irada porque antes dos assaltos nunca teve ficha suja, nunca cometeu outros crimes e teve a pena maior que os demais comparsas e nunca foi CHEFE de nada, e isso tudo foi um devaneio da polícia e imprensa naturalmente por falso testemunho dos comparsas contra ela.
**Na época dos assaltos a caminhões de cargas, DIONE usava cabelos louros.
DIONE diz com tristeza no olhar que não se orgulha dessa história. Que 01 ano na vida do crime lhe rendeu 41 anos de prisão...”.

*TRECHOS DA ENTREVISTA COM JESSICA BORGES CABEÇO

“...Pressionada, e com medo de ser pega, além do medo de perder seu grande amor, JÉSSICA pondera com X, que não abre mão de que ela leve a droga, e insiste com JÉSSICA dizendo: “Amor, sei que você está com medo, mas fica tranqüila, põe na rosadinha (partes íntimas/vagina) que você consegue passar”, e JÉSSICA acaba levando a droga e sendo presa”.

*TRECHOS DA ENTREVISTA COM JAQUELINE RODRIGUES

“...Dona de lindos olhos azuis, LADY, é o vulgo (apelido) que lhe foi dado pelo Delegado que efetuou sua prisão. Ela só assaltava residências de luxo vestida como uma LADY. Sua especialidade era jóias, dinheiro e moeda estrangeira. Nada de bagatela. Ela tinha pavor de ser presa por causa de um vale transporte e uma carteira de velhinhos com “merreca” dentro.
Mulher forte e altamente persuasiva. Prende sua atenção, e para de falar se você divide sua atenção com outros”.

*TRECHOS DA ENTREVISTA COM LUCIANA CAMPOS TAVARES

“...LUCIANA me disse a seguinte frase: “Senhora, a gente não deita de baixo de um homem sem saber o que ele faz, sem saber da vida dele. Pode quem quiser falar, mas não acredito porque eles falam. Posso dizer que o meu relacionamento com ele me apresentou o mundo do crime, porque eu não usava drogas e ele me ensinou a fumar maconha. Eu não cheirava pó porque fere o nariz, mas usei todo tipo de outras drogas – ecstasi, crak, loló, mas eu fui ser traficante por desejo próprio. Eu queria ter PODER”.
...
Pensei também que DEUS olhava muito por LUCIANA, porque ela escapou de 3 sentenças de morte, salvo se eu tiver contado errado: Escapou dos tiros dentro do mato, escapou do julgamento do tráfico e escapou de ser entregue ao “alemães” (inimigos de facção contrária). Qual seria a próxima sentença de morte de LUCIANA?
....
LUCIANA me disse que a vida lhe tirou quase tudo, mas teve um momento em especial que o seu mundo desabou, foi quando ela descobriu ....”

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Segundo a ONU, 3 milhoes de meninas por ano correm o risco de sofrer mutilação genital

Genital mutilation - The United Nations Population Fund (UNFPA) says three million girls are still at the risk of genital mutilation each year.
In a message to mark International Day against Female Genital Mutilation (FGM), the UNFPA called for change of perception on the practice.
The practice is still widespread in spite of a global commitment in 2002 to end FGM by 2010. The UN agency also blamed the continued practice on social and cultural perceptions.
It estimates that 120 to 140 million women have been subjected to this harmful and dangerous practice.
The UNFPA said: 'Girls and their families will face shame, social exclusion and diminished marriage prospects if they forego cutting.
'FGM poses immediate and long-term consequences for the health of women and girls, and violates their human rights.
'The agency noted that decline in the number of FGM had been recorded in some communities, which had chosen to make public declarations against the practice.
It cited Senegal, where genital mutilation had declined by up to 65 per cent.'Success in reducing the incidence in several countries where it was once highly prevalent has occurred as a result of culturally sensitive engagement with local communities and encouraging change from within,' the agency said.
6 February of every year has been designated by the UN as International Day against Female Genital Mutilation.The day has been set aside to raise awareness among the general public about this traditional but harmful practice.
The UN insists that FGM 'severely violates the human rights of women and girls'.
Its report estimates that in the 28 countries in sub-Saharan Africa and the Middle East where female genital mutilation/cutting is performed, some 130 million women and girls have been affected.
In addition to causing severe pain, FGM can result in prolonged bleeding, infection, infertility and death.
New York - Pana 08/02/2010
Fonte: UN Agency

Suspeito de estupro preso em SP não é o serial killer que teria matado Ana Carolina de Menezes, confirmou a Polícia Civil de MG

Preso em SP suspeito de estupro no Sul de Minas
Alexandre Vaz - Portal Uai
Rafael Passos - Portal Uai

A Polícia Civil de Minas confirmou nesta segunda-feira que o estuprador preso em Guarulhos, na Grande São Paulo, nessa segunda-feira, não se trata do maníaco que está sendo procurado na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Por meio de nota, a polícia comunicou que o homem preso é Benedito Donizete da Silva, de 44 anos.

Ele é acusado de ter abusado sexualmente de três meninas de 15, 13 e 11 anos em Piranguino, distrito de Brasópolis, no Sul de Minas. A mais nova, inclusive, ficou grávida e foi autorizada pela Justiça a interromper a gestação, que aconteceu no Hospital Júlia Kubitschek, em Belo Horizonte. Benedito foi levado para a delegacia de Brasópolis.

Policiais do SIG (Setor de Investigações Gerais) receberam da polícia mineira um mandado de prisão e possíveis endereços de residências do acusado, mas ele não foi encontrado em nenhum dos locais.

Nesse domingo, depois de uma denúncia anônima, os policias se deslocaram até uma chácara, em Guarulhos. Eles conversaram com moradores e souberam que, desde o Natal, um homem havia alugado um quarto na região.

Investigações

Sobre o serial killer que estuprou e matou ao menos três mulheres no Bairro Industrial, em Contagem, a Polícia Civil diz que as informações são mantidas em sigilo para não atrapalhar as investigações. Por fim, o órgão informa que não há denúncias de novos casos relacionados aos crimes praticados pelo assassino.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Preso em São Paulo suspeito de ser serial killer que matou Ana Carolina de Menezes

Preso em São Paulo suspeito de ser serial killer de mulheres

Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais ainda não confirmou a informação

Alexandre Vaz - Portal Uai

A Polícia Civil de São Caetano do Sul prendeu na manhã desta segunda-feira um homem suspeito de estuprar mulheres em Minas Gerais. As primeiras informações são de que ele seria o serial killer que estuprou e assassinou três mulheres no Bairro Jardim Industrial, em Contagem, no ano passado. A Secretaria de Estado de Segurança Pública não confirma a informação.

Policiais do SIG (Setor de Investigações Gerais) receberam da polícia de Minas Gerais um mandado de prisão e possíveis endereços de residências do acusado, mas ele não foi encontrado em nenhum dos locais. Nesse domingo, os policiais receberam a informação de que o estuprador estava em Guarulhos e o prenderam.

Fonte: Portal Uai

http://www.uai.com.br/htmls/app/noticia173/2010/02/08/noticia_minas,i=147066/PRESO+EM+SAO+PAULO+SUSPEITO+DE+SER+SERIAL+KILLER+DE+MULHERES.shtml

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Polícia de MG caça serial killer que teria matado Ana Carolina

Polícia caça assassino de mulheres na Grande BH

Pedro Ferreira - Estado de Minas
Publicação: 02/02/2010 06:21

A polícia está à caça de um assassino em série que ataca mulheres no Bairro Industrial, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e é responsável por pelo menos três mortes na Grande BH. Em abril, setembro e outubro, três vítimas desapareceram no bairro. Todas foram estupradas e estranguladas. Exames recém-concluídos pelo setor de Biologia do Instituto de Criminalística comprovam que é da mesma pessoa o esperma encontrado nos corpos, dois deles localizados em pontos próximos, na capital. O serial killer pode ter agido ainda em dois outros casos registrados em 2009: o sumiço de uma mulher em janeiro, no Bairro Lindeia, Região do Barreiro – cujo corpo foi encontrado em adiantado estado de decomposição, impedindo a coleta de sêmen – e o desaparecimento de uma estudante, também no Barreiro.
Várias outras coincidências levam a polícia a acreditar que está lidando, nesses casos, com um único criminoso. A partir das informações já levantadas, médicos legistas, agentes, peritos e delegados estão montando uma força-tarefa com o Ministério Público Estadual para traçar o perfil e chegar ao autor dos crimes.
Segundo informações obtidas pelo Estado de Minas, o assassino da empresária Ana Carolina Assunção, de 27 anos, que foi violentada e morta dentro do seu carro, ao lado do filho de 1 ano e dois meses, em um crime que chocou o estado, é o mesmo homem que matou a empresária Maria Helena Lopes Aguiar, de 48, e a contadora Edna Cordeiro de Oliveira Freitas, de 35. O corpo de Ana Carolina foi achado no Bairro João Pinheiro e o de Maria Helena, no Califórnia, ambos na Região Noroeste da capital, separados pelo Anel Rodoviário de BH.
Em 16 de abril do ano passado, o corpo de Ana Carolina foi encontrado seminu no banco traseiro do seu Palio Weekend. Ela foi estrangulada com o cadarço do tênis e violentada. O bebê não foi agredido e dormia sobre o peito da mãe. A família deu falta do celular, mas R$ 210 foram achados sob o banco e o aparelho de som do carro não foi levado. O drama da família começou por volta das 18h de 16 de abril, quando a empresária foi com o filho buscar a mãe na loja, no Bairro Industrial. A mãe da vítima, que já tinha trancado o estabelecimento e aguardava do lado de fora, estranhou ao ver o carro da administradora passar direto. Informado sobre o episódio, o marido da empresária ligou para o celular da mulher e ela disse que estava tudo bem e que havia chegado em casa, o que não era verdade.
O irmão da administradora, Jair Vinícius Menezes Assunção, de 22, foi avisado da suspeita de sequestro-relâmpago e também telefonou para Ana Carolina, que repetia o tempo todo que estava bem e, diante da insistência, pediu que ele não fizesse tantas perguntas. Nessa ligação, o rapaz ouviu vozes masculinas mandando a empresária andar mais rápido. Depois de 20 minutos, o telefone foi desligado. O carro foi encontrado mais tarde, na Avenida Governador Benedito Valadares, no Bairro João Pinheiro, Região Noroeste de BH, na marginal da Via Expressa, em local deserto e de pouca iluminação.
Outra vítima do maníaco foi encontrada em local vizinho. O corpo de Maria Helena, que desapareceu em 17 de setembro de 2009, no Industrial, foi achado no dia seguinte, no banco traseiro do seu Punto, no Bairro Califórnia, também na Região Noroeste de BH. Maria Helena era dona de duas lojas de confecções no Barro Preto, Região Centro-Sul de BH. Ela foi estrangulada com o cinto de segurança do carro. Nada foi roubado, mas a família deu falta do telefone celular.
Outra vítima do maníaco foi a contadora Edna Cordeiro, que sumiu em 11 de outubro do ano passado. Ela saiu do trabalho, numa faculdade, e não chegou em casa, no Industrial. Seu carro foi achado no mesmo dia, próximo a uma favela do bairro, com a chave na ignição. No banco do passageiro estavam carteira, bolsa, cartão de crédito e documentos pessoais, intactos. Só o celular não foi encontrado. O corpo foi localizado no dia seguinte, por funcionários de uma mineradora, a 50 quilômetros de onde o carro estava, numa estrada de acesso ao Condomínio Retiro das Pedras, em Nova Lima, Grande BH. Não havia nenhum documento que identificasse o corpo, mas a vítima usava uma aliança com seu nome. Segundo a polícia, foi estrangulada com o colar que usava.
Investigação
O Instituto de Criminalística não conseguiu coletar amostras de esperma no corpo da comerciante Adina Feitor Porto, de 34, que sumiu em 27 de janeiro de 2009, no Bairro Lindéia, no Barreiro, e teve o corpo encontrado uma semana depois, numa estrada de terra em Sarzedo, Grande BH. O carro dela foi abandonado sem combustível na Via Expressa, no Bairro Camargos, Região Noroeste de BH, que fica ao lado dos bairros Califórnia e João Pinheiro, onde os corpos de Ana Carolina e Maria Helena foram localizados. A vítima também foi estrangulada.
Outro crime investigado pela polícia é o sumiço de uma estudante que em outubro do ano passado saiu de casa, no Barreiro, com destino à PUC Betim, onde estudava, e nunca mais foi vista. Seu carro foi achado no Barreiro.
Amarga lembrança
A Região Noroeste de BH, onde foram encontrados os corpos de duas das vítimas do maníaco, já foi palco de vários crimes contra mulheres, alguns dos quais ainda desafiam os investigadores. Entre 1999 e 2001, foram registrados 12 assassinatos e cinco vítimas continuam desaparecidas. Muitos casos ainda não foram esclarecidos e a polícia não descarta a possibilidade de ligação de crimes antigos com o maníaco que atacou no ano passado e que vem sendo procurado.
Fonte: Portal Uai

Capturar o assassino de Ana Carolina é fazer justiça social

Quando olhamos para esse histórico de morte e violência cometida contra essas mulheres lamentamos a triste realidade da violência de gênero. Como se não bastasse o flagelo da violência doméstica, agora a atuação de um possível serial killer causando pânico e medo em Belo Horizonte.
Recentemente o Brasil assistiu ao assassinato por arma de fogo da cabelereira de Belo Horizonte pelo seu ex-marido. O autor fugiu mas foi capturado e preso pela polícia. Essa resposta rápida de firme da polícia é uma forma de dizer que não mais será tolerada qualquer violência contra qualquer mulher. Infelizmente, somente os casos que ganham destaque na mídia possuem esse tratamento de resposta digna que deveria ser dispensado a todas as mulheres. Não acentuarei aqui as dificuldades da própria polícia em dar essa resposta a essa grande demanda, porém reconheço que há limitações e que deveriam ser corrigidas.
Identificar que Ana Carolina foi assassinada juntamente, porém em momentos distintos, por um serial killer é um grande avanço da investigação policial. Capturar esse criminoso é uma questão vital para manter a ordem e aplacar a insegurança social já em níveis, em determinados lugares, altos.
Prender o assassino de Ana Carolina certamente não fai trazer a jovem de volta, mas é urgente que se faça por uma questão de justiça social e de respeito para com a família.
André Silva




Serial Killer teria matado Ana Carolina de Menezes

Inteligência policial tenta rastrear maníaco

Pedro Ferreira - Estado de Minas
Publicação: 04/02/2010 07:31
Equipes dos serviços de inteligência das polícias Civil e Militar vêm trabalhando na área do Bairro Industrial, em Contagem, Grande BH, e em bairros próximos, em busca de pistas e informações que possam levar ao assassino em série que já violentou e matou pelo menos três mulheres no ano passado. Na Região do Barreiro, 10 suspeitos de envolvimento em estupro estão sendo monitorados pelo serviço reservado da Polícia Militar, na tentativa de identificar o maníaco. Conforme o Estado de Minas divulgou com exclusividade na terça-feira, exames do Instituto de Criminalística comprovam que é do mesmo homem o esperma encontrado nos corpos das três vítimas.
O suspeito ainda pode ter atacado outras duas mulheres em 2009. Para reforçar as investigações em andamento, um grupo especial envolvendo policiais, integrantes do Ministério Público e peritos será formado, a partir de reunião marcada para os próximos dias. A apuração – que segundo a polícia já conta com um retrato-falado – deve ainda ganhar o reforço da especialista em serial killers Ilana Casoy, que estuda o perfil desses matadores há quase 10 anos. De acordo com o site que a estudiosa mantém, sua colaboração é comumente solicitada pelas polícias de vários estados para ajudar na elaboração do perfil criminal de envolvidos em casos em andamento.
Como o Bairro Industrial, em Contagem, de onde eram as três vítimas comprovadamente atacadas pelo maníaco que age na Grande BH, faz divisa com o Bairro das Indústrias, no Barreiro, em Belo Horizonte, o major Cléber Geraldo Gonçalves, subcomandante do 41º Batalhão da PM, acredita que o assassino possa morar na região. Diante disso, o serviço de inteligência da unidade vem monitorando todos os suspeitos da área que já tiveram algum envolvimento com casos de violência sexual.
“Estamos dirigindo nossa atenção àqueles que já cumpriram pena por estupro, por tentativa, que já foram condenados por esses crimes e estão em liberdade condicional, assim como aqueles que cumprem pena em regime semiaberto e também os que respondem a inquérito em liberdade e aguardam julgamento pela Justiça”, disse o major. Os militares vêm apurando onde cada um dos suspeitos estava na data do assassinato das mulheres.
As empresárias Ana Carolina Assunção, de 27 anos, e Maria Helena Lopes Aguiar, de 48, assim como a contadora Edna Cordeiro de Oliveira Freitas, de 35, foram abordadas pelo maníaco no Bairro Industrial. A primeira foi morta em abril; a segunda, em setembro e a terceira, em novembro do ano passado. Exames de DNA feitos no sêmen coletado nas vítimas confirmaram que a mesma pessoa cometeu os crimes. Os corpos de Ana Carolina e Maria Helena foram achados na Região Noroeste de BH e o de Edna, numa estrada de terra de Nova Lima, na região metropolitana.
O subcomandante do 41º BPM aguarda da Polícia Civil o retrato-falado de um possível suspeito de ter assassinado as três mulheres de Contagem. A imagem, que vem sendo mantida em sigilo pela polícia, refere-se a um homem visto por testemunha rondando o carro de uma das vítimas. Para o major, as características físicas facilitariam a identificação de suspeitos. Ele pede informações que possam ajudar nas investigações, mesmo que anonimamente, pelos telefones 181, 190 ou 197. “Estamos trabalhando 24 horas, abordando veículos, principalmente aqueles com casais”, disse o major. Segundo ele, estudos comprovam que, de cada 10 estupradores, seis cometem o crime mais de uma vez.
O delegado Frederico Abelha, da Delegacia de Homicídios do Barreiro, responsável pela investigação, confirmou ontem a existência do retrato-falado. De acordo com ele, equipes de agentes da Civil também se revezam nas apurações, que estão sendo mantidas 24 horas no Bairro Industrial. “Pela forma que agiu, o criminoso tem de conhecer a área. Ele não abordou as mulheres de forma aleatória, mas deve tê-las acompanhado por dois ou três dias. Se não mora no bairro, trabalha ou transita nele por algum motivo”, avaliou.
Nessa terça-feira, o assassinato de uma mulher em Betim, na Região Metropolitana de BH, levantou a suspeita de que o maníaco tivesse voltado a agir. Havia a hipótese de estupro seguido de morte e policiais civis e militares seguiram para o local do crime, mas as apurações preliminares não comprovaram violência sexual e indicaram que não havia coincidência com a forma de agir do assassino em série que atacou na vizinha Contagem.